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Afinal, o que faz o Engenheiro Patologista?

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Não é de hoje que associamos as partes da edificação com o corpo humano. Podemos entender a estrutura de um edifício como o esqueleto humano. De forma análoga, os cômodos de uma edificação como os nossos órgãos, os sistemas circulatório e neurológico como as instalações hidráulica e elétrica e as manifestações patológicas podem ser associadas às doenças. No todo, pode-se associar a Medicina Diagnóstica com a Engenharia Diagnóstica. E ainda o médico especialista com o engenheiro patologista.

engenheiro patologista
Um edifício pode ser comparado com o corpo humano

E onde Leonardo da Vinci entra nessa história?

Já pensava assim o grande Leonardo da Vinci, conforme muito bem observado pelo nosso colega engenheiro Felipe Lima. Da Vinci, pensando como um engenheiro patologista, dizia que: “Os remédios, quando usados da maneira adequada, restauram a saúde dos inválidos, e um médico fará o uso correto se conhecer a natureza humana. Uma catedral adoentada necessita exatamente do mesmo – de um médico-arquiteto que conheça a natureza dos edifícios e as leis nas quais se baseia a construção correta.”

Assim caminha a humanidade e o engenheiro patologista, hoje um título consagrado com a nossa ampla atuação dentro da engenharia.

Como identificar uma manifestação patológica?

É necessária uma visão precisa e treinada para poder ao encontrar uma manifestação patológica, saber identificar sua causa e origem. Só assim é que se pode propor o tratamento correto e definitivo.

engenheiro patologista
Como identificar uma manifestação patológica?

Entretanto, nem sempre esse olhar aguçado é suficiente para identificar o problema, tornando-se necessária uma investigação dos fatos ocorridos para fazer um diagnóstico assertivo. Mas porque isso acontece? Algumas manifestações patológicas apesar de terem aspectos semelhantes, podem ter causas e origens distintas. Fazer um diagnóstico precoce é uma atitude ingênua e perigosa e pode causar danos ainda maiores para edificação.

Para tratar uma anomalia é preciso primeiro sanar a sua causa. Sem isso o tratamento será apenas paliativo e o problema recorrente. Por isso a importância da vistoria, acompanhada de entrevistas com pessoas que tenham conhecimento dos acontecimentos, para que se possa associar e, de forma oposta, desvincular os fatos como a causa ou não das manifestações patológicas.

Mas… como se tornar um engenheiro patologista?

Para que seja possível realizar todo este trabalho é imprescindível que o engenheiro patologista seja não apenas habilitado, mas também capacitado. A capacitação vem da não só da experiência, mas, principalmente, de muito estudo e pesquisa. A engenharia civil é ampla, assim, mais uma vez comparando com a medicina, é necessário o tempo da “residência” na engenharia também, para que se torne especialista num determinado assunto.

Engenheiro patologista
Atuando como engenheiro patologista

Não temos esse tipo de qualificação oriundo das escolas de engenharia, mas é possível e aconselhável buscar isso para sua carreira. Seja se propondo a acompanhar um profissional mais experiente, seja contratando esse profissional para trabalhar em conjunto, até que se consiga uma autonomia técnica para continuar em uma carreira solo, se é que podemos chamar dessa forma.

Ainda assim, a engenharia é surpreendente e todos os dias nos deparamos com casos diversos, portanto, mesmo após esse aprendizado, sempre é iminente atuar em conjunto, ou mesmo solicitar uma consultoria, ao longo da carreira, ao ter que desvendar algo novo, ou seja, nunca enfrentado antes. Reconhecer essa necessidade de compartilhar ideias para buscar a melhor solução não é demérito e sim mostra responsabilidade e ética profissional.

Cristiana Furlan Caporrino é Engenheira Civil pelo Instituto Mauá de Tecnologia, Mestre em Engenharia de Estruturas pela Universidade de São Paulo (USP) e atualmente doutoranda na mesma área e instituição. Sócia-diretora da Furlan Engenharia e Arquitetura, empresa especializada em projetos e obras. Professora de pós-graduação no Instituto Mauá de Tecnologia, nas disciplinas Gerência de Projetos de Engenharia e Logística de Canteiros de Obras, e, na Fundação Armando Álvares Penteado (FAAP), das disciplinas de graduação Concreto Armado II, Concreto Protendido e Alvenaria Estrutural e da disciplina de pós-graduação Patologias em Alvenarias e Revestimentos Argamassados. Na pós-graduação da Funorte, ministra as disciplinas Estruturas Metálicas I e II e Análise de Estruturas de Concreto por meio de Software. Autora do Livro Patologia em Alvenarias, 2ª Edição, Editora Oficina de Textos. Administra um blog acadêmico no qual divulga novas tecnologias, além de discutir temas teóricos de várias áreas da engenharia. Ministra palestras e cursos e possui vasta experiência em projetos estruturais, tendo participado de projetos de barragens, indústrias, refinarias de petróleo, hospitais e empreendimentos corporativos, além de projetos em mineração, aviação civil, comércio e infraestrutura.

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