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Entenda por que este prédio japonês encolheu dois andares em dez dias


Já imaginou como são feitas as demolições de arranha-céus?

Demolir prédios é uma atividade que faz parte do processo de urbanização das grandes cidades. As construções mais velhas e obsoletas são retiradas de vista para dar lugar a novas soluções em engenharia e arquitetura. Há três maneiras comuns de se fazer isso – manualmente, com auxílio mecânico ou de explosivos. E, independente da altura, esses desmontes, em geral, geram muitos transtornos à população, como ruídos, entulhos e poeiras. Além disso, em alguns casos, os riscos às construções vizinhas podem ser enormes.

E será que existe solução melhor de se fazer desmontes de edifícios extremamente altos sem que haja danos e riscos à sua vizinhança?

(imagem extraída de Face Punch)

Nas academias brasileiras, o debate dessa questão não é comum, embora até haja algumas aulas extras voltadas à Engenharia da Demolição. Mas, em países como os Estados Unidos, existem milhares de cursos específicos para profissionais da construção civil. E isso se mostrará cada vez mais necessário, já que o mercado imobiliário mundial tem se comportado de forma imprevisível.

Os novos empreendimentos apresentam soluções mais arriscadas. Alguns acabam como grandes sucessos e outros como fracassos financeiros. Talvez, daqui a poucos anos, seja preciso desmanchar centenas ou milhares de torres com mais de cem metros. Por isso, seria interessante se fossem investigados métodos mais seguros, limpos e silenciosos.

+ Demolições de arranha-céus no Japão

Em média, os edifícios costumam ter uma vida útil de trinta a quarenta anos. Somente no Japão, há quase mil antigos arranha-céus com mais de cem metros de altura, que completarão exatamente essa idade em menos de uma década. Cidades como Tóquio apresentam uma alta densidade construtiva. Usar guindastes ou explosivos para demolições, nesses casos, seriam alternativas inviáveis, impossíveis de serem aplicadas. Por isso, alguns pesquisadores passaram a estudar soluções diferentes, até mesmo mais ecológicas, para o desmonte desses edifícios.

(imagem extraída de Japan Visitor)

+ Novas tecnologias para demolições

No distrito de Akasaka, em Tóquio, um edifício em particular chamou a atenção dos transeuntes. Isso porque a torre de cento e trinta e nove metros de altura, ou quarenta andares, passou a “encolher” com o passar do tempo. Isso mesmo, “encolher”. O Grand Price Hotel, construído na década de 1980, é o edifício mais alto já derrubado, até agora, no Japão. Ele perdeu dois andares a cada dez dias.

O processo apelidado de ‘Demolição Invisível’, Taisei Ecological Reproduction System ou Tecorep, foi desenvolvido pela Taisei Corp. Trata-se de um método estratégico, feito andar por andar. Ele é mais sustentável e agride bem menos o meio ambiente. Semelhante a esse, a Kajima Corp. desenvolveu o processo ‘Kajima Cut and Take Down’ e a Takenaka Corp. o ‘Takenaka Hat Down’.

(imagem extraída de Catraca Livre)

+ Como é realizada a ‘Demolição Invisível’

A técnica não utiliza explosivos ou bolas de demolição. Praticamente todo o trabalho é feito dentro do edifício. Na verdade, ela instala uma espécie de chapéu no todo do prédio a ser desmontado. Colunas removíveis são acopladas temporariamente à estrutura original da construção e somente a laje superior é mantida, enquanto máquinas escavadoras quebram tudo o mais que é possível nos interiores.

Escombros, como revestimentos e esquadrias, são retirados com ajuda de um sistema central. Peças maiores, em concreto ou aço, são levadas para o solo através de guindastes. Além disso, boa parte de todo esse material é separado de forma mais eficiente e encaminhado para reciclagem.

(imagem extraída de Folha de São Paulo)

A segunda etapa é baixar as colunas hidráulicas e a laje superior remanescente. Assim, aos poucos, o prédio vai diminuindo de tamanho, “encolhendo” de cima para baixo. O próprio movimento de descida dos macacos gera energia elétrica, que alimenta outros equipamentos usados no processo. Percebe-se que tudo foi projetado para gerar o mínimo possível de risco de acidentes na obra e impactos nos arredores, como poluição sonora, dispersão de sujeira e partículas – a Tecorep reduz a emissão de carbono em 85%, os níveis de poeira em 90%, e o ruído em 17-23 decibéis, ou seja, é um método mais “amigo” do homem e da natureza.

(imagem extraída de Meglio Possibile)

O vídeo a seguir apresenta uma matéria completa que explica como são realizadas as ‘Demolições Invisíveis’ e quais as suas vantagens:

FontesJapan TimesNY Daily NewsArch DailyInstituto de Engenharia.


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