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É mandioca ou aipim?

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Antes de mais nada, não é de hoje que sabemos que em nosso país muitos objetos são chamados de diferentes nomes, um dos casos mais conhecidos é do “biscoito ou bolacha”, e trago hoje “mandioca ou aipim” para vocês.

Logo, já trago que é uma variação linguística, ou seja, varia de acordo com fatores regionais, culturais e sociais. O termo mais usado de forma técnica é a mandioca, que é encontrada e retratada na maior parte da literatura.

Mandioca

Briga dos séculos!

Mas, a mandioca tem uma gama de nomes por ai, segue alguns:

  • Aipim;
  • Macaxeira;
  • Mantioca;
  • Majosca;
  • Impim

Caraca, que variedade de nomes! Qual você utiliza e que já conhecia? E sim, isso gera grandes debates seja qual for a idade! Defenda seu time rsrsrs

Enfim, sabia que essa cultura surgiu em nosso “Brasilzão”!? Ela já era cultivada pelos índios muito antes de 1500 quando chegaram os primeiros portugueses. Era um alimento muito consumido pelas tribos, e considerado um alimento muito calórico, aliado no combate contra a fome.

E vamos de História!

Índios Tuxana contam uma história há muitos anos, que a filha de um grande chefe quando apareceu grávida foi expulsa da tribo, por ter ficado grávida de forma misteriosa, pois nem ela sabia quem era o pai.

Vivendo em uma cabana, muito longe de sua tribo ela dá a luz a uma criança, uma menina muito branca, que acabou sendo chamada de “Mani”. O chefe, resolveu visitar sua filha como um pai e não como um chefe, para ver sua neta e acabou aceitando novamente sua filha para a tribo.

Mani era muito amada por todos, mas ao completar cerca de 3 anos morreu de forma misteriosa e de repente, então sua mãe a enterrou no quintal de casa aos prantos, e chorou muito, durante horas onde Mani foi enterrada.

Ao perceber algo estranho a índia nota uma brotação, uma planta surgia da terra onde Mani havia sido enterrada. Ao contar para toda a tribo, resolveram arrancar a planta, a qual tinha raízes em forma de chifres e que eram muito brancas! “Mani”, criança, e “oca”, chifre, ou seja, MANIOCA que deu origem ao nome de “Mandioca” conhecido atualmente.

Mani oca lenda

“Mani” retrato da lenda.
Fonte: https://bitlybr.com/Zjeob

Tecnicamente Falando

De nome científico Manihot esculenta Crantz, a mandioca é da família Euphorbiaceae de originária do Brasil, contendo até 250 espécies e variedades diferentes. Constitui uns dos principais alimentos energéticos para milhões de pessoas, principalmente em países onde a pobreza é alta.

O Brasil participa com 10% da produção mundial, sendo o segundo maior produtor mundial. De fácil adaptação é cultivada em todo país, sendo o oitavo produto agrícola em área cultivada e o sexto em valor de produção (EMBRAPA, 2019).

Brasil
Mandioca Brasil

Fonte: IBGE – Produção Agrícola Municipal, 2018. Consultado em 30/09/2019.

Logo, o Pará é o estado com a maior área colhida (hectares), com maior produção (toneladas), mas falando em rendimento (toneladas/hectares) quem se destaca na cultura da mandioca é o estado de São Paulo, como mostra a tabela acima. Mas, falando em Regiões, o Norte é o maior produtor seguido pelo Sul e pelo Nordeste respectivamente.

Mandioca estados

Fonte: IBGE – Produção Agrícola Municipal, 2018. Consultado em 30/09/2019.

Contudo, olhe bem estes seguintes gráficos:

Mandioca

Fonte: IBGE – Produção Agrícola Municipal, 2018. Consultado em 30/09/2019.

Aipim

Fonte: IBGE – Produção Agrícola Municipal, 2018. Consultado em 30/09/2019.

Rendimento

Fonte: IBGE – Produção Agrícola Municipal, 2018. Consultado em 30/09/2019.

Note que, apesar de em 2015 termos a menor área colhida desde 1970 e uma das menores produções ainda sim tivemos um maior rendimento da produção da mandioca! Isso pode ser devido a diversos fatores. Ou seja, fatores esses de tecnologia, melhoramento genético, profissionais e mão de obra mais qualificados.

Contudo, chame como preferir! Mas de forma técnica tente se dirigir chamando de “mandioca” preferencialmente. Assim sendo, devemos sempre ficar atento as origens, tradição e cultura de nosso país, assim como das culturas que plantamos aqui.

Guilherme Matos
Catarinense, 21 anos, formado em Técnico em Agropecuária (2016) e graduando em Engenharia Agronômica no Instituto Federal Catarinense Campus Santa Rosa do Sul- SC. Membro dirigente no CREAjr-SC na regional de Araranguá-SC, e Vice presidente no Centro Acadêmico de Agronomia em 2020. Ama o agro, ama escrever e ama se rodear de boas pessoas. Sonhador, fã de games e louco por conhecimento.

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