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Entenda o grave acidente ocorrido no ES

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Um ano difícil terminando e na última quarta-feira do ano (30) um grave acidente ocorre deixando muitas pessoas sem moradia. Duas caixas d’água metálicas, com 15 metros de altura, vieram a ruir com aproximadamente 30 minutos de diferença entre as ruínas.

Grave acidente

Mas o que causou o acidente?

Mas vamos tentar entender o que aconteceu para causar este grave acidente! O Condomínio Residencial São Roque de 14 Blocos, no Bairro de Padre Gabriel, Cariacica, Espírito Santo foi entregue no dia 14 de dezembro.

As unidades estavam desabastecidas de água até o dia do acidente. Ainda não sem tem informações oficiais, mas conforme entrevistas com moradores, ao serem abastecidas de água, as estruturas dos reservatórios não resistiram e foram à ruína.

Entenda os reservatórios

Os reservatórios cilíndricos metálicos são compostos por chapas de aço-carbono. As caixas d’água cilíndricas são feitas de acordo com o projeto de um engenheiro mecânico. O aço carbono é o material mais comumente utilizado, mas o tipo dele é decidido em cada caso pelo engenheiro.

Assim como as soldas e o tipo de epóxi e esmalte sintético utilizados nos revestimentos interno e externo respectivamente. Isso tudo evita que um grave acidente como este ocorra.

Hipóteses possíveis causadoras do acidente

Uma das causas prováveis é uma falha de projeto, ou seja, o reservatório foi subdimensionado para resistir aos esforços impostos a ele. Como já dito anteriormente não se tem ainda informações oficiais, porém, observando as cenas, pode-se chegar a essa hipótese.

Neste caso, as chapas metálicas podem ter sido dimensionadas com uma espessura inferior ao necessário e, ao serem abastecidas de água, os esforços solicitantes foram superiores do que as chapas pudessem resistir, vindo a sofrer flambagem local, causando o grave acidente.

Após essa flambagem local, os esforços passam a ser de segunda ordem, o que significa que são esforços oriundos de esforços diferenciados, por conta da deformação sofrida pela chapa, consequente da flambagem local.

Essa ocorrência aumenta ainda mais os esforços solicitantes em regiões já deformadas do reservatório. Assim, o problema se agrava mais e mais até a ruína total.

Outra hipótese, sugerida pelo querido amigo MSc. Renato Sahade, é de os reservatórios terem sido instalados fora de prumo. Ao serem preenchidos com água, o mesmo problema da flambagem local pode ter ocorrido e o desfecho é o mesmo já descrito acima. Considerando-se esta possibilidade a falha teria sido na execução do reservatório e não em projeto.

O engenheiro e também amigo querido Flavio Sarcinelli sugere “que existe a possibilidade de não ter sido dimensionado corretamente uma espécie de ventosa, ocasionando uma espécie pressão negativa interna colapsando a estrutura”.

Muito além do acidente

Uma gravidade que não está sendo citada, nem tampouco levada em consideração, é que os blocos residenciais, conforme pode-se observar pelas imagens divulgadas, tem sua estrutura composta de alvenaria estrutural.

Isso significa que as alvenarias é que são a sustentação de toda a edificação, nela se apoiam as lajes. Com o dano causado em uma das torres, por conta da queda do reservatório, a estrutura da edificação encontra-se enfraquecida e corre risco de queda.

Uma das imagens mostradas apresenta essa questão muito preocupante.

De qualquer forma houve falta de profissionalismo, permitindo uma imprudência, imperícia ou irresponsabilidade, causando este grave acidente, que não podemos mais admitir.

Que em 2021 a população e a engenharia sejam mais respeitadas!

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Cristiana Furlan
Cristiana Furlan Caporrino é Engenheira Civil pelo Instituto Mauá de Tecnologia, Mestre em Engenharia de Estruturas pela Universidade de São Paulo (USP) e atualmente doutoranda na mesma área e instituição. Sócia-diretora da Furlan Engenharia e Arquitetura, empresa especializada em projetos e obras. Professora de pós-graduação no Instituto Mauá de Tecnologia, nas disciplinas Gerência de Projetos de Engenharia e Logística de Canteiros de Obras, e, na Fundação Armando Álvares Penteado (FAAP), das disciplinas de graduação Concreto Armado II, Concreto Protendido e Alvenaria Estrutural e da disciplina de pós-graduação Patologias em Alvenarias e Revestimentos Argamassados. Na pós-graduação da Funorte, ministra as disciplinas Estruturas Metálicas I e II e Análise de Estruturas de Concreto por meio de Software. Autora do Livro Patologia em Alvenarias, 2ª Edição, Editora Oficina de Textos. Administra um blog acadêmico no qual divulga novas tecnologias, além de discutir temas teóricos de várias áreas da engenharia. É perita judicial, ministra palestras e cursos e possui vasta experiência em projetos estruturais, tendo participado de projetos de barragens, indústrias, refinarias de petróleo, hospitais e empreendimentos corporativos, além de projetos em mineração, aviação civil, comércio e infraestrutura.

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