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Geração Distribuída: presente e futuro

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Nos últimos anos, tem-se falado bastante em Geração Distribuída de Energia (GD) e, para entender melhor essa modalidade de geração, é interessante compreender primeiro como funciona o modelo tradicional.

O Sistema Elétrico Nacional é baseado em um modelo centralizado de geração, no qual grandes unidades geradoras, geralmente hidrelétricas, situadas em locais afastados dos centros urbanos, são as responsáveis pelo fornecimento de energia.

A GD, por outro lado, busca solucionar alguns problemas relacionados ao modelo centralizado e dar ao consumidor a possibilidade de gerar sua própria energia.

Mas o que é a Geração Distribuída ?

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A Geração Distribuída de Energia é o modelo de geração elétrica no qual as unidades de geração ficam próximas às unidades consumidoras.

Dessa forma, ao invés de ter um sistema elétrico composto por algumas unidades geradoras com maior potência instalada, temos um número bem maior de geradores com menor potência distribuídos próximos aos locais de consumo.

GD

A entidade nacional responsável por atender às demandas políticas, técnicas e regulatórias relacionadas à GD é a ABGD (Associação Brasileira de Geração Distribuída.

A ABGD representa os mais diversos setores do sistema elétrico, com participação de provedores de soluções, distribuidores, fabricantes, acadêmicos, etc. Todos atuando de forma direta ou indireta na GD oriunda de fontes renováveis de energia.

Vantagens e desvantagens da GD

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Com relação às vantagens e desvantagens da Geração Distribuída, aqui vão alguns exemplos:

Vantagens

  1. Diminuição do custo com energia elétrica para o consumidor final, em especial os consumidores residenciais. Sendo o próprio gerador da energia, o consumidor se torna mais independente da distribuidora, pagando muitas vezes apenas o custo mínimo obrigatório da conta de energia, denominado no Brasil de “Custo de Disponibilidade”;
  2. Incentivos fiscais dados por alguns governos;
  3. Sistema de Compensação de Energia (ou net metering). Nesse sistema, o consumidor apresenta um medidor de energia bidirecional. Assim, quando a energia oriunda do sistema de geração distribuída não é consumida de forma imediata e não há um sistema de armazenamento, a energia é transferida para à rede e o medidor opera na direção contrária. Dessa forma, o valor cobrado na fatura de energia será relativo à diferença entre a energia consumida e a energia injetada na rede;
  4. Redução das perdas nas linhas de transmissão e de distribuição;
  5. Alcande de energia em áreas remotas.

Desvantagens

  1. Aumento no custo de distribuição para as distribuidoras. Muitas distribuidoras não conseguem adequar seu sistema de distribuição aos requisitos impostos pelas normas;
  2. Custos com redes inteligentes. No mundo todo, o desenvolvimento da GD é acompanhado pelo desenvolvimento das redes inteligentes (smart grids), que são essenciais para o controle em tempo real de sistemas tão dinâmicos;
  3. Desafios técnicos devido ao aumento na complexidade da rede (fluxo de potência reverso, sincronismo, harmônicos, ilhamento, etc);
  4. Dificuldade no planejamento estratégico de expansão dado que o crescimento da GD não é facilmente mensurado.

Cenário atual e o futuro da GD no Brasil

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Antes de falar de alguns números da GD no Brasil, é importante mencionar a espinha dorsal desse modelo de geração no país com respeito à regulamentação, a Resolução Normativa 482/2012.

Essa Resolução estabelece as condições gerais para o acesso de sistemas de geração distribuída aos sistemas de distribuição de energia, além de abordar a Compensação de Energia, mencionada anteriormente.

Entenda como funciona o sistema de compensação de energia elétrica - Energia Solar ENGIE

Vale mencionar que a RN 482 passou por uma audiência pública no ano de 2019 a fim de receber contribuições para uma proposta de mudança.

Segundo dados da ABGD, o país fechou o mês de setembro deste ano com uma potência instalada de GD de 3.877 MW e 305.522 conexões. Dentre essas conexões, a maioria delas está na classe residencial de consumo.

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Um aspecto interessante é que a energia solar fotovoltaica tem uma participação de 96% da GD no Brasil, seguida pelas fontes térmica e hidráulica com 2% de participação cada.

Espera-se que no futuro essa predominância da energia solar seja mantida, sempre com o apoio de regulamentações atualizadas e que garantam a sustentabilidade dos sistemas de Geração Distribuída.

Além disso, o desenvolvimento e implementação de Smart Grids continuará sendo de suma importância para a GD.

 

Charles Pereira
Engenheiro de Energia formado pela Universidade Federal de Pernambuco. Atualmente no último semestre do mestrado em Avaliação de Recurso Eólico pelo Programa de Pós Graduação em Tecnologias Energéticas e Nucleares (PROTEN-UFPE). Desde 2016, faz pesquisa no Centro de Energias Renováveis (CER-UFPE) envolvendo Avaliação de Recurso Eólico e Previsão de Geração Eólica. Durante a graduação, participou de intercâmbio na Ohio University, na qual cursou dois semestres. Participou ainda de pesquisa de curta duração sobre Qualidade do Ar e Sustentabilidade na University of New Orleans. Pernambucano, ama viajar, praticar Mountain bike, tocar as mesmas músicas no violão e ler histórias em quadrinhos.

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