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A Agenda 2030 é um compromisso internacional assumido por mais de 180 países no mundo. Ela surge para ratificar a Agenda 21, mas com novos objetivos focados em aspecto social. E para facilitar a popularização e deixar as coisas mais claras, a ONU definiu 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS).

Os países que fazem parte desse acordo têm a missão de cumprir com esses objetivos ou pelo menos gerarem uma série de ações importantes para que esses objetivos sejam atingidos.

Nesse sentido, todas as áreas do setor produtivo precisam se adaptar e conhecer cada um dos ODS para poder introduzir e trabalhar com os conceitos propostos.

E a Aquicultura é um dos setores que apresenta potencial enorme de adaptação às ideias introduzidas para manter o nosso planeta viável às gerações futuras.

Portanto, nesse artigo vamos conhecer um pouco como a aquicultura se insere nesses 17 objetivos da Agenda 2030.

Mas afinal, como a aquicultura pode contribuir com cada um dos ODS?

A Aquicultura é de grande importância para atingir esses objetivos e pode dar contribuições significativas muito mais fácil que outras áreas da produção e do consumo.

Além disso, hoje, a aquicultura brasileira fatura mais de um bilhão de dólares, fora a movimentação da economia que tem ao redor dessa atividade. Esse marco é extremamente significativo para qualquer setor em qualquer parte do mundo.

Portanto, esse setor aquícola apresenta contribuições relevantes com cada um dos objetivos do desenvolvimento Sustentável. Vamos conferir!

ODS 1

desenvolvimento sustentável

A aquicultura é um excelente meio para acabar com a pobreza, pois trabalha com sistemas muito simples de implantar e de baixo custo que gera produtividade e lucro.

Várias produções, como a de ornamentais, podem ser instaladas em espaços muito pequenos, inclusive dentro das cidades e apresentar lucro.

Por outro lado, as grandes fazendas também geram emprego e renda para os trabalhadores.

Por isso a aquicultura tem papel importante para atender a essa meta de desenvolvimento sustentável. Porém, para que isso aconteça e seja mais valorizado é preciso a criação de políticas públicas voltadas para esse eixo. Os profissionais e pesquisadores precisam pensar nesse papel social de erradicação da pobreza, como o desenvolvimento de tecnologias adequadas ao modelo aplicado.

ODS 2

desenvolvimento sustentável

A aquicultura possui papel importantíssimo para mitigar a fome, alcançar a segurança alimentar e melhoria da nutrição e promover o desenvolvimento sustentável.

Essa atividade aquícola produz em espaço muito reduzido quantidades muito maiores que outros setores. Hoje, facilmente, os sistemas aquícolas produzem 20 toneladas de pescado em 1 hectare.

ODS 3

desenvolvimento sustentável

A alimentação proveniente de pescado é altamente saudável. O pescado é rico em ácidos graxos essenciais, aminoácidos essenciais e vários minerais, que proporciona uma alimentação de qualidade e acessível. Mais ainda, é possível produzir fármacos e nutracêuticos a partir de organismos aquáticos, porém, é uma área pouco explorada no Brasil.

Por isso, a aquicultura pode assegurar uma vida saudável e promover bem-estar para todas e todos, em todas as idades.

ODS 4

desenvolvimento sustentável

Através da aquicultura é possível usar muitos modelos para assegurar educação inclusiva e equitativa e de qualidade, e promover oportunidades de aprendizagem ao longo da vida para todas e todos. Nesse sentido, destaca-se o ensino de diversas áreas, como biologia, ecologia, meio ambiente, entre outras.

Além disso, é possível implantar diversos projetos na área de aquicultura em escolas e comunidades.

A aquaponia é uma das ideias mais queridinhas e é muito praticada em diversos países.

Além disso, vários profissionais de aquicultura começaram a usar as redes sociais como ferramenta para ensinar ciência, tecnologia e engenharia, principalmente em 2020 em virtude da pandemia. A seguir listo alguns de vários profissionais que acompanho:

Desse modo, a aquicultura é sem dúvida um importante veículo para promover educação de qualidade e acessível em nosso país, tanto presencial como também de forma on-line.

ODS 5

desenvolvimento sustentável

Esse objetivo tem sido um dos mais considerados pela ONU, pois as mulheres em muitas regiões do mundo são muito massacradas e têm poucas oportunidades.

De acordo com a FAO (2020), em torno de 50% das mulheres trabalham na pós-despesca em vários setores de produção. Enquanto na atividade primária de produção só tem 14% de mulheres atuando.

Nesse sentido, é preciso aumentar o número de mulheres nessa área de produção.

Esses dados são globais, mas o Brasil é semelhante. Embora na produção de algas o país conta com uma grande quantidade de mulheres essa produção ainda é muito pequena.

Na carcinicultura marinha, por exemplo, a produção primária é dominada por homens. Já na piscicultura muitas vezes tem mulheres, assim como na administração dos setores de produção.

Portanto, com esse objetivo será possível reduzir essas diferenças e não é difícil, pois em nível de pesquisa existe mais mulheres que homens.

ODS 6

A aquicultura precisa se adaptar melhor com essa meta para não poluir a água potável, respeitando as capacidades suporte de forma adequada.

Porém, é um setor que já contribui com esse ODS, pois muitos sistemas de cultivo descartam água melhor do que a água que recebe através do abastecimento. A água que sai dos viveiros, em muitos casos, tem muito mais qualidade, ou seja, possui mais nutrientes do que a água que recebem.

Logo, a aquicultura já realiza o processo de mitigação com os sistemas de produção sustentáveis aplicados.

Além disso, os viveiros aumentam a taxa de infiltração e, consequentemente, aumenta a recarga dos aquíferos, contribuindo também para o aumento de água potável através da filtração dessa água pelo próprio solo.

Em vários países do leste europeu, os aquicultores cuidam do fornecimento da água para as cidades. Isto é, eles produzem o pescado nos reservatórios de água e são os responsáveis por manter a qualidade dessa água.

Embora esse modelo seja perfeitamente viável por servir como fonte de armazenamento de água potável, ele também pode ser uma fonte severa de poluição.

ODS 7

Esse ODS busca assegurar o acesso confiável, sustentável, moderno e a preço acessível à energia para todas e todos. Baseado nesse cenário, as microalgas têm sido propostas e consideradas como uma potencial alternativa para atingir essa meta.

ODS 8

O ODS 8 objetiva promover o crescimento econômico sustentado, inclusivo e sustentável, emprego pleno e produtivo e trabalho decente para todas e todos. A aquicultura pode sim gerar um trabalho decente com todos os requisitos de um emprego seguro e as pessoas podem ter satisfação e ganhar salários adequados/dignos.

ODS 9

ODS que objetiva construir infraestruturas resilientes, promover a industrialização inclusiva e sustentável e fomentar a inovação. E a aquicultura precisa de inovações e não precisam ser mirabolantes, pois inovações simples muitas vezes trazem resultados melhores e aumenta a quantidade de emprego.

Essas inovações precisam ter potencial de aplicação na prática, pois não adianta ficar apenas no papel/artigo científico ou até mesmo privado.

ODS 10

O ODS 10 tem como missão reduzir as desigualdades dentro dos países e entre eles.

Sendo assim, é preciso muito cuidado para a aquicultura não gerar mais desigualdade e isso se faz com salário justo e sem a concentração de renda na mão de poucos, e quando se tem uma estrutura com pequenos produtores é mais fácil fazer uma política voltada para eles, gerando essa redução de desigualdades.

ODS 11

A aquicultura urbana é uma realidade e conta com um contingente enorme de produtores de peixes, ornamentais e outros organismos aquáticos.

É possível implantar vários projetos como a aquaponia, que é uma realidade já existente. Esse tipo de sistema pode ser usado para consumo próprio e ser construído até no terraço de um apartamento ou no pátio de uma escola.

Com isso a cidade deixaria de ser apenas uma geradora de lixo para ser também um produtor de alimentos que pode ser de altíssimo interesse econômico.

ODS 12

O ODS 12 objetiva assegurar padrões de produção e de consumo sustentável. A produção/desenvolvimento sustentável se baseia em economia circular e pós-pandemia todos analistas afirmam que haverá um deslocamento da economia neoclássica para a circular, que é aquela que se baseia na circulação interna dos produtos.

Por outro lado, os sistemas integrados, denominados como aquicultura multitrófica vêm apresentando papel fundamental para garantir produções sustentáveis.

ODS 13

A aquicultura pode mitigar os problemas climáticos. Existem vários sistemas de produção que absorvem CO2, por exemplo a produção de algas e de moluscos bivalves. Ainda mais, vários outros sistemas de produção em viveiros, sistemas integrados principalmente, absorvem o CO2 ao invés de emitir.

Para isso, é preciso embasar a produção no maior uso do alimento natural para reduzir o uso de ração, que é o principal custo das produções.

O ODS 14

Por mais difícil que seja admitir, há um limite de recursos pesqueiros. À medida que nos aproximamos desse limite, a aquicultura entra como um suplemento para alimentar a crescente população mundial com proteína de qualidade e ecologicamente correta. Por outro lado, é possível produzir formas jovens para repovoar ambientes naturais. Assim, garantindo a conservação da vida na água.

ODS 15

Mas a aquicultura pode contribuir com a vida terrestre? Sim, de muitas formas. Podemos ter melhoria do clima devido ao acúmulo de água, também a evaporação gera mais chuvas, o que melhora o ambiente terrestre.

Ademais, as áreas aquícolas servem para aves migratórias e uma gama de organismos. Claro que existe predadores, mas muitos não predam os organismos cultivados.

ODS 16

Existem várias organizações para promover a união e a organização dos aquicultores para inserir a aquicultura no ODS 16 com paz, justiça e instituições fortes e eficazes.

ODS 17

desenvolvimento sustentável

As parcerias internacionais são muito comuns na área da pesquisa e o projeto AquaVitae é um exemplo disso – H2020 formado por 36 parceiros de 15 países diferentes que desenvolve soluções para o desenvolvimento sustentável da aquicultura.

Essa parceria é muito importante, pois objetiva desenvolver protótipos com a missão de introduzir novas espécies, além de novos produtos e processos nas cadeias de valor da aquicultura marinha e de água doce nos países banhados pelo oceano Atlântico.

Conclusão

Em síntese, a aquicultura pode contribuir significativamente para contribuir e atingir todos os objetivos para o desenvolvimento sustentável da Agenda 2030. Só depende de nós! As duas ações básicas que precisamos realizar são:

  1. Conhecer a Agenda 2030 e se empenhar para que os sistemas de produção se adequem aos ODS;
  2. Mostrar para a sociedade que a aquicultura já contribui significativamente com os ODS e pode contribuir cada vez mais.

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Ivanilson Santos
Engenheiro de Pesca pela UFRPE, mestrando em Aquicultura pela UFSC e Pesquisador da Camar - Camarão Maricultura LTDA. Durante a graduação foi bolsista do Programa Institucional de Bolsas de Iniciação Científica e bolsista do Programa de Educação Tutorial, estagiário do Laboratório de Ecologia de Ambientes Aquáticos, do Laboratório de Biotecnologia de Microalgas - LABIM e do Laboratório de Experimentação com Organismos Aquáticos - LEOA e integrante do Grupo de Estudo de Aquicultura no Semiárido - GEAS. É cristão e seu maior sonho é fazer as pessoas sorrirem e realizarem seus sonhos com a ajuda do verdadeiro amor: Jesus. Nas horas vagas, ama ouvir e tocar uma boa música e jogar xadrez! Instagram: @ivanilsonsnts

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