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Saiba quais materiais eram empregados na engenharia da antiguidade


A engenharia e a arquitetura fazem parte da expressão cultural dos povos, influenciadas, diretamente, pelas mudanças geográficas, sociais e econômicas do planeta. Estudar seus diferentes modelos, suas transformações e tendências ao longo da história é um meio de conhecer o passado e entender o presente. Há características distintas e marcantes em cada época. A abordagem moderna, por exemplo, não é a mesma da antiguidade. O mundo mudou e, dessa maneira, também as técnicas construtivas e o emprego de certos materiais.

Partenon, Grécia. (imagem extraída de Pixabay)

+ A evolução da construção civil

Foi entre os séculos IV e VII a.C. que o ser humano construiu as estruturas artificiais de maior magnitude do mundo. Templos, palácios e tantas outras edificações tinham como principal função exaltar o poder dos líderes, tanto do plano físico quanto do plano espiritual. Mas, bem antes disso acontecer, no período Neolítico – de 9 a 6 mil anos a.C. – o homem precisou abandonar as cavernas, desenvolver a agricultura, a criação de animais e aprender a construir suas próprias moradias.

No princípio, os materiais mais empregados na construção civil eram aqueles encontrados de forma bruta na natureza, mas modelados e adaptados de acordo com as necessidades. Exemplos disso são a pedra, o barro, os metais e as fibras vegetais. Mas foi a madeira, provavelmente, o material mais utilizado no passado. Isso porque era encontrada em abundância em quase todas as regiões do planeta. Também, pois apresenta relativa facilidade de manuseio. As cabanas em pedra já eram mais raras, existindo apenas em locais onde o tipo de flora ou intemperismo impedia sua exploração.

Naveta des Tudons, Ilhas Baleares, Espanha. (imagem extraída de Wikipedia)

Com o passar dos anos, os agrupamentos humanos tornaram-se mais densos. Surgiu a necessidade da construção de estruturas maiores, resistentes, duráveis, de melhor aparência e capazes de abranger vãos mais extensos. Tantas exigências fizeram com que a madeira e as pedras, com imperfeições naturais e extração cada vez mais limitada, ficassem em segundo plano diante dos materiais fabricados.

Depois da Revolução Industrial, com o emprego do concreto protendido e do aço, as áreas urbanas foram tomadas de arranha-céus, mudando, assim, os rumos da engenharia e da arquitetura mundial.

Necrópole de Gizé, Cairo, Egito. (imagem extraída de Wikipedia)

+ As matérias-primas mais antigas

Muitos dos materiais que são utilizados atualmente pela construção civil já eram conhecidos dos povos pré-históricos. Alguns foram aprimorados e outros inventados durante o período clássico. Vejamos três deles:

+ Adobe

No Brasil, além da taipa de pilão e do pau-a-pique, existem exemplares construtivos da época colonial feitos em adobe. No entanto, esse material data, na verdade, de mais de cinco mil anos. Edificações assim podem ser encontradas nas Américas, África, Oriente Médio e Europa. Alguns dos monumentos arquitetônicos mais antigos do mundo, como as Muralhas da China, tiveram partes erguidas com terra compactada e ainda permanecem de pé. Porém, o preconceito e a desinformação fariam as pessoas optarem com o tempo, em seu lugar, pelo tijolo cozido.

Tijolos de adobe, província de Chuy, Quirguistão. (imagem extraída de Wikimedia)

Muitos ligam a imagem do adobe empregado na engenharia civil à ideia de moradias precárias e sem higiene, já que a maioria dos exemplares encontra-se em regiões de extrema pobreza. Acontece que problemas oriundos de má execução e conservação podem surgir em obras feitas com qualquer outro material, ou seja, não são problemas intrínsecos do barro. Na verdade, a terra crua é muito abundante no mundo e um material de excelentes qualidades, como absorção de umidade. Sendo assim, é uma boa alternativa para o futuro.  Por isso, profissionais ligados à área da bioarquitetura têm se empenhado em impulsionar o resgaste desse modelo antigo de construção em propostas contemporâneas.

“O uso da terra crua é uma importante contribuição para a economia de energia e a redução da poluição no planeta” – engenheiro e arquiteto Gernot Minke, diretor do Laboratório de Construções Experimentais da Universidade de Kassel.

Arcos em adobe em Merzouga, deserto do Saara, Marrocos. (imagem extraída de Wikimedia)

+ Pedra

As pirâmides – em especial o grande túmulo do faraó egípcio Queops, erguido em 2650 a.C. – são, talvez, os exemplares mais surpreendentes de engenharia e arquitetura em pedras. Porém, a cultura que explorou com mais maestria esse material foi a grega. Até o anos de 900 a.C., a maioria de suas edificações era feita em madeira, barro e palha. Só no período de mais alto desenvolvimento econômico e cultural dessa civilização antiga é que outras matérias-primas passaram a ser utilizadas.

A partir do século VII a.C. os gregos começaram a usar as rochas, principalmente o mármore, para erguer seus templos, teatros e tantas outras edificações. Geralmente, os elementos construtivos mais importantes eram as vigas de madeira, envoltas por colunas de pedra. Os engenheiros da época não utilizavam argamassa para firmar as peças, apenas braçadeiras e buchas. Já as esculturas e outros ornamentos eram feitos em calcário, já que esse material era mais fácil de ser esculpido.

As cariátides, templo do Erecteion, Acrópole de Atenas, Grécia. (imagem extraída de Wikipedia)

+ Cimento

Um dos maiores segredos da Roma Antiga tem sido revelado aos poucos pelos cientistas e trata-se do cimento. A química do material aprimorado há milhares de anos por essa civilização, como uma alternativa no lugar do barro ou da pedra, mostrou-se muito resistente à ação do tempo. Certamente, não há nada que se compare. Na contemporaneidade, o concreto é baseado em uma mistura que leva cimento Portland, responsável pela maior parte das emissões de CO² no planeta. Já o cimento romano era diferente, bem mais compatível com o meio ambiente.

“Contrariando os princípios do concreto moderno baseado em cimento, os romanos criaram um concreto parecido com uma rocha que se beneficia da troca química com a água do mar. É algo muito raro na Terra.” – Marie Jackson, cientista da Universidade de Utah.

Aqueduto romano, Segóvia, Espanha. (imagem extraída de Pixabay)

A mistura do cimento criado pelos romanos levava cal, cinzas vulcânicas e rochas. Esse mineral é, na verdade, bastante raro. O tobermorita de alumínio é um tipo de substância que tem a capacidade de se cristalizar conforme é aquecida no preparo da massa. Juntos, todos os itens da mistura reagem endurecendo em contato com água do mar. Exatamente por esse motivo é que suas obras são tão fortes e sem rachaduras. Esse avanço tecnológico lhes permitiu erguer desde barragens marítimas até construções com arcos, abóbadas, cúpulas e, consequentemente, vãos bem maiores que o de costume na engenharia da antiguidade.

Coliseu, Roma, Itália. (imagem extraída de Wikipedia)

Fontes: BBCBlog do Pet CivilCasa AbrilHistory Channel.


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