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A era dos polímeros biodegradáveis

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Antes de entendermos um pouco sobre polímeros biodegradáveis, vamos entender um pouco sobre polímeros. Impactos de natureza econômica e ambiental ocorrem com o avanço das tecnologias modernas e, consequentemente, acontece a intensificação da produção de novos produtos e da comercialização dos mesmos.

Muitos desses novos produtos são fabricados utilizando polímeros sintéticos. Essa classe de polímeros é popular como materiais de engenharia por apresentarem inércia química e biológica. Porém, quando se trata do descarte desses materiais, essa mesma vantagem é a própria desvantagem deles.

Polímeros sintéticos

Geralmente os polímeros sintéticos são classificados entre termoplásticos, termofixos e as borrachas. Os termoplásticos são os mais recuperados pela reciclagem por serem novamente conformados com aquecimento. Porém, este plástico reciclado apresenta qualidade e aparência inferiores ao material original. Já os termofixos e as borrachas são muito mais difíceis de serem reciclados por causa da presença das ligações cruzadas ou em rede, tendo apenas a possibilidade de serem moídos e incorporados como cargas a materiais de moldagem virgem antes do processamento. Uma exceção em relação as borrachas são os elastômeros termoplásticos, que podem ser reconfiguradas com facilidade.

Além dessa inviabilidade de reciclagem de alguns polímeros, existe também o descarte de forma incorreta desses materiais. Esses polímeros não biodegradáveis estão presentes nos aterros sanitários em toneladas. Entre os principais rejeitos estão as embalagens plásticas, pneus de automóveis, sacolas plásticas, sucatas, canudos, canos de PVC, e etc.

A degradação dos polímeros no ambiente ocorre, segundo algumas pesquisas, entre 100 a 150 anos. Com as chuvas, enchentes e outros fatores ambientes, esses resíduos plásticos podem ser levados para os rios e lagos, os poluindo. Além disso, prejudicam o próprio solo.

Descarte errado de plásticos em aterros sanitários causando acúmulo de plástico no ambiente.

Substituição de polímeros comuns por polímeros biodegradáveis

A cada dia que passa se vem discutindo mais arduamente sobre a poluição causada pelos polímeros e as possíveis soluções. Uma das soluções é a substituição dos polímeros comuns por polímeros biodegradáveis. Os polímeros biodegradáveis são polímeros que podem se decompor em moléculas menores como CO2, CH4 e H2O pela ação de microrganismos em condições aeróbicas e anaeróbias. Outras condições que induzem a biodegradação sinergicamente são os fatores bióticos e abióticos, como influências de solicitações mecânicas, da temperatura e da luz, por exemplo. Esses polímeros biodegradáveis podem ser produzidos por vegetais e animais, ou seja, são constituídos por derivados de matérias primas de fontes renováveis. Porém, podem ser de fonte não renovável também, como o poli(butileno succinato-co-adipato) (PBSA), que é derivado do petróleo.

Utilizando polímeros biodegradáveis, os benefícios são gigantescos para o meio ambiente, pois como podem ser decompostos por microrganismos, o tempo de decomposição é bem menor quando se compara com decomposição de polímeros comuns.

Mas como descartar polímeros biodegradáveis?

Um dos métodos de descartes dos polímeros biodegradáveis é a técnica de compostagem. Com a compostagem o polímero biodegradável pode se transformar em húmus com o processo de biodegradação. O descarte em aterros sanitário continua sendo um descarte incorreto, até mesmo para os polímeros biodegradáveis. Esses ambientes não é o mais propício para os polímeros biodegradáveis sofrerem a biodegradação.

Empresas e os polímeros biodegradáveis

Por meio de pesquisas empresas buscam desenvolver produtos biodegradáveis para que consigam atrair consumidores que são incentivadores da causa. Além disso, incentivam a mudança de hábito do consumo humano. Empresas que decidem optar por este tipo de material contribuem com a diminuição do lixo acumulado e com isso, ajuda o meio ambiente de tornar mais saudável.

Muitas vezes, ideias inovadoras e desafiadoras não são desenvolvidas por falta de incentivos na pesquisa brasileira. Porém, as perspectivas com essa era dos polímeros biodegradáveis são grandes. Centros de pesquisas, universidades e empresas deram as mãos para buscarem soluções efetivas para a substituição dos polímeros comuns pelos biodegradáveis. Algumas pesquisas ocorrem a partir de ideias fundamentalistas ou também por meio de adaptações em processos produtivos para a produção dos produtos a base dos polímeros biodegradáveis.

Muitos dos pesquisadores de polímeros biodegradáveis são profissionais da Engenharia de Materiais

Muitos dos pesquisadores de polímeros biodegradáveis são profissionais da Engenharia de Materiais

A direção é certa! Quem ainda não percebeu vai acabar ficando para trás na evolução dos materiais.

Desenvolvimento de polímeros biodegradáveis é a direção das pesquisas.

Bárbara Guimarães
Engenheira de Materiais pela Universidade Tecnológica Federal do Paraná, Campus Londrina. Durante a graduação desenvolveu pesquisas na área de metais, compósitos, nanomateriais aplicados, analítica e de tecnologia da educação. Foi diretora de Protocolo do Club Rotaract Londrina Sul, presidente do Centro Acadêmico do Curso de Engenharia de Materiais e, co-fundadora do projeto Eu-Reciclo na pré incubadora de empresas da UTFPR. Trabalhou em uma empresa de consultoria prestando serviço em empresas do estado de São Paulo. Atualmente trabalha no mercado financeiro e é mestranda do programa de pós graduação em Ciência e Engenharia de Materiais na Universidade Federal de São Carlos - SP. Sua área de atuação é em materiais compósitos de alto desempenho. Proprietária do Instagram @engenhariademateriaisbg e do canal Materializando BG no YouTube. Mineira, adora ler, correr e ter bons amigos. Toma mais café do que água. Defende a ideia de que viver o próprio sonho é sempre melhor do que viver o sonho de alguém.

Do FÍSICO para o DIGITAL na Engenharia

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