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Sei que você deve se perguntar como a aquicultura pode reduzir a desigualde. Era o que estava debatendo recentemente com um gerente de produção de uma fazenda de camarão marinho. Nessa conversa, surgiu várias perguntas e a principal dela foi: qual a capacidade da aquicultura de reduzir a desigualdade? O debate inspirou a pesquisar e entender mais sobre esse assunto e possibilitou diversos pontos de vista e conclusões.

Portanto, neste artigo, vou compartilhar com você um pouco sobre o que concluimos. Porém, para você entender melhor a capacidade da aquicultura de reduzir a desigualdade é necessário conhecer um pouco sobre os ODS, confira!

Então, o que são os ODS?

Primeiramente, para você que nunca ouviu falar em ODS, é importante entender o que são os ODS.

Em 2015, a ONU decretou 17 metas conhecidas como Objetivos de Desenvolvimento Sustentável ou ODS. Essas metas são projetados para guiar as pessoas para apoiar qualquer geração futura, seja pessoas ou animais, a viver e atender às suas respectivas necessidades.


Os ODS são um apelo urgente para todos os países – desenvolvidos e em desenvolvimento – em uma parceria global.

Mas qual a relação dos ODS com a aquicultura?

Em um artigo anterior, falo sobre o desenvolvimento sustentável na aquicultura de forma geral. Em outro artigo, falo sobre a aquicultura na proteção dos oceanos. Porém, hoje, o foco são os ODS 5 e 10, pois eles são objetivos que caminham lado a lado com a aquicultura em relação com a igualdade de gênero e redução da desigualdade.

O ODS 5 objetiva a igualdade de gênero, confira:


E o ODS 10 objetiva a redução da desigualdade, confira:


Embora essas metas tenham dois resultados diferentes, o processo de atingi-las é semelhante – incluindo grupos mais diversos de pessoas na economia, bem como capacitando as empresas para lhes dar mais oportunidades.

Por esses os ODS são tão importante?

De acordo com a ONU, a igualdade de gênero não é apenas um direito humano fundamental, mas uma base necessária para um mundo pacífico, próspero e sustentável.


Houve progresso nas últimas décadas: mais meninas estão indo à escola, menos meninas são forçadas a casar precocemente, mais mulheres estão servindo no parlamento e em cargos de liderança e as leis estão sendo reformadas para promover a igualdade de gênero.

Apesar desses ganhos, a ONU relata que são muitos desafios que ainda permanecem: as leis discriminatórias e as normas sociais permanecem difundidas, as mulheres continuam a ser sub-representadas em todos os níveis de liderança e 1 em cada 5 mulheres e meninas com idades entre 15 e 49 anos relatam ter sofrido violência física ou sexual por parte de um parceiro íntimo.

Portanto, a desigualdade dentro e entre os países é um motivo persistente de preocupação. Apesar de alguns sinais positivos em direção à redução da desigualdade em algumas dimensões, como a redução da desigualdade de renda relativa em alguns países e a situação comercial preferencial que beneficia os países de baixa renda, a desigualdade ainda persiste.

Reduzir as desigualdades e garantir que ninguém seja deixado para trás são essenciais para alcançar os ODS. Qualquer tipo de desigualdade pode ameaçar as oportunidades econômicas, aumentar a pobreza e até mesmo levar à degradação ambiental, confira:


Mas afinal, como a aquicultura pode ajudar?

De acordo com a FAO as mulheres da aquicultura geralmente realizam a maior parte do trabalho de alimentação e, principalmente, processamento de peixes e crustáceos. Elas também atuam na administração ou gerência das fazendas e comércio do pescado.
No entanto, só porque muitas mulheres trabalham com aquicultura, não significa que essa indústria atingiu os objetivos do ODS 5. A maioria das mulheres desse setor trabalha no processamento, onde a mobilidade econômica ascendente é limitada. Há mais desafios a serem vencidos para garantir que as meninas e mulheres sejam representadas em todas as posições do setor.

Mulheres na indústria de beneficiamento de pescado. Fonte: @carapitangacamarao.

A razão pela qual tantas mulheres trabalham no processamento de pescado é porque esse trabalho proporciona uma renda estável e essas posições estão disponíveis em muitas áreas do mundo.

Além disso, as mulheres tendem a ter controle limitado sobre produção e insumos para a aquicultura, de modo que raramente participam da produção além de satisfazer as necessidades domésticas. Quando a produção da aquicultura se intensifica, aumenta a carga de trabalho das mulheres, afetando sua produção, produtividade e bem-estar.

Com respeito à redução da desigualdade globalmente no ODS 10, isso tem muito a ver com inspirar o crescimento econômico e aliviar a pobreza global.

A aquicultura se alinha e se cruza com a redução da desigualdade. Quando as pessoas não têm emprego ou renda, pode ser difícil encontrar alimentos nutritivos. A aquicultura não apenas cria alimentos nutritivos localmente, mas também emprega pessoas pobres no processo.

capacidade da aquicultura de reduzir a desigualdade

Camarão nutritivo e responsável da Camarão Carapitanga. Fonte: @carapitangacamarao.

Portanto, a indústria, principalmente em comunidades rurais, pode contribuir para esses objetivos ao gerar empregos e alimentos saudáveis e responsáveis como podemos ver no vídeo a seguir, que fala sobre o quanto a aquicultura vem mudando vidas em Bangladesh.


Conclusão

A desigualdade é um problema real e palpável em todos os cantos do mundo. A aquicultura pode ser uma parte da solução levantando vozes. O pescado cultivado pode contribuir para reduzir a desigualdade mundial por meio do fornecimento de oportunidades econômicas para mulheres e pessoas desfavorecidas, bem como acesso a alimentos frescos, seguros e nutritivos.

Em conclusão, a missão dos engenheirxs de pesca ou de aquicultura é educar, defender e demonstrar práticas responsáveis ​​de aquicultura. É preciso inspirar e capacitar as pessoas a comer pescado, cultivado ou não, de forma responsável. Assim, mostrando a capacidade da aquicultura de reduzir a desigualdade para alinhar com os ODS 5 e 10.

Não se esqueça que as meninas e mulheres podem ser ou trabalhar onde elas quiserem, seja no campo, na ciência ou em qualquer lugar! Veja o vídeo a seguir e sinta apenas um pouco da força das mulheres na aquicultura:


Por uma aquicultura com mais representatividade feminina! Pois, como no seneamento, a mulher e a aquicultura é um casal que “dar match” e, assim como no agro, o que seríamos sem as mulheres?

Assim, saudo todas as mulheres que trabalham duro para suas famílias, especialmente aquelas que estão na indústria da aquicultura e uma delas é a Ise Manansala do vídeo emocionante a seguir:


Siga o Instagram @ivanilsonsnts para mais conteúdo e conheça mais sobre a Engenharia de Pesca aqui.

Ivanilson Santos
Engenheiro de Pesca pela UFRPE. Atualmente é mestrando em Aquicultura pela UFSC e integrante do Laboratório de Camarões Marinhos, onde desenvolve pesquisas em Aquicultura, com ênfase no cultivo e nutrição de camarões marinhos em sistema de bioflocos. Também possui experiência nas áreas de Ecologia de Ecossistemas Aquáticos Continentais, Biotecnologia de Microalgas e Pesca. Cristão, pernambucano, ama violão e xadrez e busca fazer a diferença no mundo, não apenas no âmbito pessoal e profissional, mas também semear conhecimento em prol da ciência, da sociedade e da conservação do meio ambiente. Instagram: @ivanilsonsnts

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