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Soltar Balões de São João ainda é um hábito muito comum na cultura Brasileira. Porém, isso está prestes a causar um tipo de acidente aéreo que será uma das maiores tragédias da aviação no mundo, mas ainda podemos evitar.

Já vimos aqui que o objetivo de análises de acidentes é descobrir não somente aqueles fatores óbvios, imediatos, que levaram ao evento indesejado, mas também as causas realmente determinantes, chamados fatores latentes.

Dentre esses fatores, há os elementos culturais de uma organização, que podemos afirmar ser um conjunto de valores, hábitos e crenças compartilhado por seus integrantes. Nesse sentido, podemos chamar a sociedade como uma organização.

Dentre os hábitos dessa festa popular, ainda encontramos um que não se combina com tamanha beleza de nosso folclore: o de soltar balões.

Já sabemos que balões podem causar incêndios, principalmente quando caem com suas tochas ainda acesas em regiões de vegetação. Também, todas as atividades relacionadas a essa “tradição” já são caracterizadas como crime desde 1998, conforme a lei  9.605/98

Art. 42. Fabricar, vender, transportar ou soltar balões que possam provocar incêndios nas florestas e demais formas de vegetação, em áreas urbanas ou qualquer tipo de assentamento humano:

Pena – detenção de um a três anos ou multa, ou ambas as penas cumulativamente.

Apesar de ser crime e, por consequência, ser proibido, ainda vemos os grupos “baloeiros”. Basta uma consulta na internet por qualquer um dos termos relacionados.

E o que isso tem a ver com Análise de Acidentes?

Conforme livro do autor Michel Llory, quando houve o acidente na Usina Nuclear de Fukushima, a análise do acidente realizada por uma comissão independente aprofundou o estudo a níveis jamais atingidos. Isso prefigurou, ou seja, “representou o que está por vir”, uma análise de grandes acidentes sistêmicos que estão em gestação diante de nossos olhos “cegos”.

E por final, concluiu brilhantemente (pg xxii):

Desse ponto de vista, cada país tem seus vieses culturais e históricos que influenciam na segurança de suas indústrias.

Nós, Brasileiros, temos uma tragédia em gestação:

O maior acidente da história da aviação Civil.

Nesse dia que está por vir, os Santos a quem prestamos homenagens nas festas juninas vão chorar. Ano após ano, mesmo sendo crime, vemos notícias como essa abaixo:

Abaixo veja o vídeo:

https://www.aeroin.net/ate-quando-video-mostra-balao-atingindo-aviao-aeroporto-guarulhos/

Abaixo veja o vídeo:

https://istoe.com.br/homens-invadem-area-restrita-do-aeroporto-do-rio-atras-de-balao/


Balões e balões circulando perto de aeroportos e rotas aéreas. Alguns até caindo em aeroportos e sendo disputados por grupos armados.

Interessante que meios especializados em aviação, uma das atividades mais seguras e onde as análises de acidentes geram frutos e benefícios por meio de condições mais seguras à sociedade, já estão alertando a tragédia.

Repito o que Lito Souza, do perfil @avioesemusicas, escreveu:

A cada evento deste, se forma uma base para que uma fatalidade ocorra.

Mas por que o acidente está prestes a acontecer?

Vale a pena contar uma história. Quando ingressei no Colegial Técnico, um dos professores disse bem assim:

Temos duas salas com 50 alunos. Daqui sairão no máximo uma meia dúzia de três ou quatro técnicos de verdade. E isso não sou eu quem estou dizendo. Isso é culpa das estatísticas.

Isso é culpa das estatísticas.

Falando em estatísticas, há um consenso entre os estudiosos e profissionais da área de segurança do trabalho que existe um fenômeno chamado “Pirâmide Acidentária”. Isso significa que existe uma proporção entre a ocorrência de incidentes (ou quase acidentes) e a ocorrência de fato de acidentes com sérias consequências.

Um dos exemplos é o estudo que Herbert William Heinrich realizou há quase 100 anos sobre eventos acidentários, onde ele concluiu pela famosa expressão “1-29-300” em forma de pirâmide.

É claro que, com os estudos mais específicos, cada segmento descobre seus números característicos. Mas o que é sagrado é que há uma proporção entre o número de quase acidentes o de acidentes sérios.

Enquanto os balões estiverem apenas causando menores consequências como as mostradas nas reportagens, estamos contando com a sorte.

Entretanto, permanecemos à mercê de criminosos e perigosamente perto de um gravíssimo acidente aéreo, conforme descrevemos nesse artigo.

Mauricio Franchi
Maurício Franchi é Engenheiro de Produção, Engenheiro de Segurança do Trabalho e Auditor-Fiscal do Trabalho há 10 anos. Antes da Auditoria-Fiscal, trabalhou no setor industrial por 11 anos. Possui experiência tanto de trabalho quanto de Auditoria-Fiscal nos setores Industrial e Elétrico. É instrutor da ENIT (Escola Nacional de Inspeção do Trabalho) e integrante de grupos de revisão normativa. Seu objetivo é levar conhecimento à sociedade por meio da experiência de campo. Instagram @academiadanr

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    1. […] vimos nesse artigo que infelizmente estamos à mercê de criminosos. Quaisquer atividades relacionadas a balões que […]

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