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Como um navio é capaz de quebrar gelo?

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Entenda como um navio quebra-gelo é capaz de romper calotas polares de até 2,8 metros de espessura.

Navios quebra-gelo são projetados especialmente para abrir rotas de navegação marítimas ou fluviais que foram tomadas pelo gelo. Assim, estas embarcações garantem que até mesmo os lugares mais gelados do planeta mantenham o tráfego de embarcações e seus portos em pleno funcionamento.

Afinal, o que estas embarcações possuem de diferente?

Além de serem desenvolvidas com o propósito especial de quebrar calotas de gelo, estas embarcações possuem a proa em formato diferenciado e são altamente reforçadas.

quebra-gelo

Enquanto os formatos da proa da maioria das embarcações mercantes possui como objetivo reduzir o efeito das ondas durante a navegação e tornar mais eficiente seu avanço na água, o quebra-gelo possui um formato de “colher” que permite que sua proa escale as calotas polares.

Imagine empurrar frontalmente uma calota de gelo que está sendo sustentada por quilômetros de gelo a frente. Esta ação exigiria uma força enorme! Agora, imagine que esta força seja realizada de cima para baixo, no sentido de menor resistência do gelo. E é exatamente desta forma que um quebra-gelo cumpre sua função e se desloca através dos mares congelados.

Com a proa curvada, o navio sobe sobre a calota e rompe-a de cima para baixo com o próprio peso. Os propulsores laterais da embarcação (bow-thruster), além de contribuírem para a manobrabilidade, repelem as partes menores do gelo, evitando que as laterais da embarcação sejam pressionadas.

Um dos quebra-gelos mais poderosos do mundo, o russo Arktika é capaz de quebrar calotas de até 2,8 metros de espessura. Esta embarcação, com 173,3 metros de comprimento, possui propulsão nuclear e atua nos mares gelados da Rússia. O  Arktika é o primeiro da classe de três quebra-gelos (Arktika, Sibir e Ural) construídos para operar na Rota do Mar do Norte.

Outro grande destaque destas embarcações é que sua propulsão nuclear permite que transitem de 7  a 10 anos de forma independente, sem a necessidade de recarregar seus reatores nucleares. Ou seja, tornando possível que quebra-gelos operem em locais sem abastecimento próximo sem o risco de ficarem à deriva.

Letícia Martins Bodanese
Engenheira Naval pela Universidade Federal de Santa Catarina, onde durante a graduação desenvolveu pesquisas na área da soldagem e participou por 3 anos na equipe Hydra Nautidesign, competindo no Desafio Universitário Internacional de Nautidesign (DUNA). Atualmente trabalha no departamento de planejamento da thyssenkrupp Estaleiro Brasil Sul e é pós-graduanda no curso de Engenharia de Estruturas pela Universidade Unyleya. Catarinense, apaixonada pela área naval, Letícia acredita que com dedicação e persistência tudo pode ser aprendido e alcançado.

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