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Fome: 1 milhão de pratos vazios no mundo

Querido leitor, gostaria de levantar uma pequena reflexão, baseada no último relatório da FAO, sobre um tema extremamente importante para todo Planeta, a fome. Assim, neste artigo, mostro que o mundo está retrocedendo em seus esforços para mitigar a fome e a desnutrição em todas as suas formas. Ficou interessado? Continua comigo e vamos entender a importância desse tema.

Sobre a FAO

FAO significa Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação, é uma agência das Nações Unidas que lidera os esforços internacionais para eliminar a fome. Neste sentido, seus 3 principais objetivos são:

  • a erradicação da fome, da insegurança alimentar e da desnutrição;
  • a eliminação da pobreza e a promoção do progresso económico e social para todos; e,
  • a gestão sustentável e utilização dos recursos naturais, incluindo terra, água, ar, clima e recursos genéticos para o benefício das gerações presentes e futuras.

Saiba mais sobre, clicando aqui!

Sobre o relatório da FAO

O The State of Food Security and Nutrition in the World é um relatório emblemático preparado em conjunto pela FAOFIDAUNICEFPAM e OMS. Eles buscam informar o progresso no sentido de acabar com a fome, alcançar a segurança alimentar e melhorar a nutrição. Além disso, fornecem uma análise aprofundada sobre os principais desafios para alcançar este objetivo no contexto da Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável. O relatório visa um público amplo, incluindo formuladores de políticas, organizações internacionais, instituições acadêmicas e o público em geral.

A última edição do relatório e seu alerta!

O último relatório foi publicado no dia 6 de julho de 2022. Ele mostra a situação atual da segurança alimentar e nutricional no mundo, incluindo as estimativas recentes do custo e acessibilidade de uma alimentação saudável. Todavia, o cenário não é nada bom, pois faltam apenas 8 anos até 2030 e a distância para alcançar muitas das metas do ODS 2 está crescendo a cada ano. De fato, há esforços para avançar em direção ao objetivo, mas eles estão se mostrando insuficientes diante de um contexto mais desafiador e incerto.

Além disso, o relatório destaca que a intensificação dos principais fatores por trás das tendências recentes de insegurança alimentar e desnutrição (conflitos, extremos climáticos e choques econômicos) combinados com o alto custo de alimentos nutritivos e crescentes desigualdades continuarão a desafiar a segurança alimentar e a nutrição.

Neste sentido, o relatório reconhece o atual contexto recessivo, o que torna ainda mais desafiador para muitos governos aumentar seus orçamentos para investir na transformação dos sistemas agroalimentares de que seus países precisam para alcançar o ODS 2. Assim, o relatório mergulha profundamente em como os governos estão apoiando o setor alimentício e agricultura por meio de políticas e, com base em evidências, fornece recomendações.

Vamos aos números?

  • O número de pessoas afetadas pela fome subiu para cerca de 828 milhões em 2021 (cerca de 46 milhões desde 2020, 150 milhões desde 2019.)
  • Cerca de 2,3 bilhões de pessoas no mundo (29,3%) estavam em insegurança alimentar moderada ou grave em 2021 (350 milhões a mais em relação a antes do início da pandemia de covid-19).
  • Quase 924 milhões de pessoas (11,7% da população global) enfrentaram insegurança alimentar em níveis graves, um aumento de 207 milhões em 2 anos.
  • A desigualdade de gênero na insegurança alimentar aumentou em 2021 (31,9% das mulheres apresentam insegurança alimentar moderada ou grave), em comparação com 27,6% dos homens (diferença de mais de 4%, em comparação com 3% em 2020).
  • Quase 3,1 bilhões de pessoas não podiam pagar por uma alimentação saudável em 2020, um aumento de 112 milhões em relação a 2019, refletindo os efeitos da inflação nos preços dos alimentos decorrentes dos impactos econômicos da pandemia de covid-19 e das medidas adotadas para contê-la.

E os números alarmantes não param por ai!

  • Estima-se que 45 milhões de crianças abaixo de 5 anos sofriam de desnutrição aguda (forma mais severa), aumentando o risco de morte em 12 vezes.
  • Além disso, 149 milhões de crianças com menos de 5 anos tiveram atraso no crescimento e desenvolvimento devido à falta crônica de nutrientes essenciais, enquanto 39 milhões estavam acima do peso.
  • Progresso está sendo feito em relação ao aleitamento materno exclusivo, com quase 44% dos bebês menores de 6 meses de idade sendo amamentados exclusivamente em todo o mundo em 2020. Por outro lado, 2 em cada 3 crianças não recebem a diversidade alimentar mínima de que precisam para crescer e desenvolver todo o seu potencial.
  • Cerca de 670 milhões de pessoas (8% da população mundial) ainda enfrentarão a fome em 2030, mesmo que uma recuperação econômica seja levada em consideração.
  • Há quase 3,9 vezes mais pessoas passando fome no mundo do que toda a população do Brasil.
  • Existem 15,4 milhões de pessoas (7,3 % da população do Brasil) com insegurança alimentar grave no Brasil que não podem comer hoje.

Mapa da fome da FAO aqui.

Mapa de insegurança alimentar da FAO aqui.

A redefinição das políticas agrícolas seria uma solução?

O relatório caracteriza como impressionante que o apoio mundial ao setor de alimentos e agricultura tenha atingido uma média de quase US$ 630 bilhões por ano entre 2013 e 2018. A maior parte desse apoio vai para agricultores individuais, por meio de políticas comerciais e de mercado e subsídios fiscais.

No entanto, muito desse apoio distorce o mercado, alcança poucos agricultores, prejudica o meio ambiente e não promove a produção de alimentos nutritivos. Isso ocorre em parte porque os subsídios geralmente visam à produção de alimentos básicos, laticínios e outros alimentos de origem animal, especialmente em países de renda alta e média-alta. Arroz, açúcar e carnes de vários tipos são os alimentos que mais recebem incentivos em todo o mundo. Porém, frutas e vegetais recebem relativamente menor incentivo, principalmente em alguns países de baixa renda.

Com as ameaças de uma recessão global se aproximando e as implicações que isso tem nas receitas e despesas públicas, uma forma de apoiar a recuperação econômica envolve o redirecionamento do apoio alimentar e agrícola para alimentos nutritivos onde o consumo per capita ainda não atinge os níveis recomendados para dietas saudáveis.

As evidências sugerem que, se os governos redirecionarem os recursos que estão usando para incentivar a produção, o fornecimento e o consumo de alimentos nutritivos, eles contribuirão para tornar a alimentação saudável menos dispendiosa, mais acessível e equitativa para todos.

Finalmente, o relatório também aponta que os governos podem fazer mais para reduzir as barreiras comerciais para alimentos nutritivos, como frutas, vegetais e leguminosas.

Mas quais as maneiras que os governos podem redirecionar seu atual apoio à agricultura segundo os autores do relatório?

Diretor-geral da FAO, QU Dongyu:

“Países de baixa renda, onde a agricultura é fundamental para a economia, empregos e meios de subsistência rurais, têm poucos recursos públicos para reaproveitar. A FAO está empenhada em continuar trabalhando em conjunto com esses países para explorar oportunidades para aumentar a prestação de serviços públicos para todos os atores dos sistemas agroalimentares”.

Diretora executiva do UNICEF, Catherine Russell:

“A escala sem precedentes da crise de desnutrição exige uma resposta sem precedentes. Devemos dobrar nossos esforços para garantir que as crianças mais vulneráveis tenham acesso a dietas nutritivas, seguras e acessíveis, e serviços para a prevenção, detecção e tratamento da má nutrição. Com a vida e o futuro de tantas crianças em jogo, este é o momento de aumentar nossa ambição pela nutrição infantil, e não temos tempo a perder”.

Presidente do FIDA, Gilbert F. Houngbo:

“São números deprimentes para a humanidade. Continuamos nos afastando de nossa meta de acabar com a fome até 2030. Os efeitos em cascata da crise alimentar global provavelmente piorarão o resultado novamente no próximo ano. Precisamos de uma abordagem mais intensa para acabar com a fome e o Fida está pronto para fazer sua parte aumentando suas operações e impacto. Esperamos contar com o apoio de todos”.

Diretor executivo do PMA, David Beasley:

“Existe um perigo real de que esses números subam ainda mais nos próximos meses. Os picos globais de preços de alimentos, combustíveis e fertilizantes que estamos vendo como resultado da crise na Ucrânia ameaçam levar países ao redor do mundo à fome. O resultado será a desestabilização global, fome e migração em massa em uma escala sem precedentes. Temos que agir hoje para evitar essa catástrofe iminente”.

Diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus:

“Todos os anos, 11 milhões de pessoas morrem devido a uma alimentação não saudável. O aumento dos preços dos alimentos significa que isso só vai piorar. A OMS apoia os esforços dos países para melhorar os sistemas alimentares, tributando alimentos não saudáveis e subsidiando opções saudáveis, protegendo as crianças de marketing prejudicial e garantindo rótulos nutricionais claros. Devemos trabalhar juntos para alcançar as metas globais de nutrição para 2030, combater a fome e a desnutrição e garantir que os alimentos sejam uma fonte de saúde para todos”.

Portanto, é hora de acabar com a história de pratos vazios, tome uma atitude, pois sua voz importa, e mesmo apenas um prato vazio é demais. Mas e você, já comeu hoje?

Leia mais artigos do Blog da Engenharia e da coluna Engenharia de Pesca.

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