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Por que ventilar uma mina subterrânea? Parte-1

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Você nunca parou para se perguntar: porque ventilar uma mina subterrânea? Pois é, esse é um tema rico em detalhes, digno de atenção e de um planejamento cuidadoso. Veja alguns pontos-chave da ventilação subterrânea neste artigo.

A ventilação em uma mina subterrânea tem como principal objetivo fornecer fluxo de ar fresco (puro), natural ou artificial a todos os locais de trabalho, em quantidade suficiente para manter as condições de saúde e segurança necessárias para os trabalhadores. A ventilação insuficiente torna as condições ambientais da mina precárias para trabalhadores e equipamentos, o que significa que a produtividade da empresa está em declínio.

Por se tratar de um ambiente em constante mudança, é importante ressaltar que as condições de ventilação devem ser continuamente observadas pelo responsável, pois nenhum modelo pode ser mantido em boas condições indefinidamente, portanto seu funcionamento precisa ser ajustado e mantido de modo adequado ao decorrer do tempo.

A ventilação na mina subterrânea é um recurso importante na mineração, projetada para garantir que o ar limpo entre na mina, criando e garantindo melhores condições de trabalho e evitando explosões e outras consequências à reação de acúmulo de poeira e gases explosivos em toda a estrutura.

Principais motivos para aplicar a ventilação de mina subterrânea

Vale ressaltar que o sistema de ventilação da mina subterrânea garante o controle, a qualidade e a quantidade do ar circulante interno. Se não houver sistema de ventilação, além de estar sujeito a explosões, também causará sérios prejuízos à saúde dos trabalhadores da mineração.

Por ser considerada uma das tarefas mais complexas da mineração, a pesquisa, análise e instalação dos ventiladores que atuam neste processo devem ser meticulosas/detalhadas.

De uma maneira simplificada, podemos resumir o papel da ventilação em (Anon., 2000):

  • Permitir a manutenção de uma quantidade adequada de oxigênio aos operários;
  • Suprimir os gases tóxicos oriundos do desmonte de rochas com explosivos;
  • Evitar a formação de misturas explosivas gás-ar;
  • Eliminar concentrações de poeiras em suspensão;
  • Diluir os gases oriundos da combustão de motores, e;
  • Atenuar a temperatura e a umidade excessiva.

Técnicas computacionais

As técnicas computacionais são nos dias atuais, ferramentas de grande utilidade para a análise de redes de ventilação.

Visando a grande disponibilidade de aplicativos e da portabilidade dos arquivos e recursos computacionais, a análise direta de circuitos de ventilação é muito limitada. Sendo assim, restrita a circuitos parciais dentro do circuito maior de ventilação.

É por esse motivo que a análise e otimização dos sistemas de ventilação envolve necessariamente o uso de técnicas computacionais, que facilitam sobremaneira a análise da influência de modificações no circuito de ventilação, reduzindo custos e otimizando os recursos disponíveis (Costa, 1998).

Como acontece com qualquer tecnologia de simulação, deve haver um estágio preliminar de coleta de dados para construir um modelo computacional. Cada circuito de ventilação possui características únicas. Portanto, é particularmente importante construir um banco de dados confiável que possa representar as características da mina.

Dados sobre as distribuições de vazão e pressão, dos quais obtêm-se o fator de atrito (k) e as resistências equivalentes das galerias, formam a base indispensável para a descrição do comportamento do fluxo de ar. Tais dados devem ser complementados com a medida de outros parâmetros ambientais, tais como teores de gases, poeiras, temperaturas, etc. Com esse banco de dados serão construídas as simulações, bem como a validação de um modelo de fluxo (Clezar, 1999).

Essas técnicas de simulação se desenvolveram principalmente nos últimos anos, com avanço dos computadores pessoais e da possibilidade de se obterem estimativas sobre possíveis mudanças ou avanços no circuito de ventilação, antevendo-se resultados e economizando-se recursos.

Tipos de ventilação

A tecnologia de ventilação de mina pode ser basicamente resumida em duas categorias: ventilação natural e ventilação mecânica. Desde os princípios da mineração, a ventilação natural tem sido uma tecnologia usada. É causado pela diferença de temperatura entre o ar da mina e o ar externo.

Com a crescente necessidade de um maior fluxo de ar no interior das minas, desenvolveram-se as técnicas de ventilação mecânica com ventiladores instalados no poço de entrada de ar (insuflação), ou na saída da ventilação (exaustão).

Esse desenvolvimento ocorreu, principalmente, a partir da segunda metade do século XIX, com os ventiladores mecânicos de grandes diâmetros, exclusivamente centrífugos e de velocidades reduzidas, movidos por moinhos de vento ou roda hidráulica (Anon., 2000).

Após a primeira guerra, com o grande desenvolvimento da aerodinâmica, foram introduzidos os ventiladores axiais de grande porte, sendo esses hoje em dia os mais empregados. De uma maneira geral, os ventiladores centrífugos são os que melhor se adaptam aos serviços da mina além de serem mais silenciosos. Entretanto os ventiladores axiais são mais baratos, compactos e flexíveis quando ao seu uso, permitindo a regulagem do ângulo de pás de seu rotor, variando os valores de vazão e pressão impostos, sendo, por esses motivos, os mais empregados como ventiladores de poço de ventilação (Montedo, 2002).


Por esse tema conter muitas informações, concluímos aqui a primeira parte. Espero vê-lo(a) posteriormente na segunda parte deste artigo, que continuará discutindo a ventilação na mina subterrânea.

Helberte Braz
Baiano, acadêmico do curso de Engenharia de Minas na Universidade Federal de Mato Grosso(UFMT) e atualmente faz estágio na Brasil Gold Mineração (empresa pertencente ao Grupo Dias) atuando na parte da confecção de mapas, requerimentos de mudança de regime, relatório parcial de pesquisa, visitando as plantas de beneficiamento da empresa e participando da coleta de amostras para pesquisa mineral. Já fez mobilidade internacional em Engenharia Industrial na Universidad Antonio Nariño(UAN), já atuou como monitor da disciplina de geologia geral e também colaborou em organizações de eventos em projetos de extensão. Está sempre disposto a agregar e a aprender mais sobre o mundo profissional. Gosta sempre de refletir sobre ações do cotidiano e o impacto que isso tem sobre a sociedade. Tem Deus como alicerce de sua vida e quando quer algo, desistir não é uma opção.

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1 Comment

  1. Assunto que parece simples mas tem uma infinidade de variáveis envolvidas!
    Muito bom @Helberte. Aguardarei a segunda parte

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