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Antes de falar sobre as atribuições profissionais do Engenheiro de Pesca vamos conhecer um pouco sobre como tudo se iniciou. Bora conferir?!

Os primeiros passos da Engenharia de Pesca

E já se faz meio século de iniciativa, criação, inquietude e desenvolvimento da Engenharia de Pesca no mundo.

Tudo se iniciou com um sonho de um reitor, o professor Adierson de Azevedo, que em 13 de julho de 1970, por meio da Resolução n° 12-A do Conselho de Ensino e Pesquisa, idealizou o curso de Engenharia de Pesca na Universidade Federal Rural de Pernambuco, tendo o início das aulas ocorrido no primeiro semestre de 1971.

atribuições profissionais do Engenheiro de Pesca

Professor Adierson de Azevedo usando samarra branca e ao lado Professor Pedro Correia. Fonte: https://repository.ufrpe.br/bitstream/123456789/71/1/CRPA_0006.jpg

Posteriormente, em julho de 1972, esse ato foi seguido pela Universidade Federal do Ceará. O curso permaneceu restrito ao Nordeste por 16 anos e somente em 1988 a Universidade do Amazonas criou o terceiro curso de Pesca no país.

Atualmente, são 26 cursos de graduação distribuídos em todo território nacional, tendo alcançado todas as regiões.

A evolução da Engenharia de Pesca

A Engenharia de Pesca, assim como qualquer outra engenharia, é uma área que apresenta diversos problemas e necessita de pessoas qualificadas com cabeças pensantes e inovadoras. Sendo assim, ao longo dos 50 anos, o curso foi sendo implementado e aperfeiçoado para proporcionar uma formação de qualidade.

Como ser oficialmente um Engenheiro de Pesca? Só o diploma já basta?

Assim como os médicos, advogados, enfermeiros o engenheiro de pesca também precisa de uma carteira após a conclusão do curso para representar suas atribuições profissionais. A universidade emite o diploma de Bacharel em Engenharia. Somente após o registro no Conselho Regional de Engenharia é que se torna Engenheiro e estará no legítimo exercício da profissão.

A Engenharia de Pesca participa do Sistema CONFEA desde 1983, quando a profissão foi reconhecida através da Resolução nº 279 de 15 de junho de 1983.

atribuições profissionais do Engenheiro de Pesca

Mas afinal, quais são as atribuições profissionais do Engenheiro de Pesca

A Pesca é a única atividade que além de trabalhar com a extração também trabalha com o cultivo de organismos aquáticos para a produção de proteína, como camarão, lagosta, polvo, peixe, rã, algas, microalgas(1,2), entre outros.

Ranicultura em Bananeiras-PB

Ranicultura em Bananeiras-PB

Além disso, esse tipo de profissional também pode desenvolver o ensino, pesquisa, extensão, supervisão, planejamento, coordenação e execução de atividades integradas para o aproveitamento dos recursos naturais aquícolas, o cultivo(1,2,3,4) e a exploração sustentável de recursos pesqueiros marítimos, fluviais e lacustres e sua industrialização.

atribuições profissionais do Engenheiro de Pesca

Pesquisa com tecnologia de bioflocos em baixa salinidade em Serra Talhada-PE.

Sendo assim, essa atividade aquícola apresenta grande potencial nacionalmente e mundialmente na produção de proteína diante do crescimento exponencial da população.

Contudo, a Pesca não é apenas um setor que produz alimentos, o verdadeiro significado vai muito além disso, pois essa atividade produz de maneira sustentável, levando em consideração os Objetivos do Desenvolvimento Sustentável (ODS) e ainda mais, fazer isso com prazer.

O que define as atribuições profissionais de um Engenheiro de Pesca?

Afinal, qual a diferença dos engenheiros de pesca formados em Serra Talhada, Recife, Paulo Afonso, Manaus ou em qualquer outro lugar do país?

Na verdade, as atribuições para esse tipo de profissional não são atribuídas pela universidade, mas sim pelo conselho profissional através da análise curricular. Quem analisa a grade curricular dos Cursos são as Câmaras Especializadas, e essa análise obedece ao disposto nos artigos 10 e 11 da Lei 5194/66, bem como, segue os trâmites da Resolução 1073 do CONFEA.

Portanto, todas as disciplinas do curso, seja ela básica ou do ciclo profissional tem a finalidade de dar atribuição. Por exemplo, quando você conclui uma disciplina de carcinicultura significa dizer que você estudou e agora é apto para trabalhar com essa área.

O professor que lecionou essa disciplina diz para a sociedade que você passou um período dentro da instituição estudando uma atividade profissional que contou com conhecimento de formação básica e que adquiriu conhecimento suficiente para exercer a atividade de carcinicultura, ou seja, do cultivo de camarões em ambientes aquáticos, seja marinho ou água doce.

Carcinicultura

Despesca de camarão marinho em João Pessoa-PB.

Portanto, as atribuições profissionais estão ligadas diretamente ao histórico escolar do profissional – matriz curricular. Por isso que as universidades sempre atualizam sua matriz curricular. E quando a universidade atualiza uma matriz novas atividades a serem executadas serão atribuídas.

A constante necessidade de atualização do Engenheiro de Pesca

Um profissional que se formou 15 anos atrás não tinha tecnologia de bioflocos em sua grade curricular. Em consequência disso, não é possível atuar e desenvolver projetos nessa área. Portanto, os engenheiros de pesca que não pagaram essas disciplinas precisam se atualizar.

É para isso que existe as associações, o PET, congressos, feiras, entre outros, para atualizar os estudantes e profissionais.

Palestra de Kubitza na FENACAM

Palestra de Kubitza na FENACAM. Fonte: https://www.fenacam.com.br/assets/img/galeria/XVI%20Fenacam%20-%202019//fenacam_%20xvi%20(1).jpg

Além disso, o profissional pode se especializar ou pagar alguma cadeira no mestrado ou doutorado que envolva bioflocos. Após isso, é preciso passar esse certificado com a carga horária para o conselho para a inclusão/registro de uma nova atribuição no conselho.

Uma vez adquirida uma atribuição, ela não é retirada. Porém, sempre que você se especializar em alguma área, com carga horária suficiente, é preciso informar ao conselho para atualizar suas atribuições.

Um profissional de outra área pode exercer atribuições do Engenheiro de Pesca?

Um engenheiro civil que tenha mestrado em engenharia de pesca pode trabalhar com aquicultura se a Câmara analisar que ele tem o perfil e conhecimento para atuar e vice-versa.

Claro que a origem do profissional é um pouco perdida, mas é uma outra forma de acrescentar atribuições profissionais através de mestrado, doutorado ou especialização.

Mas afinal, qual a diferença entre especialização, mestrado e doutorado?

O mestrado juntamente com o doutorado tem um punho muito mais forte que uma especialização. A especialização é muito mais aplicada ao campo de trabalho, mais prática, com período de tempo mais curto e voltada para um foco específico. Já o mestrado e doutorado são mais longos e tem um enfoque mais acadêmico, pra ser pesquisador e professor universitário.

Entraves enfrentados pela Engenharia de Pesca

Quem cursa Engenharia de Pesca com certeza já passou por o momento clássico “Engenharia de Pesca é para pescar?” ou aquela pergunta sobre o que faz um engenheiro de pesca. Porém, alguém pergunta o que um engenheiro civil faz? Não! Alguém pergunta o que faz um médico, um advogado ou um farmacêutico? Com certeza não!

Por que tantas pessoas se perguntam sobre o que faz um engenheiro pesca, mesmo sendo um curso com meio século de existência? A resposta é simples, o não conhecimento ou desconhecimento da sociedade e das empresas sobre a nossa atuação profissional ou até mesmo a desvalorização. Portanto, hoje, esses são os principais entraves que os engenheiros de pesca enfrentam.

Além disso, muitos alunos ingressam no curso sem saber o que é Engenharia de Pesca e eu fui um deles, assim como vários que conheço.

PET Pesca e Diretório Acadêmico de Pesca introduzindo o Curso de Engenharia de Pesca aos calouros da UFRPE/UAST.

O presidente da Federação Nacional dos Engenheiros de Pesca do Brasil (FAEP-BR), José Carlos Pacheco, sempre comenta que também foi um deles. Antes de ingressar em Pesca ele desejava cursar Oceanografia, mas enfatiza que a partir do momento que se permitiu conhecer as atribuições profissionais a vida dele mudou, apaixonando-se profundamente pelo Curso.

Hoje tudo que ele conquistou deve a sua graduação em Engenharia de Pesca, sendo seu título mais importante e especial. Ser engenheiro de pesca, para ele, é motivo de gratidão e alegria.

Ademais, Pacheco sempre foi um dos maiores defensores desse Curso que cativa o brilho no olhar de qualquer pessoa, ele trabalha forte a autoestima de qualquer um, inclusive os seus alunos e orientandos.

Recomendações de Pacheco para tornar a Engenharia de Pesca mais conhecida

O recurso aquático é imenso e estudamos bastante para isso. Portanto, podemos e devemos estar presentes em várias áreas de atuação, das mais distintas, não só na tríade de captura, cultivo e beneficiamento, e sim tudo aquilo que envolva recursos aquáticos.

É preciso se inserir nas empresas através de estágios. Aproveite as mídias sociais para falar que é aluno ou engenheiro de pesca e mostre que você pode trabalhar com produção sustentável de camarão, lagosta, captura, cultivo, beneficiamento, preservação ambiental, tecnologia, inovação, entre outras áreas. Coloque uma camisa e divulgue em sua rede social, na rua, no ônibus, em casa, ou qual quer que seja o lugar que você vá.

Divulgar/levar nossa profissão para a sociedade e fazer estágios em lugares que podemos atuar é muito importante. Isso possibilitará que a sociedade e as empresas conheçam e entendam as atribuições do profissional de Engenharia de Pesca.

Você, aluno que deseja cursar ou cursa Engenharia Pesca, permita-se conhecer e entregue-se totalmente ao curso, vista a camisa, pois essa área vai te abraçar com muito amor e carinho.


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Ivanilson Santos
Engenheiro de Pesca pela UFRPE, mestrando em Aquicultura pela UFSC e Pesquisador da Camar - Camarão Maricultura LTDA. Durante a graduação foi bolsista do Programa Institucional de Bolsas de Iniciação Científica e bolsista do Programa de Educação Tutorial, estagiário do Laboratório de Ecologia de Ambientes Aquáticos, do Laboratório de Biotecnologia de Microalgas - LABIM e do Laboratório de Experimentação com Organismos Aquáticos - LEOA e integrante do Grupo de Estudo de Aquicultura no Semiárido - GEAS. É cristão e seu maior sonho é fazer as pessoas sorrirem e realizarem seus sonhos com a ajuda do verdadeiro amor: Jesus. Nas horas vagas, ama ouvir e tocar uma boa música e jogar xadrez! Instagram: @ivanilsonsnts

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