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Por que é que a Gente é assim?


É na Escola de Engenharia que começa a ser destruída a nossa autoestima.

É na Escola de Engenharia que começa a ser forjado o nosso comportamento autodestrutivo, nosso desprezo pelos valores da própria profissão, nosso desgosto com a nossa própria atividade profissional.

É na Escola de Engenharia que nasce a nossa falta de coragem empresarial e essa submissão inaceitável aos caprichos dos clientes.

É batata! Toda vez que, numa conversa qualquer, o assunto “comportamento no mercado” vem à tona, acabamos caindo nas inevitáveis comparações de engenheiros, Arquitetos e Agrônomos com Médicos, Dentistas e Advogados…

Quando me perguntam o que eu acho disso (dessa comparação de profissionais tão diferentes), respondo sempre a mesma coisa: acho que essa comparação é JUSTÍSSIMA.

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Se eu, engenheiro, por qualquer motivo, tiver de ser comparado com outros profissionais, acho muito justo que seja com médicos, com dentistas ou com advogados. Afinal temos muito mais coisas em comum do que diferenças. Somos todos prestadores de serviços. Nosso produto (nosso serviço) é altamente especializado e todas essas atividades demandam profissionais com capacidade intelectual superior. Não se chega a ser médico, advogado, dentista, agrônomo, arquiteto ou engenheiro apenas por ter um belo par de olhos, uma voz doce ou algum dinheiro no banco…

O exercício das profissões e o comportamento empresarial de cada grupo, no entanto, é o que tem construído enormes diferenças operacionais, comportamentais e, consequentemente, patrimoniais, entre engenheiros, médicos, arquitetos, dentistas, advogados e agrônomos. Mas isso não elimina as semelhanças imensas que sempre tiveram e que ainda tem. Neste texto concentramos nossas reflexões sobre a formação dos profissionais de engenharia.

No entanto, nossa experiência e a convivência com milhares de arquitetos e agrônomos dos mais distantes lugares do Brasil nos permitem acreditar que os conceitos podem se estender sem problemas também para esses profissionais.

Voltemos no tempo. Voltemos ao tempo em que essa pessoa (que hoje é um engenheiro) tinha seus quinze, dezesseis anos, um ou dois anos antes do vestibular. Esse moço ou essa moça é, muito provavelmente, um dos melhores alunos da sua sala (talvez da escola). É um expoente estudantil, requisitado pelos colegas, elogiado pelos professores, respeitado pelos pais, de quem é motivo de muito orgulho, valorizado pelos parentes, pelos vizinhos, admirado pelas garotas (ou garotos).

Comparemos nosso amiguinho com o estudante de quinze ou dezesseis anos que virá a ser médico, dentista ou advogado. Veremos quase nenhuma diferença.

É isso mesmo. Na origem, são todos iguais. Têm o mesmo perfil, a mesma história, o mesmo rendimento. Todos são brilhantes e bem sucedidos.

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Vem o vestibular. Ingressa, cada qual na faculdade que escolheu….

E é aí que as diferenças começam a aparecer.

Os estudantes de medicina e de odontologia são enquadrados em um ambiente novo, com pessoas que se vestem de uma maneira diferente, se comportam de uma maneira diferente e que estabelecem uma identidade visual (e, por decorrência, uma identidade psicológica) com a atividade profissional que irão exercer alguns anos depois.

Os estudantes de direito, já nos primeiros meses de escola convivem com professores que vêm para as aulas de terno, gravata, sapato social, barba feita ou bem cuidada. E o mais interessante: aqueles senhores e senhoras respeitáveis, bem vestidos e de fina educação (os professores), tratam os seus alunos por “senhor” ou “senhora”, com toda a fineza e educação que a prática profissional recomenda. E estimulam seus alunos a acreditar e se convencerem de que são superiores. Que estão se preparando para “falar com o Estado” (privilégio que não é concedido a nenhum outro profissional…).

Enfim, aprendem que precisam respeitar os outros, mas aprendem, antes de tudo, que precisam exigir respeito para si.

Nos últimos anos de faculdade, estudantes de odontologia e medicina já se vestem como se médicos ou dentistas fossem. Frequentam clínicas e atuam como profissionais na área da saúde. Assumem, enfim, um ou dois anos antes de terminada a faculdade, todo um comportamento típico de médico. De dentista.

Os estudantes de Direito, por sua vez, a partir da Segunda metade do curso, já se vestem como advogados (roupa social, sapato, eventualmente gravata e um terno ou blazer…). Mantém com os seus professores e com os seus colegas um comportamento e um vocabulário apropriado para as lides jurídicas. E, o mais importante: são tratados, pelos seus professores, como Doutor. (Dr.Fulano, termine seu relatório até a próxima aula. Dr. Sicrano, esteja preparado para a prova final, na sexta-feira). Apesar de ainda não terem concluído o curso.

Os estudantes de engenharia, ao contrário, desde o início do curso, a única diferença que eles conseguem perceber na faculdade, em relação ao ensino médio é o grau de dificuldade (que simplesmente quintuplica!).

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Não existe nenhum estímulo a um comportamento novo, nenhuma referência, um exemplo positivo de comportamento. Nenhuma motivação para um desenvolvimento psicológico alternativo. Nenhum elemento que interfira na formação do profissional do ponto de vista da sua imagem física composta de aspectos visuais e comportamentais.

A vida social, no ambiente da faculdade, é muito restrita, quando não inexistente.

Além do mais, a faculdade entra na vida desses jovens como um elemento de ruptura. Os alunos são colocados em uma condição a que eles não estavam acostumados. Estavam acostumados a tirar notas máximas com a maior facilidade e, de repente, passam a sofrer e ter grandes dificuldades para obter notas mínimas ou médias. Deixam de ser respeitados pelos seus professores que se tornam distantes e autoritários e perdem a admiração dos colegas que estão todos desesperados tentando se salvar de uma coisa que ainda não estão entendendo direito.

Não que as faculdades de medicina, direito ou odontologia sejam fáceis. Ocorre que lá os estudantes têm compensações psicológicas que os estudantes de engenharia não têm. Essas faculdades, por diversos mecanismos, inexistentes nas escolas de engenharia, dão continuidade ao amadurecimento psicológico e social do futuro profissional. E, com isto, mantêm em alta a motivação e autoestima dos seus estudantes.

Na engenharia não existe nenhum processo de acompanhamento psicológico para aquele estudante desesperado que teve a sua carreira de sucesso estudantil subitamente interrompida (mesmo os alunos que continuam conquistando notas altas, acabam sentindo a falta do aplauso dos colegas, do respeito dos professores e da admiração coletiva). E não existe ninguém para explicar o que está acontecendo. Ninguém para dizer a este estudante que ele não é tão inepto ou incapaz como, algumas vezes os professores parecem querer provar.

É quase geral, por parte dos professores, nas escolas de engenharia, o exercício gratuito de poder e o terrorismo psicológico.

E o aluno, que entrou na faculdade no auge positivo da autoestima, vai recebendo, ao longo de cinco anos, das mais variadas formas, uma única mensagem: “Você não é tão bom quanto você pensava que fosse!”…

Ao contrário dos estudantes de direito, medicina ou odontologia, que têm como professores, profissionais que atuam no dia-a-dia de suas atividades, os estudantes de engenharia passam cinco anos submetidos aos rigores (e, em alguns casos, caprichos) de engenheiros que não atuam, profissionalmente, como engenheiros e sim como professores, e que, portanto, não têm a vivência da atividade profissional e não têm a ciência ou a consciência das relações comerciais que vão definir o sucesso ou o fracasso dos profissionais que eles estão formando.

Como resultado disso, ao final de cinco anos, o estudante de engenharia se transforma em um engenheiro. E este engenheiro é completamente desprovido de autoestima, de respeito próprio, de prazer profissional ou de consciência de mercado. Na metade do último semestre da faculdade, dois meses antes de receber o diploma e ser entregue aos leões do mercado, o estudante de engenharia ainda é tratado como mero es-tu-dan-te.

Em momento algum, durante a faculdade, o estudante de engenharia é tratado como engenheiro, em momento algum, durante esses cinco anos, a escola propicia a percepção da mudança de condição de estudante para a condição de profissional.

Estudantes de direito, medicina e odontologia, ao contrário, muito antes do fim da faculdade já têm uma noção razoavelmente clara das dificuldades do exercício profissional que eles irão enfrentar. Com isso vão desenvolvendo mecanismos psicológicos de defesa e saem da faculdade com maior grau de segurança. Entram no mercado profissional de cabeça erguida, com uma consciência de valor. E com todo o processo de construção da imagem profissional em andamento.

Estudantes de engenharia não são estimulados a se vestir bem, nem a ter preocupações com técnicas de comunicação ou relacionamento social ou de exercício intelectual não linear. Com isso acabam não desenvolvendo habilidades gerenciais ou de relacionamento com o mercado.

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Esta é uma das razões pelas quais as organizações de engenharia são quase sempre extremamente burocráticas e conservadoras. Os engenheiros, via de regra, só vão perceber os resultados da negligência com a imagem física e o comportamento no mercado, depois de já terem acumulado algumas perdas desnecessárias (algumas das quais, infelizmente, irreversíveis).

E qual é a utilidade desse discurso? Qual a importância de se colocar este tema no papel? Porque tornar pública esta opinião, que, com certeza aborrecerá alguns segmentos? Ninguém é ingênuo a ponto de acreditar que a simples leitura deste ensaio leve um diretor de escola de engenharia, um professor, um estudante ou um profissional de engenharia a alterar o seu comportamento.

O que se espera é que essas pessoas, a quem o texto é dedicado, tenham um momento de reflexão. E que a esse momento de reflexão se siga uma atitude. E que essa atitude tenha como objetivo dar um futuro melhor para a engenharia no Brasil.

A engenharia depende dos engenheiros. E os engenheiros começam a ser formados aos quinze ou dezesseis anos, ainda no ensino médio.

Eu ainda acho, como sempre achei, que o conhecimento científico que é transmitido aos estudantes durante a faculdade de engenharia é fundamental. E que o valor da engenharia está sustentado na capacidade intelectual e técnica dos seus profissionais.

No entanto, vejo como importantíssima uma nova visão, nesse processo de formação do engenheiro, que leve em consideração todo o relacionamento social dos estudantes entre si e com os seus professores. É importante que, aos estudantes, seja transmitida uma visão mais clara das relações comerciais que eles enfrentarão na vida profissional, seja na condição de profissionais autônomos, empresários ou empregados em alguma empresa.

Em qualquer um desses casos as relações sociais são elementos definitivos para o sucesso. É um “detalhe” que faz toda a diferença. Na Escola de Engenharia o engenheiro precisa ser “construído” para ser um vencedor.

Precisa ser estimulado a acreditar no seu potencial. Confiar na sua inteligência. E, acima de tudo, precisa aprender a importância de manter a cabeça erguida.

Texto de Ênio Padilha

Gostou? Comente o que achou deste texto, diz muito sobre nossa carreira de engenheiros e futuros engenheiros.

Eu, particularmente, por já ser formado em uma área de humanas e ter trabalhado com marketing e comunicação, sempre notei uma grande diferença de postura entre os das referidas áreas e os engenheiros. Em conversas com engenheiros de algumas áreas distintas, sem exceção, todos sempre ressaltaram a respeito da importância da habilidade no relacionamento interpessoal, social e principalmente na gestão de pessoas. Com isso, vejo que é de suma importância todos se preparem e irem atrás de suprir este déficit de conhecimento e experiência que se tem (ou melhor, não tem) durante o curso de engenharia.

Uma filosofia que aprendi e levo sempre comigo é: “Tenha determinação e vá sempre de encontro aos grandes desafios. Não opte pelo caminho mais fácil. O caminho mais difícil, com certeza, sempre será mais gratificante.” Eduardo Mikail


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  • CHRISTIANO RUBEM

    Colega nunca tinha pensado por este ângulo.Tudo certinho. Acho que o próprio professor já tem uma imagem do aluno de eng arrogante e talvez por isso eles sintam “prazer” (kk) em explicar um novo assunto de maneira também arrogante. fazendo uma pergunta como: alguém sabe qual a distância de uma galáxia para outra. sobre a aparência…um colega já expôs e concordo. só tem homem nessa porra kkk. já dizia um prof …’mulher que faz engenharia tem cabelo no sovaco’ kk

    mas falando sério….você está certo! os prof deveriam está mais preocupado em nos preparar para os desafios da profissão, nos incentivando do que nos testando .

    rapaz a minha facu é pública a média é 8. é quase impossível e se não alcançar vai fazer a prova final. mesmo se tirar 10 você fica com 6 de média. é melhor reprovar kk
    só acho mais difícil, pois de fato temos de aprender por osmose .

  • Louise Araujo

    Texto incrível! Parabéns ao autor. O texto mostrou de forma clara a realidade para um estudante de engenharia. Muito bom

  • João Carvalho

    Descordo do texto…..tenho 39 anos e sou técnico mecânico, trabalhei em uma multinacional Alemã por 7 anos e via nos engenheiros uma postura muito diferente das descritas no texto, pessoas bem arrumadas, super inteligentes e educadas, bem sucedidas na profissão. Comecei a cursar engenharia mecânica no começo deste ano, tem alunos que vem de terno pra aula, outros com roupas normais, mas dizer que alunos de engenharia andam mal arrumados, é dizer uma besteira enorme. O que vejo também, são alunos que vem direto do trabalho e é lógico, um pouco sujo, mas relaxamento não. Outra coisa, todos os meus professores são profissionais que atuam no mercado e com vasta experiência na área de engenharia, com uma carga de conhecimentos que motiva ainda mais essa minha escolha. O exemplo do autor do texto argumentando sobre alunos de 16 anos ingressando na engenharia e ter dificuldades, isso é lógico, na minha turma tem mais da metade de alunos que trabalham na área mecânica, tem vários técnicos, até engenheiros civis e ta na cara que esses se destacarão por ter conhecimento e vivência, mas acho também que aluno de engenharia não esta na faculdade para ficar recebendo elogios pois no mercado de trabalho as cobranças são ainda maiores e ninguém fica passando a mão na cabeça.
    Essa é a minha opinião.

    • João Carvalho

      Só uma correção, no inicio do texto o correto é Discordo e não descordo….na correria escrevi errado.

  • Rodrigo

    Genial.

  • Entre las carreras técnicas la de Ingeniería es una de las más difíciles. La formación matemática del Ingeniero le permite llevar su razonamiento a un nivel superior al de las profesiones que no utilizan las matemáticas en su formación. Tal superioridad hace que los ingenieros no estimen esas veleidades de otras profesiones que para aparecer necesitan utilizar uniformes o vestirse con traje y corbata. La humillación del salario para estos profesionales es una verdadera tortura, pues si se compara el salario de los ingenieros con los de un tenista, un futbolista, un presentador de TV, un parlamentario, un presidente, un Juez, uno podría hasta creer que la ciencia no tiene valor. Sin embargo en el mercado lo que cuenta es lo que se sabe hacer y este paga por lo que se sabe hacer. Las aberraciones salariales de los sectores citados sólo se explica por las especulaciones del capital. Los ingenieros deben ser cada día más libres e independientes para garantizar un constante desarrollo de las obras dedicadas al aumento de la producción y el placer de la sociedad. Ser Ingeniero es ser un Profesional Liberal. No se necesitan colegios profesionales para ejercer la Ingeniería, si una constante actualización de las reglas de construcción.

  • thais barbosa bandeira

    muito bom, Eduardo!!!!

  • Incredible article bronks!

  • Thais Martins

    É bem assim mesmo. Nós engenheiros por muitas vezes não temos a mesma admiração das demais profissões simplesmente pelo comportamento. Já tinha reparado nisso por experiencia própia. Quando cursei o técnico de farmácia e usava o jaleco diariamente todos admiravam. Hoje em dia curso Eng. Mecânica e nossa, quanta diferença. Normalmente as pessoas me veem como uma pessoas que só sabe fazer contas e máquinas. Enquanto os demais são vistos como “heróis”, sendo que TODOS somos heróis. O que seria do mundo sem nós os engenheiros? Assim como o mundo não seria nada sem os médicos, advogados ou dentistas. É lamentável isso.

  • Brenda Rodrigues

    Poxa, escreveu tudo que venho passando na faculdade até agora… obrigada, pois agora poderei encarar os fatos de maneira diferente. Ouvi falar sobre calouros entrando em depressão, deixando de comer e dormir e até vi uns chorando pelos corredores… É um curso muito difícil, mas tenho certeza que valerá à pena, pois essa é a profissão do meu coração.

  • Stefani Freitas

    O texto é ótimo. No entanto, concordo em partes. Vou explicar.
    Estou nas duas vertentes. Me formei em engenharia elétrica e continuei estudando, fiz mestrado e na semana passada concluí meu doutorado. Durante o doutorado comecei a dar aulas. Por isso, como simultaneamente eu estudava e lecionava, vou dizer um pouco da minha percepção.
    Acho que os engenheiros não tem rótulos. Não existe um código, vestimenta ou comportamento que nos defina e isso, sinceramente, me alegra bastante.
    No mais, o sentimento que eu vim desenvolvendo ao longo dos meus anos de estudo, ao vencer tantos desafios e dificuldades, foi que eu poderia fazer qualquer curso no universo e que seria capaz de desempenhar muito bem.
    Agora com relação a baixa estima que as vezes alguns professores nos passam.. sim é verdade, acontece. Mas penso, de verdade, que isso não é privilégio nosso. Existe em qualquer curso.
    Senti em algumas oportunidades que os docentes com percepção de mercado, ou seja, aqueles que tem empresa e atuam na área, por muitas vezes se sentiam incomodados ao se deparar com alunos que se destacavam e o discurso ” você não é tão bom quanto pensa” vinha diretamente desses professores.
    Agora estou ingressando definitivamente na vida de docente de engenharia, quero cuidar para não ficar pessimista. E estimular meus alunos sempre, pois se você é capaz de fazer um curso de engenharia bem-feito… ah…. você pode tudo!

  • Realmente esta é a realidade de nossa vida acadêmica… O único momento que vi uma breve formação de identidade é quando vestimos o jaleco azul… Mesmo assim é algo que não chega aos pés da formação de áreas que recebem um Dr.

  • JADELSON PEREIRA

    Descreve perfeitamente a rotina dura de um estudante de engenharia seja ela de qualquer especialidade. Muitas vezes somos tratados pelos professores como soldados que estão sendo preparados para uma batalha.

  • Isabela B.

    Achei o artigo excelente! Isso é extremamente verdadeiro. Porém algumas faculdades já começaram a mudar esse cenário, óbvio que a passos pequenos. A minha instituição é um exemplo, quase a totalidade dos meus professores do ciclo profissional atuam no mercado, e isso dá uma outra visão ao estudante, pois além de passarem os conhecimentos técnicos, eles nos passam as experiências (boas e ruins) da vida profissional.

  • Axel de Góes

    Excelente texto! Ênio Padilha é uma grande referência não só aos futuros engenheiros. Temos toda uma geração de engenheiros formados por este sistema estúpido. São vários os engenheiros sem auto-estima e que não tem prazer em lembrar de sua época de universidade. Parece que foram os piores anos de sua vida. A graduação foi a sua carta de alforria.

  • Ellen J

    Não acho que todos os casos sejam assim, tenho como exemplo minha universidade.
    Desde a primeira semana confesso que existe uma pressão enorme!
    Mas todos os professores nos incentivam falando que o caminho vale a pena e mais, eles dizem que estamos no melhor curso sim.
    Existe certo terrorismo? Depende do ponto de vista.
    Quem faz a faculdade a mais de 2 semestres sabe que você REALMENTE não sabe nem 1/8 do que achava que sabia e que é um curso que exige MUITO, tem que gostar mesmo.
    Eles na verdade alertam, engenharia não é curso pra quem quer nome, status ou se aparecer.
    Engenharia é pra quem quer SER a diferença, pra quem se desafia todos os dias e ama o que faz.

  • Fala serio, que texto sensacional do ÊNIO PADILHA. Realmente isso ocorre sou estudante do 4° semestre engenharia Civil aulas chatas sem atrativo e sem motivação nenhuma….cálculos e mais cálculos…e professores fazendo terrorismo psicológico o tempo todo…

    PARABÉNS EDUARDO MIKAIL POR COMPARTILHAR.

  • Bruno

    Só li verdades! Texto ótimo e que me deu ainda mais força de vontade para seguir adiante e sempre se empenhar mais e mais! Infelizmente essa falta de treinamento do que realmente é o Mundo Real afeta muitos dos profissionais da área da engenharia.

  • Pamela Caporalli

    Muito interessante tua visão. Sou estudante de jornalismo e, com base na nossa cultura, percebemos como esse estereotipo está impregnado na nossa cultura e nós, estudantes mesmo sem querer/perceber, sofremos com isso!

    • Fico bastante contente em saber que estudantes de diversos outros cursos acessam o blog! 😀

  • Renataly Silva

    Realmente já tinha notado essa postura na universidade, tanto que quando brincava chamando meus amigos de Eng. Bruno Ou Engenheira Nicole, eles riam e parecia que eu me referia a outra pessoa.Como eu e uma amiga começamos a estagiar em órgãos públicos antes de toda turma, os professores e alunos nos veem diferentes,logo adotamos a postura de manter diálogo com professores e alunos seja de qual curso ou período em que ele esteja.Também adotamos o ‘hábito’ de usar calças e sapatos fechados, apesar do calor da nossa cidade, assim tentamos nos impôr uma postura que não foi a universidade que exigiu , CLARO, seria melhor que exigisse, ao invés de exigir média 9 em introdução a Economia.Sendo assim,a nota no histórico não é tudo, mas o fator desânimo e fracasso me atinge todos os dias,como se eu fosse incapaz e menos inteligente que os demais

    • Renataly, parabéns pela sua postura! Realmente incrível! Seria muito bom se todos os estudantes de engenharia adotassem essa postura logo no começo do curso. Infelizmente alguns se formam sem ter tal postura…

      E não desanime se tirar alguma nota baixa, faz parte! Nem todos os dias nós acertamos! Bola pra frente, cabeça erguida!

  • Gabriel Cosme Souza Silva

    Texto perfeito e condizente com a realidade. Boa aparência é tudo, mas respeito a opinião de um mendigo do mesmo modo que a de um advogado. Há necessidade de parar de olhar para a casca. Contudo o interior é destruído e isso é um ciclo interminável, pois falta engenheiros para ensinar aos estudantes a vida fora da universidade.

  • Quando início as aulas da cadeira de Introdução a Engenharia Mecânica no curso de Engenharia Mecânica no Instituto Federal de Ciência e Tecnologia de São Paulo, Campus Sertãozinho, começo com essa carta e, explico que o curso dependerá também dos discentes, em cobrarem respeito e competência de seus docentes e, é claro se comportando também como “engenherandos”…. Precisamos entender que o Brasil necessita de profissionais competentes e antes de tudo humanos….

    • Concordo com você Lucas, porém na maior parte dos casos, os alunos que estão a iniciar um novo curso de engenharia acabaram de se formar no Ensino Médio e não tem a cabeça tão aberta quanto a sua para cobrar os seus direitos!

  • Eu e minha namorada ingressamos juntos na faculdade, ela em Psicologia eu em Eng. Elétrica estamos agora no quarto período e vejo que a empolgação e estimulo dela é três vezes maior do que o meu, não por eu não estar gostando, mas pelo fato dela ter entrado num mundo completamente diferente do que ela antes vivia e eu não consegui enxergar isso eu apenas estudo e simplesmente estudo.
    Faço minha parte passo nas matérias e tal mas só isso não há aquela motivação diferenciada entendem ?
    O texto me fez refletir bastante, graças a Deus não sou o único que enxerga assim.

    • Muito bom seu texto
      Estou muito ansioso pois vou fazer engenharia estou muito pesativo
      Si sentido otimista

  • Rosi Ventura

    Cada profissional tem sua identidade. Como já foi dito existem engenheiros e engenheiros, médicos e médicos. Sou engenheira há 17 anos, sou mestre em engenharia civil e tenho especializaçoes e no entanto penso que a forma como o conhecimento nos aborda durante a graduaçao é recebida de forma diferente entre os alunos de engenharia, vai depender da base, da formaçao do ensino médio, alguns tem facilidade em assimila-lo outros nao. O curso que fiz foi integral, tinhamos aulas durante todo o dia e tomava algumas noites, viviamos a faculdade e na faculdade, entao penso que a graduaçao é o norte e cabe a nós profissionais procurarmos o que nos falta em especializaçoes, pois se fossem incluídas mais disciplinas em nossa grade curricular 5 anos seriam poucos. Temos uma identidade sim, só nao circulamos por aí com jalecos e ternos, aliás nossa vestimenta é diferenciada devido as nossa funçoes, dependendo de nossas funçoes estaremos de calças jeans, camisa de mangas compridas, botinas com biqueiras de aço e perneiras para nos previnirmos de cobras e um chapeu e um bom protetor solar, mas também vestimos jalecos quando estamos trabalhando em laboratórios, vestimos ternos ou roupas de igual teor para mulheres engenheiras quando vamos à reunioes ou apresentaçoes, mas o importante é que quando estamos a procura do conhecimento nossas mentes estejam livres, despidas, nuas.

  • Thiarles Soares

    Este foi o melhor artigo que pude me identificar na engenharia, nada do que foi dito é mentira ou é pessoal, mas todos os engenheiros passam por isso (há exceções, mas bem poucas).

  • Diogo

    Realmente esse foi o melhor texto sobre a profissão que li nos últimos 6 ou 7 anos. Uma das deficiências em minha formação foi justamente essa, não percebi a preocupação em formar engenheiros, com seus comportamentos, vocabulário, “macetes da profissão” e afins.. Vi uma grande preocupação em criar uma guerra de egos em que “Professor é superior aos alunos e sempre serão”, coisa que se estende aos profissionais formados que vivem em guerra de especializações ao invés de lutar pelo bem comum da profissão e fortalecer a classe.