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Primeiramente, saber o presente e o passado é muito importante, mas atualmente para o agronegócio só isso não é suficiente. Se torna, de grande importância observar as perspectivas e projeções feitas para a cultura da soja. Então, vamos nessa!


Antes de mais nada, a estimativa para a safra de grãos 2020/21, com a pesquisa de campo realizada na última semana de fevereiro realizada pela Conab, mostrou um crescimento significativo na produção, com um volume de 135,15 milhões de toneladas (15,4 milhões de toneladas superior ao obtido em 2019/20).

A CULTURA DA SOJA

Assim sendo, a cultura manteve a tendência de crescimento na área cultivada, a estimativa aponta para uma área de 38,5 milhões de hectares, crescimento de 4,1%  em relação ao ciclo passado.

Contudo, vimos uma evolução das lavouras, onde no início ocorreram registros de precipitações abaixo das médias históricas em praticamente todos os estados produtores. Mas, em dezembro e janeiro, houve a ocorrência de precipitações mais volumosas, ou seja, condições mais adequadas para normalização no desenvolvimento das lavouras, maior homogeneidade.

Assim sendo, atualmente quando a colheita deveria ocorrer, abrindo caminho para o plantio da segunda safra de milho ou de outras culturas, e mesmo para o escoamento aos mercados consumidores, as operações no campo foram afetadas pela incidência de chuvas, na maior parte dos estados produtores, retardando a colheita.

OFERTA E DEMANDA

A Bolsa de Valores de Chicago (CBOT) cresceu 56,11% em relação a fevereiro de 2020. Com relação a janeiro de 2021, a alta dos preços Chicago atingiu 0,54%, ou seja, cresceu de um mês para outro dde forma significativa.

A valorização no mercado internacional em 2021 tem como fundamento a forte demanda de soja para exportação nos Estados Unidos, que ocasionaram no menor estoque desde a safra 2013/14.

Outro fator que eleva a volatilidade dos preços, foi a divulgação (preliminar) da estimativa de área de soja nos Estados Unidos do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (Usda), onde estimou que, para a safra 2021/22, os estoques devem continuar abaixo de 4 milhões de toneladas. Segundo o Usda ainda, a área de soja nos Estados Unidos para a safra 2021/22 deverá ser de 36,42 milhões de hectares, enquanto na safra 2020/21 este valor foi de 33,13 milhões de toneladas.

Esse número é considerado baixo, pois é praticamente o mesmo que o estimado para safra 2017/2018, de 36,24 milhões de hectares, ou seja, apenas agora os Estados Unidos estão recompondo a sua área perdida. A produção americana para a safra 2021/22 será de 123 milhões de toneladas, um aumento de 9,4% se comparada a safra 2020/21.

Dessa forma, portanto, os preços internacionais foram elevados em março, devido a forte demanda e baixos estoques mundiais.

MERCADO BRASILEIRO

Com a colheita da safra atrasada, acaba tendo uma maior concentração de produto nos portos, os prêmios em fevereiro fecharam negativos, permanecendo assim até que os portos estejam menos demandados, com maior porcentagem de área colhida.

Assim, com os preços internacionais em alta e com o real desvalorizado, os preços nacionais, de fevereiro de 2021, continuaram elevados com variação positiva101% maior que fevereiro de 2020. Por consequência do atraso no plantio de 2020, as exportações de fevereiro foram muito baixas devido ao atraso na colheita. As exportações de fevereiro de 2021 foram de apenas 2,89 milhões de toneladas, valor 40% menor que o exportado em fevereiro de 2020,

Para a safra brasileira de 2020/21, a produção de soja em grãos é estimada em 135,milhões de toneladas. Espera-se que as exportações atinjam um número próximo de 86,1 milhões de toneladas, número fundamentado pela forte demanda chinesa.

A demanda interna para a safra 2020/21 está estimada em 49 milhões pelo crescimento da economia, do aumento da produção de carnes para exportação e da mistura do biodiesel.

Para março deste ano, o esperado era que as cotações nacionais da soja permanecessem elevadas, pelos preços internacionais e o dólar elevado, e assim aconteceu. Outro ponto é que um maior percentual de área colhida ocorreu em março de 2021, estimulando também uma maior exportação a partir deste mês, com portos movimentados.

ANÁLISE REGIONAL

Na Região Sudeste teve incremento expressivo cerca de 12% na área plantada, atingindo 3.079,5 mil hectares. A produção também registra aumento de 12,2% em relação ao ano passado, atingindo 11.371,1 mil toneladas.

Em Minas Gerais, a lavoura da soja aparece como a principal estratégia de plantio do produtor e para a segunda safra. Os preços da soja induziram a decisão do produtor de aumento na área. 

Em Santa Catarina, as lavouras têm sido favorecidas pelo regime de chuvas deste ciclo agrícola. Ainda que algumas áreas semeadas em setembro e outubro, onde cerca de 37,2% do total, sofreu com a estiagem, o restante foi beneficiado por precipitações constantes e volumosas principalmente em dezembro e janeiro.

Enquanto a expansão da área semeada contribuiu com 2,1% em relação à safra anterior, a produtividade cresceu entorno dos 10,2%, e a produção um crescimento de 12,5%.

Demais regiões

Projeção safra 18/19 até 28/29

A produção de soja no país para 2018/19 foi em torno de 114,3 milhões de toneladas. A produção é liderada pelos estados de Mato Grosso, com 28,1% da produção nacional; Paraná com, 14,2%; Rio Grande do Sul com 16,8%; Goiás, 9,9%; Mato Grosso do Sul, 7,4%.

Mas, a produção de soja está migrando também para novas áreas, como exemplo no Norte do pais, alguns exemplos de estados: Maranhão, Tocantins, Pará, Rondônia, Piauí e Bahia (2018/19 respondem por 14,0% da produção brasileira).

Foram analisados vários fatores para elaborar a projeção como: expansão de produção, rebanho bovino, abates de animais, preços de terras, mostram tendência do crescimento da agricultura para o Norte.

A projeção de soja em grão para 2028/29 é de 151,9 milhões de toneladas. Esse número representa um acréscimo de 32,9% em relação à produção de 2018/19. Já uma projeção de produção da FIESP (2019) para 2028, é de 162,3 milhões de toneladas.

O consumo projeta-se aumentar 22,6% até 2028/29. Deve crescer nos próximos anos pouco acima do consumo de milho, onde ambos são essenciais na preparação de rações, em proteína e energia (Bovinos, suínos e aves).

A área de soja deve aumentar 9,5 milhões de hectares nos próximos 10 anos. É a lavoura que mais deve expandir a área na próxima década. Representa um acréscimo de 26,6% sobre a área que temos com soja em 2018/19.

A produtividade da soja é considerada como grande desafio nos próximos anos. Pelo fato de que as projeções da produtividade mostram uma relativa estagnação, cuja média nacional fica em torno de 3,0 toneladas por hectare. Está projetada para atingir entre 3,2 e 3,7 toneladas por hectare no próximo decênio.

A soja deve expandir-se por meio de uma combinação de expansão de fronteira em regiões onde ainda há terras disponíveis (terras de pastagens e substituição) de lavouras onde não há terras disponíveis para serem incorporadas (Conab, 2014).

Estima-se que a expansão de área deve ocorrer em áreas de grande potencial produtivo, como as áreas de cerrados nos estados de Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia (região que atualmente é chamada de Matopiba).

O Mato Grosso deverá perder força nesse processo de expansão de novas áreas, devido principalmente aos preços de terras nesse estado que são mais que o dobro dos preços de terras de lavouras nos estados do Matopiba (o preço da terra é um fator decisivo).

As exportações de soja em grão do país, projetadas para 2028/29 são de 96,4 milhões de toneladas. Um aumento próximo a 28,4 milhões de toneladas em relação a quantidade exportada pelo Brasil em 2018/19.

Agentes de tomada de decisão para plantar ou não soja

Um dos grandes fatores para se plantar é a rentabilidade que oferece ao produtor. Não adianta plantar milho onde não chove, tem que se ter uma adequação a realidade climática da região que se situa.

Assim sendo, outro fator é tecnologia em sementes, cultivares de soja mais adaptadas a condições adversas, onde antes não tinha possibilidade, hoje já se planta. Um exemplo tiro da minha região, áreas de baixada, com maior humidade, onde se tinha o plantio de arroz irrigado a soja é usada como uma espécie de rotação para diminuir o banco de sementes do arroz daninho, onde a soja vem apresentando boa produtividade.

Dessa forma, as áreas estão se expandindo no Brasil e mundo a fora, a demanda pela soja está muito alto, e a demanda funciona como um incentivo ao plantio da cultura.

É importante realizar um estudo, do que plantar e quanto plantar. Um estudo que eu falo de custo, qual terá uma maior rentabilidade. Quando custa plantar arroz nesse hectare, e quanto custa para a soja. Isso é uma função importante para nós engenheiros. Mas não existe bola de cristal, sempre ficar atento a diversidades que podem surgir.

Fator importante para levar em consideração: Estoques mundiais baixos, alta demanda, dólar em alta,  aumento do valor da soja.

Soja é uma commoditie, é um produto com padrão estabelecido que o mercado conhece e os preços não são na maior parte definido localmente e mas como também internacionalmente.

Soja exportação segundo Franciele Linck:
  • Máximo de 14% de umidade;
  • Máximo de 1% de impureza e;
  • 8% grãos avariados.

Importante a padronização desde a colheita/armazenagem, porto não tem função de armazenar e sim de transportar a soja, por isso tem esse padrão definido.

Vamos falar de logística, 1 hectare bem conduzido terá uma média de 55 sacos. E milho produz até 3 vezes mais, chutando baixo. O volume influencia, por exemplo, para armazenar, para transportar… mas o custo de milho é mais alto. E ai planta soja ou milho?

Poucos armazéns,  Estradas cheias e até muitas vezes precárias, sem muitas possibilidades de escoar a produção e o preço que sobra é penalizado pelas mas condições e por isso é importante investir na logística, em um país dependente do agronegócio, politicas para desenvolvimento do agro.

Guerra comercial, EUA-CHINA

Antes de mais nada, a China é o principal mercado consumidor do país, somos o maior produtor seguido por EUA. E a china é a maior consumidora no mundo. Trump balançou diversos acordos comerciais, e isso impacta nas relações comerciais do mundo a fora. E mesmo que a China compre todo o estoque do país ela ainda ia ter que comprar dos EUA uma parte. E Brasil e EUA são dependentes do consumo da china.

Ou seja, Um tuite pode gerar grande movimentação de alta ou baixa nas bolsas.

O que presta atenção para os próximos anos para o preço da soja?

Primeiramente, é muito importante ficar atento a demanda, se ela vai continuar alta, aquecida (que foi o motivo das ultimas altas da bolsa de Chicago), demanda do mercado chinês, que voltou com o plantel de suínos.

Assim a oferta deve ser levada em consideração, para no momento certo vender, e ficar atento ao dólar (importante para rentabilidade). Ficar ligado ao covid e aos impactos da pandemia na economia mundial, ou seja, afetam o dólar que vem a afetar ao preço da soja.

Portanto, as perspectivas são positivas! Ou seja, devemos ficar de olho na produtividade, e no mundo a fora. Vamos nos manter atualizados e espero você aqui no próximo artigo para batermos um papo!

Guilherme Matos de Carvalho
Catarinense, 22 anos, formado em Técnico em Agropecuária (2016) e graduando em Engenharia Agronômica no Instituto Federal Catarinense Campus Santa Rosa do Sul- SC. Membro dirigente no CREAjr-SC na regional de Araranguá-SC, e Vice presidente no Centro Acadêmico de Agronomia em 2020. Ama o agro, ama escrever e ama se rodear de boas pessoas. Sonhador, fã de games e louco por conhecimento.

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