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Antes de tudo, é importante salientar que o gás natural e o gás liquefeito de petróleo (GLP) estão relacionados com a produção e refino do petróleo. Dito isso, vamos agora conhecer as definições e as principais diferenças de cada um.

Gás Liquefeito de petróleo (GLP)

O GLP, conhecido como gás de cozinha, é uma mistura de gases formada principalmente por butano (C4H10) e propano (C3H8) que são frações leves obtidos por meio do refino do petróleo.

Ambos são hidrocarbonetos de cadeia curta e na forma gasosa são incolores e inodoros. Assim, por ser um produto inodoro por natureza, um composto a base de enxofre (t-butil mercaptana) é adicionado à mistura para dar cheiro e facilitar a detecção de possíveis vazamentos.

Ou seja, aquele odor que você sente quando há vazamento de gás na cozinha não é o cheiro do gás, é tão somente o cheiro de um composto adicionado ao produto.

O GLP é comercializado na forma líquida sob altas pressões em botijões e cilindros. Quando os gases que compõem o GLP são pressurizados, estes se condensam ocupando menos espaço, facilitando seu transporte e comercialização.

GLP

Além disso, o GLP é altamente inflamável e sua combustão é praticamente completa. Isso o torna adequado para o uso como combustível em situações que exijam baixos níveis de poluentes como o uso doméstico.

O GLP é mais denso que o ar. Assim, o aumento da concentração desse gás desloca o ar atmosférico. Isso diminui a quantidade de oxigênio disponível no local podendo levar à asfixia em ambientes fechados.

Os sinais e sintomas da exposição são falta de ar, fadiga, diminuição da visão, alteração do humor, dor de cabeça, confusão, decréscimo da atividade motora, estupor, coma e, em casos extremos, morte.

Gás Natural (GN)

O gás natural é uma mistura de hidrocarbonetos leves, principalmente o metano (CH4). Esse composto, a temperatura e pressão ambientes, permanece no estado gasoso.

Na natureza, assim como o petróleo, ele é originalmente encontrado em reservatórios de rochas porosas no subsolo (terrestre ou marinho). Frequentemente, encontra-se associado e é produzido junto ao óleo.

Gás Natural

Assim como ocorre com o GLP, no gás natural também é adicionado um odorizante para que vazamentos possam ser detectados com facilidade, evitando acidentes.

No Brasil, o transporte do GN é realizado por meio de gasodutos e a comercialização feita por distribuidoras concessionárias. Dessa forma, o GN chega aos consumidores por uma rede canalizada.

Por ser um combustível muito versátil, é bastante utilizado nas indústrias petroquímicas, nas usinas termoelétricas e de cogeração de energia, além de veículos motorizados.

Diferenças entre GN e GLP

Uma das principais diferenças entre GN e GLP está na forma de distribuição. Como dito nos tópicos anteriores, o Gás Natural é disponibilizado por uma rede canalizada. Dessa forma, o usuário recebe mensalmente uma conta de consumo.

Gás natural

Por outro lado, o Gás Liquefeito de Petróleo é comercializado em botijões e cilindros ou através do abastecimento por caminhões de um recipiente fixo no local. Dessa forma, o consumidor o repõe conforme a necessidade.

Assim, pode-se afirmar que o GLP é mais acessível por ter seu transporte através de cilindros, podendo ser levado a qualquer lugar. Em contrapartida, o GN necessita de uma estrutura de rede de distribuição, que a maioria das cidades e bairros não possuem (ainda).

Outra grande diferença é a composição. O GN, formado basicamente por metano (CH4), é mais leve do que o GLP, formado por propano (C3H8) e butano (C4H10). Ademais, diferentemente do GLP, o GN é mais leve que o ar, o que favorece sua dispersão no ambiente em caso de vazamento.

Quanto a emissão de poluentes são muito parecidos. Ambos têm baixo índice de emissão comparado a outros combustíveis como lenha, carvão, querosene, etc.

Por ser disponibilizado em cilindros que são constantemente reutilizados, o GLP por vezes pode acumular a chamada oleína, uma impureza que normalmente fica no fundo do cilindro mas que pode vir a ser trazida junto com a vaporização.

Dessa forma, é necessário o uso de filtros de linha para evitar que esta oleína afete o funcionamento dos aparelhos. O gás natural, por sua vez, não enfrenta esse problema.

Qual utilizar?

Uma dúvida comum entre os consumidores é referente a diferença do GN e do GLP no funcionamento dos aparelhos a gás em sua residência ou indústria.

O GN e o GLP são gases com características e composições diferentes, e possuem variações em suas propriedades (poder calorífico, pressão de operação, etc). Por isso, os aparelhos são produzidos para funcionar com um gás, ou com o outro.

Toda a estrutura dos equipamentos como bicos injetores, calibração e outras funcionalidades, são apropriadas de acordo com o tipo de gás. Isso promove o funcionamento com eficiência e segurança.

Sempre deve ser observado o tipo de gás marcado na embalagem e no próprio produto, e utilizado somente este gás.

Em caso de necessidade (mudança de imóvel, por exemplo), é possível realizar um processo de conversão de gases no aparelho. No entanto, é um serviço que precisa ser feito por profissionais qualificados e utilizando-se de peças originais do fabricante para substituição.

Matheus Meneses Mendonça
Sergipano, 25 anos, graduado em Engenharia de Petróleo pela Universidade Federal de Sergipe. Participou de diversos projetos, incluindo uma pesquisa relacionada a eficiência de anti-incrustantes inorgânicos para a PETROBRAS, além de pesquisas envolvendo simulação computacional com os programas Ansys e SolidWorks. Ama viajar, ler, escrever, e gosta de estar próximo de pessoas que possam agregar na vida pessoal e profissional. Seus principais hobbies são assistir e praticar esportes, além de jogos virtuais.

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