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10 ingredientes para uma boa relação orientador-aluno

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O sistema educacional passou por transformações ao longo dos anos e a relação orientador-aluno mudou significativamente (pelo menos em boa parte das instituições).

Décadas atrás esse relacionamento era sustentado pela ideia de que o orientador seria uma autoridade sobre um discípulo. Era uma espécie de ditadura onde o aluno não expressava suas ideias e opiniões. Contudo, graças ao tempo e as mudanças decorrentes do mesmo, isso não ocorre hoje, pelo menos na maioria dos centros de pesquisa e inovação avançada.


Mudanças no relacionamento orientador-aluno

Primeiramente é importante relatar que por toda a trajetória educacional/profissional de uma pessoa, existe a orientação de profissionais da educação, principalmente quando se trata de ensino com projetos de pesquisa inseridos na formação do aluno. Além das mudanças na tecnologia, as mudanças entre o relacionamento orientador-aluno também é um ponto importante a ser evidenciado, até porque, um grupo de pesquisa saudável surge a partir da saudável relação entre orientador-aluno.

Grupo de pesquisa saudável, geralmente, surgem a partir de uma

Grupos de relacionamentos saudáveis, geralmente surgem a partir de um bom relacionamento orientador-aluno.

Maneiras de construir uma boa relação

O Dr. José M. Torralba, professor de Engenharia de Ciência de Materiais na Universidade Carlos III de Madrid sugere maneiras de construir uma relação professor-aluno saudável, no caso específico de doutorado. Ele compartilhou sua “receita” no artigo “10 ingredients for a successful supervisor/PhD student relationship” na Elsevier Connect”.

  • A partir da leitura desse artigo, escreverei resumidamente para vocês uma síntese desses 10 ingredientes:

1. Uma relação entre iguais.

Respeito mútuo de igual a igual é fundamental para um bom relacionamento entre orientador-aluno. O aluno deve respeitar o orientador, que normalmente é mais sábio e mais experiente do que o aluno e, o professor deve respeitar o aluno, respeitando e auxiliando a sua trajetória de aprendizagem.

2. Inspiração e criação de ideias.

A liberdade para a criação e alteração de ideias para agregar ou modificar o trabalho deve ser recebida por ambos como uma oportunidade de renovação. O aluno tendo a percepção de que o projeto é seu e entendendo a flexibilidade de inovação a partir da recepção do orientador faz com que o projeto tenha qualidade superior a um projeto desenvolvido por simples “obrigação”.

3. Meios.

Mesmo sabendo de todas dificuldades enfrentadas por pesquisadores e cientistas no Brasil, o professor que se disponibiliza e procura meios para o desenvolvimento do trabalho como também para que este seja disseminado em eventos e meios de comunicação, trás ao aluno um maior incentivo para fazer um ótimo trabalho, além de uma importante admiração pelo seu orientador.

4. Progresso do trabalho.

Durante o desenvolvimento do trabalho, começo, meio e fim, o orientador e o aluno devem estar cientes da importância da participação de ambos. Mostrando que estão apoiando um ao outro para o progresso do trabalho.

5. Cooperação.

Um bom relacionamento entre orientador-aluno se dá por meio da presença do orientador e do aluno durante o desenvolvimento do trabalho. Quanto mais disponibilidade o orientador mostrar ao aluno, o mesmo retribui de forma a qualificar ainda mais o seu emprenho na pesquisa. Esse é um ponto muito delicado a ser discutido, já que o orientador tem mais alunos, geralmente, sendo orientados por ele.

6. Incentivo.

Orientador que estimula positivamente o aluno é um orientador diferenciado, isso com certeza. Até hoje ocorrem erros que podem chegar a desestimular completamente o aluno, por exemplo, em uma simples correções de texto, quando o orientador desmerece o aluno escrevendo comentários sarcásticos ou desestimulantes o aluno pode chegar a perder o animo para continuar o desenvolvimento e participação no trabalho.

Portanto, o professor precisa estar incentivando o aluno para que ocorra um relacionamento saudável entre ambos e, consequentemente, com isso ocorra o desenvolvimento de um bom trabalho e uma ótima formação.

7. Gerenciamento de discrepâncias.

O aluno precisa se sentir à vontade para discutir com o professor qualquer possível discrepância de critérios que possa surgir no desenvolvimento do trabalho. Discutir, repensar, discutir, repensar e chegar em uma conclusão com ambas considerações sendo entendidas como importantes e, com isso, melhorando o relacionamento entre ambos envolvidos.

10 ingredientes para uma boa relação orientador-aluno

8. Transferência de conhecimento.

A transferência de conhecimentos pode ser óbvia como um critério de bom relacionamento, porém, muitas vezes este critério pode não ocorrer durante o trabalho. O orientador deve transferir seus conhecimentos de maneira correta ao seu aluno, como também, e este aluno deve estar ciente de que pode transferir os dele para o professor (mesmo que ele, provavelmente, já saiba).

9. Projeção profissional.

O aluno coloca vários anos de sua formação nas mãos do orientador e o mesmo deve estar ciente disso. Quanto mais projeção profissional o orientador puder proporcionar ao aluno, melhor será, possivelmente o futuro deste aluno, e, consequentemente, melhor será o futuro de ambos.

10. Relacionamento para sempre.

Por fim, o autor defende que: “O professor, a partir do momento em que aceita o aluno, deve ser seu mentor para sempre”. Eu concordo plenamente, já que eu mesma, vivenciando também a carreira acadêmica, tenho meus orientadores participando da minha vida até hoje. É como se fosse um parente, eu simplesmente me sinto à vontade e com vontade de ligar e contar as novidades profissionais. Isso sim é o resultado de um bom relacionamento orientador-aluno, não é mesmo?

Bárbara Guimarães
Engenheira de Materiais pela Universidade Tecnológica Federal do Paraná, Campus Londrina. Atualmente é mestranda do programa de pós graduação em Ciência e Engenharia de Materiais na Universidade Federal de São Carlos - SP, atuando na linha de pesquisa de materiais compósitos de alto desempenho. Também é analista de risco júnior na empresa Luz Engenharia Financeira, atuando no mercado financeiro. Durante a graduação desenvolveu pesquisas na área de metais, compósitos, nanomateriais aplicados, analítica e de tecnologia da educação. Foi diretora de Protocolo do Club Rotaract Londrina Sul, presidente do Centro Acadêmico do Curso de Engenharia de Materiais e, co-fundadora do projeto Eu-Reciclo na pré incubadora de empresas da UTFPR. Trabalhou em uma empresa de consultoria prestando serviço em empresas do estado de São Paulo. Proprietária do @engenhariademateriaisoficial e do canal Engenharia de Materiais no YouTube. Mineira, adora ler, correr e ter bons amigos. Toma mais café do que água. Defende a ideia de que viver o próprio sonho é sempre melhor do que viver o sonho de alguém. É palestrante disseminando seu conhecimento pelo Brasil.

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