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Aprovado o Marco Legal do Saneamento Básico! E onde o engenheiro entra nessa história?

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Depois de décadas de abandono do saneamento básico no Brasil finalmente é aprovado o Marco Legal do Saneamento Básico. Mas será que a engenharia pode se beneficiar com isso? Obras de saneamento demandam inúmeras ações e tem grande complexidade na sua execução, então que tal começarmos do início? Em primeiro lugar são necessários planos e projetos multidisciplinares envolvendo desde engenheiros de saneamento, obviamente diretamente ligados ao tema principal, mas também muitas outras áreas da engenharia.

Fonte:https://www.editoraforum.com.br/noticias/5-mudancas-do-novo-marco-do-saneamento-basico-que-voce-precisa-saber/

Algumas regiões a serem atendidas pelo saneamento podem estar localizadas em um nível mais baixo da rede de coleta, sendo necessária a construção de estações elevatórias de esgoto, tomemos esta condição como um primeiro exemplo da amplitude desse novo marco. Estas estações elevatórias de esgoto necessitam de projetos hidromecânicos, os quais já vão demandar serviços para engenheiros mecânicos, hidrossanitários e consequentemente engenheiros eletricistas.

As estações são compostas, entre outros elementos, por poços enterrados, os quais vão retirar o esgoto do nível mais baixo e elevá-lo por meio de bombeamento. Para a execução dos projetos desses poços são necessários engenheiros geotécnicos e estruturais. Além de projetos de arquitetura para a implantação de todo o sistema e demais demandas que possam surgir conforme cada região. Para que tudo isso funcione adequadamente, uma equipe de gerenciamento de projetos precisa controlar todas as entregas.

Vejam que em um único exemplo, analisado de forma bastante simplificada, já foram envolvidas 5 categorias diferentes da engenharia e ainda a arquitetura e o gestor de projetos. Tem-se ainda projeto de terraplanagem, levantamento planialtimétrico e topográfico, sondagem de solo etc.

Isso tudo sem falar em execução de obras de Saneamento Básico!

Entrando na etapa de obra de saneamento básico muitos outros serviços de engenharia ainda serão requisitados. Na fase inicial se faz necessário um orçamento de obra bem elaborado por um engenheiro orçamentista. O orçamento é o coração da obra, um orçamento que não prevê a realidade da obra pode levar ao fracasso total da mesma. Mas, para que tudo corra bem, mais uma vez necessita-se da gestão, aqui entra a equipe de gerenciamento de obra.

Fonte: https://jornaldebrasilia.com.br/cidades/gdf-quer-ampliar-acesso-da-populacao-ao-saneamento-basico/

Durante a execução da obra de saneamento básico, um ou mais engenheiros, dependendo do tamanho do empreendimento, são contratados como responsáveis técnicos pela obra. Estes ainda irão contratar empresas de engenharia especializadas em áreas específicas, como por exemplo para execução de fundações e contenções.

Em uma esfera mais ampla, entram os laboratórios de ensaios de materiais e testes em campo, os quais também demandam de um time de engenheiros para funcionarem.

Numa visão geral e sucinta, pode-se notar o grande impacto positivo da aprovação do Marco Legal do Saneamento Básico para a engenharia como um todo, além da melhoria da qualidade de vida das pessoas que por ele serão beneficiadas. É claro que este impacto é muito mais amplo do que se possa abordar em um único artigo, o que só traz prosperidade para todos.

 

Cristiana Furlan
Cristiana Furlan Caporrino é Engenheira Civil pelo Instituto Mauá de Tecnologia, Mestre em Engenharia de Estruturas pela Universidade de São Paulo (USP) e atualmente doutoranda na mesma área e instituição. Sócia-diretora da Furlan Engenharia e Arquitetura, empresa especializada em projetos e obras. Professora de pós-graduação no Instituto Mauá de Tecnologia, nas disciplinas Gerência de Projetos de Engenharia e Logística de Canteiros de Obras, e, na Fundação Armando Álvares Penteado (FAAP), das disciplinas de graduação Concreto Armado II, Concreto Protendido e Alvenaria Estrutural e da disciplina de pós-graduação Patologias em Alvenarias e Revestimentos Argamassados. Na pós-graduação da Funorte, ministra as disciplinas Estruturas Metálicas I e II e Análise de Estruturas de Concreto por meio de Software. Autora do Livro Patologia em Alvenarias, 2ª Edição, Editora Oficina de Textos. Administra um blog acadêmico no qual divulga novas tecnologias, além de discutir temas teóricos de várias áreas da engenharia. É perita judicial, ministra palestras e cursos e possui vasta experiência em projetos estruturais, tendo participado de projetos de barragens, indústrias, refinarias de petróleo, hospitais e empreendimentos corporativos, além de projetos em mineração, aviação civil, comércio e infraestrutura.

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