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O vídeo que viralizou nas redes sociais: como é ser aluna de engenharia


Em uma das faculdades mais concorridas de engenharia do país, a Poli-USP, nos últimos 5 anos não chega a 30% o percentual de mulheres entre os estudantes. Para elas, encarar o machismo, o preconceito e tantas dificuldades se tornou um desafio diário. Para enfrentar e chamar a atenção da sociedade, elas fizeram um vídeo que viralizou nas redes sociais.

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Imagem: Montagem/Rodrigo Sanches/EXAME.com

A mensagem é muito clara: as mulheres não só devem ocupar espaços que foram sempre considerados masculinos, como também devem denunciar e enfrentar as ideias pré-concebidas de que as mulheres vão desistir do curso antes de pegarem o diploma ou que não são capazes como os homens, por serem consideradas do “sexo frágil”.

O vídeo faz parte da competição “IntegraPoli”, e foi inspirado no clipe de Clarice Falcão, versão da música “Survivor”. Toda a produção foi feita pelas próprias alunas, o que explica a sinceridade, força e experiências vividas pelas elas mesmas. A pintura no corpo traz as palavras e os símbolos da luta diária das mulheres contra o machismo, o racismo, os abusos, o estupro e, no caso das futuras engenheiras, os questionamentos que escutam por serem estudantes da Poli-USP.

Até o momento, o vídeo ultrapassou 250 mil visualizações e ganhou o prêmio de melhor da competição. A repercussão não era esperada pelas estudantes, e é fundamental que seja cada vez mais divulgado, compartilhado e discutido na sociedade – o que é possível perceber até quando ainda se observam os comentários preconceituosos e machistas em resposta ao vídeo.

Mulheres na Engenharia

Em cinco anos, o percentual de mulheres na Poli é de 27%, e mesmo com um aumento desse número quando comparado aos anos anteriores – em 2009, entre os aprovados para cursar a Escola Politécnica da USP, apenas 6,3% eram mulheres – ainda falta muito para a igualdade de gênero nos cursos, e não apenas os de Engenharia na Poli, mas também outros exemplos da área de Exatas e em todo o país.

A igualdade de gênero, entretanto, é um desafio também em outros países. Nos EUA, por exemplo, apenas 19% dos formados em Engenharia são mulheres, mas já há sinais que indicam como as mudanças podem –e devem – acontecer. Em 2016, pela primeira vez o número de mulheres formadas em Engenharia na Universidade de Dartmouth superou o de homens. Do total de graduados, 54% eram mulheres.


Veja também: Mulheres negras nos cursos de Engenharia: relato de estudante da Poli mostra como é a realidade


O vídeo como resistência

Em entrevista ao Estado de S. Paulo, as estudantes Gabriela Menin e Renata Stabenow, respectivamente do quarto e último ano do curso de Engenharia Civil, destacam a importância que o vídeo tem para a resistência e luta das mulheres. “Infelizmente, nós temos de provar duas, três vezes que você é capaz, coisa pela qual os homens não passam”, afirma Gabriela.

Seguindo a mesma reflexão, Renata traz a experiência da rotina na faculdade: “Ser mulher dentro da Poli é uma resistência e é uma resistência diária. Se impondo, tirando boas notas, mostrando para as pessoas que você tem capacidade e não é só um rostinho bonito. Você está lá para estudar e cumprir seu papel.”

Confira:

Referências: Exame, Exame – Curso de Engenharia nos EUA, Estadão


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  • Lindomar Pinto

    Politicamente correto. Quando fiz engenharia na UFSC haviam poucas mulheres na turma mas jamais foram discriminadas. Então acho que é muito mimimi. Faz engenharia quem se interessa em fazer engenharia e ponto. Se menos mulheres que homens se interessam pela carreira os homens não tem culpa disto.

    • Jefferson Beardsworth

      Não é somente uma questão de se interessar ou não. Tenho várias amigas, por exemplo, que gostariam de ingressar na faculdade de engenharia/ciência da computação, mas os pais as acabaram forçando a desistir (por ser uma carreira “masculina”), e ingressar em direito, medicina ou enfermagem. Existe toda uma questão histórica, também: enquanto os guris ganhavam computadores, as gurias ganhavam joguinho de panelas. As mulheres são discriminadas, sim; assim como também são discriminados os homens que gostariam de seguir uma carreira mais artística. Temos que parar de simplificar e mascarar os problemas sociais como se fossem “mimimi politicamente correto”.

      • Lindomar Pinto

        Vcs vivem em outro mundo.

        • Luisa da Rocha

          voce que vive num mundo atrasado SR lindomar

      • Camila Teixeira

        Isso é drama sim! Eu sou engenheira então tenho respaldo pra falar. No caso da sua amiga, a família DELA que é preconceituosa e não respeita a decisão pessoal que é a escolha da profissão. O meu pai se enche de orgulho quando diz que a filha dele é engenheira formada numa federal! Detalhe, na minha formatura tinham 30 mulheres e 15 homens! Parem de criar caso. Lugar de mulher, é onde ela quiser, vestibular não seleciona não! Eu e minhas 29 colegas de curso quisemos, mas se as demais não quiserem engenharia…? Precisa necessariamente ter 50% de cada sexo em todo curso? Nem a população brasileira tem exatamente 50% de cada… Aiiiiii, hj em dia tudo dá mimimi demais…

        • Luisa da Rocha

          Camila, meu pai tbm tem muito orgulho de eu ter escolhido engenharia. Bom pra gente, mas temos que ter a sobriedade de perceber que somos exceções. Meus brinquedos sempre foram do esteriótipo mãe-de-bonecas e dona-de-casinha, enquanto meu irmão sempre teve trens e carros de desmontar, etc. Poucos “esperam”/ acreditam que a gente possa simplesmente gostar disso, e acho que nós estamos aí pra quebrar esse esteriótipo.
          Em qual eng você formou? onde? temos um grupo só de gurias engenheiras aqui na facul. quer participar??

  • Renner Silva E Souza

    Grande matéria e também uma bela campanha. Tudo isso que elas passam é medo dos “homens” de serem superados.

  • Tom

    Se a pessoa tem capacidade de passar no vestibular, tem mais é que fazer o curso, aprender o que gosta e ignorar quem não tem capacidade pra perceber que se fosse fraco não tava ali

  • Leandro Joseph

    Rapaz só se isso acontece na poli-usp, pq já passei por duas faculdades aqui em recife e nas duas haviam mulheres nas salas de engenharia, e mulheres muito inteligentes por sinal, porém nesse meu tempo de faculdade houve mulheres que simplesmente não se viam como engenheiras e optavam por um curso de humanas ou saúde, no final das contas a escolha de que se ela vai querer cursar o curso é total e inteiramente dela. Repito, todas as garotas que conheci nos meus anos de engenharia são muito inteligentes e sempre foram respeitas

  • Evandro Marcelo Copceski

    “igualdade de genero nos cursos”… Já parou pra analisar quantas mulheres realmente se interessam pela engenharia? Procura em engenharia da computação, mecânica, elétrica, entra nas turmas, analisa quantas mulheres estão lá apaixonadas pela profissão e pelos cálculos…

    Tem? Tem… sempre tem… Mas estatisticamente falando, são muito poucas…

    Se as mulheres não procuram esses cursos, não vão ter representatividade… Vai querer dizer o quê? Lugar da mulher é onde ela quer, certo? Se não é lá tão comum mulher na engenharia, quanto é na medicina, é por escolha delas, oras, não tem cota pra homem, nem falta capacidade pra mulher nenhuma fazer esses vestibulares, então né….

    Agora tu me faz um texto como se fosse obrigação de alguém forçar as mulheres à ocuparem metade das vagas em todos os cursos, mesmo aqueles que aparentemente são desinteressantes pra elas,( perceba que o padrão nas engenharias, permanece mesmo nos países mais igualitários do mundo)… VAI ENTENDER.

  • Nikiforos Philyppis

    Acredito que haja preconceito e estereótipo mas dizer que a regra é essa e por isso a baixa percentagem de formandas é outro caso. Algumas perguntas elucidariam melhor o caso:

    Qual é percentual de mulheres que tentaram Engenharia na dita universidade?
    Quantas passaram no vestibular?
    Quantas desistiram?
    Qul é a relação das três perguntas acima com a média geral e, mais especificamente, a média masculina?
    Onde as moças que participaram da campanha ouviram as ofensas e preconceitos? Na USP ou antes dela?
    Se ouviram na USP, sob que contexto? Chamar a pessoa de grossa, a meu ver, nada tem a ver com sexo, gênero ou Enganharia…

    Abs a todos.