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Depois de ler o título deste artigo, você pode estar se perguntando: os peixes sentem frio? A resposta é sim! Mas não é como os mamíferos. Este artigo descreve como os peixes reagem ao frio e o que você pode fazer para evitar seus efeitos.

O brasil tem enfrentado uma onda de frio que em alguns lugares do país já não se via há alguns anos, em determinados locais a sensação térmica chegou a -25°C. Essas baixas temperaturas causam impactos extremamente importante na piscicultura que em casos extremos pode levar a mortandade dos peixes.

Mayssa, por que causa impactos?

O mais importante lembrar, que os peixes em grande parte – poucas exceções – são exotérmicos, ou popularmente conhecido, como espécie de sangue frio.

A maior parte dos peixes regula seu metabolismo dependendo da temperatura da água em que ele habita, com a temperaturas elevadas, metabolismo acelera, com temperaturas baixas, diminui o metabolismo.

Com isso, causa um desconforto nos peixes, fazendo eles consumirem menos, crescerem menos, se movimentarem menos, causando a queda na resposta imunológica, afetando a imunidade dos peixes.

Devido à baixa imunidade, algumas espécies podem causar infecções bacterianas, fúngicas e virais durante este período e podem ser estressadas com o aumento do manuseio.

A tilápia, o peixe mais produzido do Brasil, tem como característica a rusticidade, pois expõe extensa adaptabilidade a diversas variações de temperaturas, o que a torna atrativa para exploração. Mas mesmo sendo conceituada como rustica, é susceptível a doenças que surgem com o frio intenso.

Frio

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Zona de conforto térmico

Os peixes costumam apresentar uma zona de conforto térmico, ou seja, quando o peixe está abaixo da zona de conforto é quando água é fria, e quando está acima, água está quente. Cada espécie apresenta uma zona de conforto térmico, segundo o site FishBase.

Os peixes que vivem em águas quentes produzem mais hormônios, tem o metabolismo mais acelerado, mas de forma exagerado pode ser prejudicial, atrapalhando a digestão dos alimentos.

Por outro lado, peixes que vivem em águas frias, tendem a ficaram lentos e se alimentarem menos, como citado acima, afeta o sistema metabólico dos peixes.

Fique atento na escolha da espécie

O Brasil é um país que possui climas diversificados conforme a região, o que facilita na criação de diversas espécies. Para os produtores da região sul, onde é um lugar propenso a fazer frio extremos, a escolha mais resistente como: Carpa Cabeçuda, Húngara e Capim que são originárias da China, e o Jundiá que vem do Rio Grande do Sul. Além de ser resistentes, as espécies tendem a não parar a alimentação no frio.

Por outro lado, os peixes tropicais como a Tilápia, Pacu e Piaucú, tem se mostrado bem resistente as condições variáveis de temperatura. Ainda assim, apresentam redução na alimentação, que resulta na diminuição do crescimento.

As espécies como o Tambaqui e o Matrinxã, peixes amazônicos, apresenta dificuldades na adaptação do frio e tem apresentado diversos problemas em locais mais frios.

Carpa

Como diminuir as perdas na piscicultura

Acima de tudo, é recomendado que os produtores adequem a produção para que saia antes das temporadas de frio, mas quando isso não for possível, é muito importante tomar alguns cuidados.

Os pesquisadores recomendam uma dieta adequada para evitar desperdícios e excesso de matéria orgânica na água. Pois nos períodos de baixo metabolismo e baixa ingestão alimentar. Salientando que o manejo alimentar corresponde a 70% dos custos da produção.

Se possível, com antecedência utilizar suplementos, caso das vitaminas (C e E), aminoácidos, pró-bióticos e pré-bióticos, para auxiliar no aumento da imunidade dos peixes.

A queda de temperatura do ar acontece bruscamente de um dia para o outro. Desta forma, é aconselhável em locais que apresenta baixas temperaturas a construção dos tanques maiores e mais profundos.

No entanto, o produtor deve prestar atenção na densidade de peixes por metro quadrado do tanque, que pode resultar estresse nos peixes. Nos dias mais frios deve ser evitado a renovação de água nos tanques – sempre está atento a sustentabilidade – além de sempre ter cautela no manuseio.

O produtor também pode optar por utilizar estufas, onde a temperatura do ambiente é controlada, oferecendo opções que permitem melhores condições de cultivo e produção.

E por fim, contratar uma mão de obra capacitada que seja perceptível a toda mudança que ocorre nos tanques. Visando a qualidade da água, alimentação está sendo ofertada de forma apropriada e saúde dos peixes.

temperatura

Como você pôde conferir, o cultivo de peixes no inverno requer cuidados significativos para reduzir problemas no resultado final. Como prevenção, é importante fazer um planejamento. Isso inclui desde a construção dos tanques, optar por uma espécie que tem melhor adaptação e um bom manejo.

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Mayssa Nascimento de Oliveira
Estudante de Engenharia de Aquicultura na Universidade Federal do Paraná (UFPR), onde realizou programa de voluntariado acadêmico no Laboratório de Produção e Reprodução dos peixes (LAPERP), atualmente realiza atividade de Iniciação Científica: Determinação dos coeficientes de digestibilidade aparente dos nutrientes e da energia de alimentos alternativos para macrobrachium rosenbergii. Crio conteúdo na minha rede social profissional de forma didática e acessível para todos. Adoro desafios novos e tenho como objetivo levar aquicultura para todos. Acredito que trabalho em equipe é conciliar várias formas de pensar para um só objetivo. Instagram: @estudandoaquicultura

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