CarreiraColunistasDestaqueDestaque + Editor's PickDestaque + PopularesEngenharia

Como saber quando é a hora de mudar de emprego?

0
man sitting on concrete brick with opened laptop on his lap

Primeiramente, é muito estranho pensar em mudança de emprego no cenário em que vivemos atualmente. Eventualmente, do último ano para cá, você com certeza deve ter ouvido as seguintes frases, “você é muito sortudo por estar bem estabelecido dentro da empresa em que trabalha”, ou “faça de tudo para segurar seu emprego, ninguém sabe o dia de amanhã!”, e por aí vai. 

Consequentemente, se torna algo muito mais desafiador pensar nisso em meio a uma crise mundial econômica, financeira e política. No entanto, é muito difícil sair daquela zona de conforto, e preciso te dizer que não existe uma receita para mudar de emprego. Mas decidi vir aqui e contar um pouco da minha experiência de como foi tomar essa decisão! 

Motivos que levam as pessoas a pensar na mudança de emprego

Então, geralmente existem motivos digamos que convencionais e ruins, que levam as pessoas a quererem buscar outro ambiente de trabalho. Como por exemplo, o financeiro não equivale a alta demanda de trabalho, falta de motivação, inexistência de plano de carreira, falta de reconhecimento, má relação com a equipe e gestão, e por aí vai.

São vários os motivos ruins que vão virando uma bola de neve, até o momento em que se acende uma luz de emergência. Consequentemente você não se sente mais feliz fazendo o que faz e se sente até estagnado em suas tarefas diárias. 

Emprego

Fonte: Andrea Piacquadio

Em contrapartida, muitas pessoas mudam de emprego mesmo estando bem na área em que atuam. Mas o que acaba as levando a pensar nisso então? Simplesmente o fato de que elas já desenvolveram o que tinham que desenvolver ali.

Ou seja, existem dois tipos de pessoas, as que querem criar raízes em uma empresa e viver ali anos da sua vida, e as que querem passar por lugares e cumprir planos e vão com objetivos específicos.  

No entanto, nenhuma das duas situações é ruim. Porém o segundo tipo de pessoa geralmente não gosta de uma rotina no trabalho, e quando elas veem que já aprenderam o que tinham que aprender e passaram para frente o que tinham que passar, elas começam a se sentir desmotivadas por falta de desafios e vão em busca de novos. Ou seja, é aquela pessoa que sempre busca pelo novo, vai além de simplesmente ter um trabalho, porém, não é por esse motivo que essa tarefa se torna fácil! 

Saindo da zona de conforto 

Com o passar dos anos na vida somos levados automaticamente a criar uma zona de conforto, o que gosto de chamar de bolha de proteção. Mas por que fazemos isso? Bom, alguns dos motivos é a segurança financeira e social. É muito fácil você todos os dias acordar e saber que tem um trabalho para ir e já saber o que deve fazer, que tem um lar para voltar e uma cama confortável para dormir. Isso não está errado, muito pelo contrário, trabalhamos para viver e conquistar coisas que queremos.  

Mas, o ponto que quero chegar aqui é além dessa situação superficial. Da mesma forma que é seguro se ter um trabalho e lutar para mantê-lo, não quer dizer que essa é uma vivencia feliz e saldável. Em algum momento da sua vida você deve ter se sentido descontente com seu trabalho ou área de atuação, e vários dos motivos citados acima estavam na sua lista de “motivos para procurar outro emprego”.

Por outro lado, você ainda se manteve no mesmo lugar, e por que? Por medo de sair da zona de conforto, porque realmente é muito mais fácil manter o que já se tem em mãos, mesmo que não seja o suficiente, porém é certo. 

Todavia, será que é o certo? Sair da zona de conforto nunca é fácil, não é certeiro, é cheio de incertezas e supressas, porém posso dizer que se você nunca tentar não saberá e continuará andando em círculos.  

Dar um passo para trás para depois dar dois para frente 

Essa metáfora se encaixa muito bem na questão de termos que abrir mão de certas coisas para chegarmos onde queremos. Dessa forma, falarei em primeira pessoa agora. Eu tomei essa decisão em meio a uma crise mundial, eu quis colocar em primeiro lugar minha saúde mental e minha sede por aprendizado e desafios.  

Consequentemente, eu tive que dar um passo para trás, ou seja, tive que abrir mão de alguns benefícios que meu antigo trabalho proporcionava. Sair da minha zona de conforto, se desvencilhar das pessoas que já estava acostumada a trabalhar, analogamente para conseguir o que eu queria naquele momento. Que era me sentir útil, aprender mais, cuidar do meu interior e me desafiar, posso dizer mais pessoalmente do que profissionalmente. 

Fonte: Pixabay

Dessa forma, hoje digo que uma das lições que aprendi com isso é que, nunca podemos deixar as coisas explodirem. Ou seja, não deixe as coisas chegarem ao ponto de que você tenha que deixar seu emprego por ter discutido, ou por ter começado a digamos que procrastinar e não entregar mais resultados. Saia com o sentimento de dever cumprido, apertando a mão daqueles que te acompanharam e te ensinaram. Até porque você nuca saberá se um dia não surgirá um desafio novo por ali. Em consequência você criou um networking naquele lugar que poderá ser de grande valia futuramente. 

Então, eu posso dizer que me encaixo no segundo tipo de pessoa, por isso que digo que apesar de passar um biotipo livre, não é tão fácil tomar essa decisão. E o que a torna mais difícil é se sentir encurralada, pelo fato de ter que sair da zona de conforto por não se sentir mais feliz ali, e por outro lado cheia de medos e incertezas. 

Melhor um passarinho na mão do que dois voando 

Sim, eu adoro metáforas! E essa metáfora passa de cara a mensagem de que é melhor manter o que temos, do que colocar tudo em jogo e ficarmos sem nada. Porém, eu vejo de outra forma. Vejo como uma questão de que sempre antes de tomar uma decisão, deve-se ter um planejamento para poder ter não apenas um, mas dois passarinhos na mão.  

Emprego

Fonte: Manideep Karne

Como? Bom, não estou falando para você chutar o balde, pedir demissão e sair por aí com dois reais no bolso. Muito pelo contrário, você deve se planejar, de forma que leve em consideração o seu objetivo. O que não pode acontecer, é você não se atentar para sua intuição e seus desejos, e se manter fazendo algo que não te faz feliz. Até porque sinto em te dizer, você não vai entregar os resultados que deveria entregar, e na maioria das vezes quando o despertador tocar, você vai resmungar por ter que enfrentar mais um dia. 

Então, partindo da premissa planejamento, atualize seu currículo, converse com seus contatos (aí que está a importância de fazer networking), veja o que está disposto a abrir mão, os desafios que busca, e não se prenda na sua zona de conforto. Dessa forma você conseguirá os dois passarinhos na mão, um é de ter um trabalho e o outro é de se sentir feliz no seu trabalho. 

Não sinta medo de fracassar 

Se for colocar na balança, os medos sempre acabam pesando mais do que a vontade de buscar novos horizontes. Não é nada fácil passar por cima deles e achar que está tomando as decisões através da emoção e não de forma racional.  

Mas como falei no começo, não existe uma receita para mudar de emprego. Falando de mim novamente, minha decisão foi tomada por motivos relacionados as pessoas e não a área em que eu exercia minha profissão, o que acaba tornando mais difícil, sabe por que? Porque eu amava fazer o que fazia, porém já estava me sentindo estagnada, não me sentia incentivada, e consequentemente não conseguia mais desenvolver e trazer resultados. Foi onde tive que parar e ver de fora que eu não estava mais fazendo o trabalho que me propus a fazer, não estava mais sendo eu. Então antes de estragar tudo, planejei, me conscientizei sobre tudo o que eu estava prestes a abrir mão e fui! 

Fracassei? Em vários momentos achei que sim, em outros tinha certeza de que foi a decisão certa que tomei. Até porque nesses momentos muita coisa não colabora, e tudo o que você menos espera acontece. Calma, não estou querendo te assustar, mas não é um mar de rosas, então preciso ser sincera. Mudar nunca é tranquilo, nunca é fácil, nunca é certeiro, porém se você não arriscar nunca vai saber. Então, nessas horas você precisa se agarrar as pequenas coisas, para te motivar a seguir com sua decisão. 

Entenda que sem riscos e fracassos nunca se alcança o sucesso, e antes de ter sucesso você precisa ser feliz. Ou seja, ser feliz onde está, ser feliz no que faz, e assim chegará onde quer chegar. Dessa forma, você saberá quando é a hora certa! 

Pamela Thaís Licheski
Sou Engenheira Civil, catarinense com 23 anos. Atualmente atuo na área de projetos, mas possuo grande experiência com saneamento, atuei durante três anos em Itapoá com atividades de combate a perdas, supervisão operacional e georreferêciamento. Li recentemente em um livro, que não precisamos ter sucesso para sermos felizes, mas precisamos ser felizes para ter sucesso. Acredito que é a felicidade que impulsiona o sucesso. Então que sejamos felizes no que escolhemos fazer no mundo! Instagram: @pamelathaiss_

Análise de acidentes: por que ela pode-nos salvar.

Previous article

Engenheiros criam o menor microchip injetável do mundo

Next article

Comments

Leave a reply

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Popular Posts

Login/Sign up