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Apenas 44% dos alunos de engenharia da última década terminaram o curso

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desistencia

Apesar de o número de vagas de engenharia nas instituições de ensino superior terem mais que triplicado entre 2001 e 2011, o Brasil não conseguiu, nestes anos, garantir que pelo menos a metade dos estudantes que ocupam essas vagas efetivamente conclua o curso e receba seu diploma de engenheiro. De acordo com estudo divulgado nesta segunda-feira (22) pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), a média de evasão nesses cursos na década analisada foi de 55,59%.

No mesmo período, mais de 1,2 milhão de estudantes se matricularam em um curso de graduação em engenharia. A expectativa é que o curso seja feito em cinco anos.

Em 2011, último ano incluído no estudo, 44.761 diplomas foram outorgados a engenheiros recém-formados. Cinco anos antes, porém, 105.101 matrículas foram feitas em cursos de engenharia, o que demonstra uma taxa de evasão de 42,59%, de acordo com a CNI. No total entre 2001 e 2011, 328 mil novos engenheiros entraram no mercado.

Públicas X privadas
Segundo os dados divulgados pela entidade, são as instituições particulares as que mais tiveram dificuldade de combater a evasão dos cursos de engenharia na década analisada. A média de evasão para os dez anos nas graduações pagas é de 62,32%, enquanto nas instituições públicas esse índice cai para 43,41%.

Média de evasão nos cursos de engenharia (2001 a 2011)*:
– Rede pública: 43,41%
– Rede privada: 62,32%
Fonte: CNI

Já nas instituições de elite, onde o vestibular é o mais concorrido, como o Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA) e o Instituto Militar de Engenharia (IME), o estudo indica que a taxa de abandono é de apenas 5%.

Em nota, a CNI afirmou que, de acordo com o Instituto Lobo para o Desenvolvimento da Educação, a Ciência e da Tecnologia, a principal causa da evasão é a formação básica ruim dos estudantes em matemática e ciências. No caso das faculdades particulares, outra razão para a desistência é a falta de condições financeiras para custear as matrículas.

:: Leia também: Cai número de estudantes que se formam no tempo ideal em engenharia

Ainda de acordo com a entidade, dos 1.045 cursos de engenharia estudados, 39% receberam conceito 1 ou 2, indicadores considerados insatisfatórios na última edição do Exame Nacional de Desempenho de Estudantes (Enade), e só 6% tiveram a nota máxima, 5.

As pessoas estão cada vez mais indecisas ou então os cursos de Engenharia estão se aprimorando a ponto de ficarem praticamente impossíveis de terminar? Deixe a sua opinião!

Eduardo Cavalcanti
Engenheiro Civil de formação, empresário, e atua em diversos mercados. É aficcionado por tecnologia e está sempre em algum lugar diferente do mundo (sim, viajar está entre seus maiores hobbies). Já teve uma época em que não conseguia dormir sem assistir a um episódio do Netflix. Hoje, com o empreendedorismo pulsando em suas veias, usa praticamente todo o seu tempo livre consumindo conteúdos relacionados à cases de sucesso e ao mercado financeiro.

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9 Comentários

  1. Espero que isso não facilite a formação de novos engenheiros, que, se é pra formar pouco, que seja sempre os melhores.

    1. Verdade!

      1. Concordo.

  2. O problema é que a tecnologia evoluiu muito e as metodologias de ensino não se adaptam a esse crescimento. Não acho que se trata de facilitar os cursos formando profissionais ruins ou manter o atual modelo dificultando a formação. É preciso rever radicalmente a forma como os cursos são dados.

  3. As causas já foram apontadas no texto, na minha opinião deveria ter uma preparação de no minimo 1 ano, antes do aluno ingressar no curso. Por muitas vezes já pensei em trancar e estudar cálculos por fora e depois voltar e continuar, só não fiz isso porque não tenho dinheiro pra pagar professor particular como é o caso de muitos colegas meus. Mas é isso, o principal mesmo é o preparo do aluno, não que seja culpa do estudante, com um ensino tão defasado como é o ensino médio, dificilmente formam-se engenheiros no Brasil!

    1. Tá mas oferecer 1 ano de preparação opcional afinal tem gente que não precisa, já um saco ficar 2 anos brincando com cálculos e tal, imagina ficar 1 ano com o básico do básico..

  4. Como estudante do segundo período de engenharia civil em universidade particular o que noto é muitas pessoas estão estão buscando a engenharia não por vocação com a profissão ou ou com a área de exatas, mas pelas condições do mercado. São pessoas que muitas vezes não possuem afinidade mínima com
    Matemática, física etc. E que aproveitam do Acesso facilitado aos cursos mantidos pelas instituições privadas para fazer engenharia. Só que essas pessoas normalmente não tem o comercimento e a disciplina para contornarem suas dificuldades com essas matérias e após duas ou três reprovações abandonam o curso.

  5. O maior problema q vejo é o número de matérias por semestre em comparação com outros países e a estrutura q n permite vc passar tanto tempo no campus. Aí acaba q se vc fizer as 6 ou mais matérias aprende mais ou menos a maioria e domina algumas; n é todo mundo q mora ao lado da faculdade e não tem nada a fazer além de estudar. Isso sem falar nas greves todo ano e alguns professores q dão prova em um nível muito acima comparado ao dado em sala.

  6. É complicado analizar isso pois é difícil a garotada gostar de cálculo e física. Um curso de engenharia tem +- 7 tipos de cálculo que é a base da profissão, sem contar com as físicas e as mecânicas, que diga-se de passagem, é muito mais carregado.
    Por outro lado, o curso que mais tem concurso na área é o Direito. Na minha opinião, essa garotada prefere terminar um curso e estudar para um concurso à terminar o curso e aventurar num mercado de trabalho.

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