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Como o Brasil distribui os R$4,5 bilhões destinados para pesquisas científicas?


OK — temos o dinheiro, as pessoas e um monte de espaço para testar as mais variadas inovações. Pesquisamos robôs jogadores de futebol, ratos transgênicos e até mesmo algumas comidas doidas e embalagens biodegradáveis. Mas como esse dinheiro é distribuído em um país com mais de 8,5 milhões de quilômetros quadrados? De forma bem, mas bem concentrada.
Com os R$4,5 bilhões investidos em Pesquisa e Desenvolvimento no Brasil em 2010, o país poderia ter feito muito mais. Como podemos ver neste gráfico abaixo, o Estado de São Paulo recebe praticamente todo o investimento em pesquisa no Brasil. 86%, segundo os Indicadores Nacionais de Ciência e Tecnologia, do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), para ser mais preciso. Os dados foram divulgados na Revista Pesquisa Fapesp. Somente em São Paulo, R$3,9 bilhões foram investidos em pesquisa por empresas e pelo governo. Um número alto, excelente para os professores e alunos das universidades paulistas, mas ruim para quem não está na região sudeste.


Esta distribuição desigual de capital para Pesquisa e Desenvolvimento leva muitos alunos a saírem de suas cidades para morarem próximos às universidades, geralmente localizadas em polos industriais e metrópoles. Este “intercâmbio estudantil” é interessante, mas também serve como indicativo de que algo está errado.

Mas por que todo este dinheiro é investido em um lugar só? “São Paulo é um estado que investe muito em ciência e tecnologia quando comparado com o restante do país”, explica Marco Antonio Zago, pró-reitor de Pesquisa da Universidade de São Paulo (USP). “Isso é resultado de uma política de estado que teve início há muito tempo, e não da estratégia de um governador”, afirma. Imaginem só, quase 10% do ICMS arrecadado em São Paulo é destinado para as três universidades estaduais. Este dinheiro é dividido proporcionalmente, de acordo com o tamanho, entre a Universidade Estadual Paulista (Unesp), Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e Universidade de São Paulo (USP).

E agora você começa a se perguntar — qual o problema das outras universidades brasileiras? Por que ninguém investe nelas? A resposta vem de forma inversa: segundo a pró-reitora de Pesquisa da Unesp, Maria José Giannini, a vantagem do alto investimento localizado no sudeste seria a garantia de continuidade dos projetos: “Evidentemente há muitos pesquisadores altamente competentes em universidades federais, mas é comum que o trabalho deles seja impactado pelo contingenciamento de verbas para a pesquisa. Nas universidades estaduais paulistas nós temos amplas condições de estimular os pesquisadores a apresentarem projetos e buscarem recursos, pois a FAPESP sempre prestigia quem tem mérito”.


Mas nem tudo está (tão) ruim assim. Muitos estados têm ampliado seus investimentos em ciência e tecnologia. Um exemplo disto é o Rio de Janeiro, que ampliou para 2% a fatia da arrecadação de impostos destinados para o orçamento da Fundação Estadual de Amparo à Pesquisa, a Faperj. Boa parte deste dinheiro é investida em projetos das universidades federais. Menos mal, não?

Saindo um pouco do eixo Rio-São Paulo, dá para destacar o crescimento no investimento que muitas universidades têm recebido. Minas Gerais investiu 10,2 milhões nos setores de pesquisa e desenvolvimento da Universidade Estadual de Minas Gerais (UEMG) e da Universidade Estadual de Montes Claros (Unimontes). Parece pouco, mas foi 3 vezes mais do que as mesmas universidades haviam recebido em 2007.

Este aumento não é exclusividade da Região Sudeste: a iniciativa privada e o governo têm investido bastante em pesquisa. Desde 2007, o cenário da pesquisa no Brasil tem melhorado, com mais investimentos. R$4,5 bilhões entram todos os anos para apoiar a pesquisa. Será que, se o governo conseguisse distribuir melhor a verba para pesquisa, teríamos mais inovações? Mais comidas malucas, ratos transgênicos e robôs jogadores de futebol? [Revista Pesquisa Fapesp; foto via Redcom/Flickr]

Via Gizmodo


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