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Tudo que esperamos quando vamos à praia é sol, área e muita diversão, não é mesmo? Mas você já ouviu alguém falar que estava dentro da água ou mergulhando e de repente sentiu a pele arder? É, com toda certeza incomoda, dói e arde muito! Talvez já aconteceu até com você.

Mas você já se perguntou o que causa essa queimadura? Essa queimadura é causada por águas-vivas, ou medusas, como muitos conhecem. Neste artigo, vou te explicar o porquê e como as águas-vivas queimam!

Primeiramente, vamos conhece um pouco sobre as águas-vivas?

As águas-vivas remetem a vários organismos marinhos, como cnidários, ctenóforos e taliáceos, que possuem corpo transparente de consistência gelatinosa, já que cerca de 98% dele é composto por água. Elas são semelhante à de um guarda-chuva aberto, com tentáculos na extremidade inferior, e são consideradas como um dos animais mais incríveis do reino animal.

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Espécie de água-viva.

Contudo, é importante destacar que apenas os cnidários são responsáveis pelos acidentes com banhistas.

Mas afinal, por que e como elas queimam?

As queimaduras das águas-vivas ocorrem porque em seu corpo, principalmente nos tentáculos, há células denominadas cnidócitos que produzem toxinas, que ficam armazenadas em pequenas cápsulas, chamadas de nematocistos.

Essas toxinas são usadas para capturar presas e se defender de ameaças. Esse último caso é o que acontece com os banhistas. Ou seja, quando os tentáculos das águas-vivas entram em contato com a pele de um banhista desavisado as toxinas são ativadas e então injetadas na pele.

A imagem mostra três cnidócitos em três estágios diferentes. No primeiro a célula esta em repouso, no segundo mostra o inicio da ativação do nematocisto e a terceira apresenta já o nematocisto todo esticado.

Composição de um cnidócito. Perceba que dentro da célula há o nematocisto, ativado ao toque.

Então, por se tratar de uma inoculação de toxinas, o termo “queimadura” que você talvez já tenha ouvido acaba se tornando inapropriado, sendo mais adequado usar os termos “intoxicação” ou “envenenamento”.

Mas quão perigoso a intoxicação é?

Embora as águas-vivas possam matar suas presas, o seu veneno geralmente não é fatal aos seres humanos, com algumas exceções. As espécies que ocorrem no Brasil não causam lesões epidérmicas graves e os sintomas geralmente se resumem a dores fortes ou irritações na pele, mas em casos raros podem causar febre, câimbras, vômitos, dificuldades respiratórias e nesses casos recomenda-se a procura por atendimento médico.

O que fazer quando houver uma queimadura de água-viva?

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Queimadura de água-viva em banhista.

  1. Saia da água imediatamente;
  2. Procure um posto salva-vidas para receber os primeiros socorros;
  3. Caso não encontre um posto, lave, com cuidado e sem esfregar, a área afetada com água do mar (nunca com água doce!);
  4. Aplique vinagre, caso tenha (nunca álcool ou amônia!), pois essa substância desativa os nematocistos ainda carregados;
  5. Nada de urinar na região do contato, como muitas pessoas pensam! A urina pode ter o efeito parecido com o da água doce;
  6. Em casos de tentáculos na pele, remova com auxílio de luva ou um instrumento de plástico (preferencialmente pinças, mas, na falta, um cartão bancário, carta de habilitação ou algo similar servirão) e reaplique novos banhos de água do mar e vinagre;
  7. Identifique possíveis reações alérgicas como espirros, dificuldade para respirar, marcas na pele em outras regiões não afetadas, inchaços no rosto e garganta. Nesses casos, procure assistência médica o mais rápido possível.

Portanto, quando você for à praia e sentir uma ardência na pele, saia imediatamente do mar e procure ajuda e siga os procedimentos mencionados. Mas ei, nunca mate ou machuque a água-viva, pois é você que está adentrando na casa dela, não é mesmo?


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Ivanilson Santos
Engenheiro de Pesca pela UFRPE. Atualmente é mestrando em Aquicultura pela UFSC e integrante do Laboratório de Camarões Marinhos, onde desenvolve pesquisas em Aquicultura, com ênfase no cultivo e nutrição de camarões marinhos em sistema de bioflocos. Também possui experiência nas áreas de Ecologia de Ecossistemas Aquáticos Continentais, Biotecnologia de Microalgas e Pesca. Cristão, pernambucano, ama violão e xadrez e busca fazer a diferença no mundo, não apenas no âmbito pessoal e profissional, mas também semear conhecimento em prol da ciência, da sociedade e da conservação do meio ambiente. Instagram: @ivanilsonsnts

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2 Comments

  1. Muito boa abordagem Ivanilson, agora que já sei o que fazer quando ocorrer uma “intoxicação”.

  2. E parecem inofensivas!!!

    Grama Esmeralda São Carlos Santo Agostinho Bermudas Coreana Japonesa Batatais Amendoim

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