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Em 1975 a Organização das Nações Unidas (ONU) oficializou a data 8 de março como o “Dia Internacional das Mulheres”. Sobretudo, movimentos para reivindicar direitos e melhores condições de trabalho já tinham protagonismo feminino antes mesmo desse marco.

No entanto, apesar da data, e de todas as lutas feitas até o ano de 1975, muitos dos desafios enfrentados pelas mulheres perduram. Nós, mulheres, continuamos a lutar para promover a igualdade de gênero, por direitos e principalmente, por respeito. 

A discrepância da representatividade em gênero infelizmente é comum em diversos ambientes. Com a engenharia ainda não é diferente. Representatividade feminina

Em síntese, o artigo irá destacar estatísticas referentes a representatividade feminina na engenharia, citar conquistas alcançadas por mulheres que foram pioneiras nessa área e por último, apresentar possíveis estratégias com cunho de promover a igualdade de gênero na engenharia. 

Panorama sobre a representatividade feminina na engenharia

Conforme publicado no Censo da Educação Superior (2019), o número de mulheres que concluem o ensino superior é maior que o de homens, sendo de 43% referente às mulheres e 35% em relação aos homens. 

Apesar do elevado número de mulheres concluindo o ensino superior, o número de engenheiras registradas no Sistema Confea/CREA representa 15% do total de 1.109.628 registrados (CONFEA, 2019). Representatividade feminina

A representatividade feminina nas ciências exatas é relativamente baixa. Em contrapartida, nos cursos de Engenharia de Alimentos (62,9%), Engenharia de Bioprocessos  e Biotecnologia (59,4%) e Engenharia Têxtil (53,6%) as mulheres são maioria (Censo da Educação Superior, 2017).

Sobretudo, trata-se de algo que não ilustra o cenário em outros cursos de engenharia. Ao comparar as áreas apresentadas com cursos de engenharia tradicionais, como Engenharia Civil (27,7%), Engenharia Mecânica (9,8%) e Engenharia Elétrica (11,7%), pode-se notar que ainda que o cenário esteja em processo de mudanças, muito ainda deve ocorrer para que a engenharia tenha a presença feminina de forma expressiva em todos os cursos.

Conforme os últimos dados, o gráfico a seguir ilustra a distribuição de mulheres e homens por área de conhecimento. É possível notar que além da engenharia, há outras áreas que possuem expressiva desigualdade de gênero.

Representatividade feminina

Fonte: OCDE

É fato que, foi criado socialmente esteriótipos e preconceito entre “coisas de meninos” e “coisas de meninas”, e esses pensamentos ainda interferem diretamente no processo de escolha de carreira.

Pioneirismo das mulheres na engenharia

Há inúmeros exemplos de mulheres incríveis que realizaram grandes feitos na engenharia. Se você refletir aí, provavelmente irá lembrar de alguma engenheira extraordinária que teve o prazer de conhecer. Em seguida, duas ilustres engenheiras serão citadas.

Além disso, colocar em pauta hoje a questão da necessidade de promover a igualdade de gênero na engenharia, e apontar experiências desagradáveis que ainda são comuns, é um pouco mais fácil do que se compararmos ao período em que as engenharias a serem citadas viveram e construíram suas carreiras. 

EDITH CLARKE (1883 – 1959)

Representatividade femininaAutora do livro Circuit Analysis of A-C Power Systems, publicado em 1943, Edith Clarke foi a primeira Engenheira Eletricista no MIT, em 1918.

Dentre suas importantes contribuições para a engenharia elétrica, destaca-se o Clarke Calculator, um disposto para resolver problemas de linha de transmissão de energia elétrica com maior precisão.

Enedina Alves Marques (1913 – 1981)Representatividade feminina

Além de ser a primeira mulher a graduar-se em um curso de engenharia no Brasil, Enedina Alves Marques também foi a primeira mulher negra do país a se torna Engenheira.

Ela cursou Engenharia Civil em 1945 pela Universidade Federal do Paraná e hoje seu nome esta no Livro do Mérito do Sistema Confea/Crea.

Pilares e estratégias capazes de promover mudanças significativas no processo de igualdade de gênero dentro da engenharia

Somos consideradas frágeis, delicadas, instáveis, e “blá, blá blá”. No entanto, somos tão capazes quanto os homens.

Trata-se de indivíduos, e por isso o gênero não é capaz de interferir ou impedir que nenhuma das competências  cabíveis a um engenheiro não seja desenvolvidas por uma mulher, pelo simples fato de se tratar de uma mulher.

Apesar do aumento significativo de mulheres ingressando em cursos superiores na área de ciências exatas, há um longo caminho a se percorrer para romper com os rótulos de que apenas homens possuem perfil para essa área. 

Portanto, encerro o texto pontuando algumas estratégias capazes de proporcionar significativas mudanças afim de promover maior representativa feminina na engenharia.

  • Fazer da inclusão de gênero parte da política das empresas;
  • Promover discussões, campanhas de conscientização e treinamentos a respeito do tema;
  • Ter protagonismo de líderes e representatividade nesses cargos;
  • Incluir e engajar os homens em todo esse processo.

“Representatividade inspira e motiva!”

Gabriely da Silva Pinto
Gabriely da Silva Pinto, cursa Engenharia Elétrica no CEFET/RJ campus Nova Friburgo. É natural de Cantagalo, Rio de Janeiro, tem 20 anos. A vontade de se aventurar na engenharia a acompanhou por anos, mas o amor por elétrica nasceu dentro do SENAI. Atualmente é membro de uma pesquisa de projeto de extensão sobre obtenção de biogás proveniente de resíduos sólidos urbano (RSU) para geração de energia elétrica. Faz parte do diretório acadêmico do curso de engenharia elétrica em seu campus, o DAEL, tendo como atual cargo a presidência. Vegetariana, apaixonada pela natureza, e como uma boa estudante de engenharia é amante de café.

    Além de ser mulher, decidiu ser Engenheira

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    1 Comment

    1. Gabi, artigo muito informativo e impactante! É muito doido ver esses índices nas engenharias tradicionais. Infelizmente, ainda existe a divisão de gêneros nas profissões, porém é fato que a mulher se encaixa onde ela quiser se encaixar! Parabéns!!

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