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E quando a Patologia é no Revestimento? O que fazer?

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Apesar de muito utilizado, nem todo mundo conhece seu nome: o revestimento argamassado! Presente na grande maioria das edificações, este revestimento é composto por um ou mais aglomerantes, agregados miúdos e água, proporcionando capacidade de endurecimento e aderência.

Revestimento
Patologia em Revestimentos

Os revestimentos têm como principais objetivos dar um aspecto agradável às alvenarias e estruturas, proteger a edificação das intempéries, minimizar a degradação dos materiais de construção e promover a segurança e conforto dos usuários. Qualquer avaria nos revestimentos gera insatisfação dos usuários, além de custos para recuperação de possíveis danos à edificação

E o que é o traço da argamassa?

Revestimento

É de extrema importância a especificação do traço da argamassa de revestimento em projeto. Entende-se por traço da argamassa como sendo a relação entre as proporções de todos os seus materiais componentes, podendo ser especificado em massa, em volume ou em peso. A dosagem certa precisa ser respeitada para que o traço estipulado em projeto seja atingido.

Qualquer alteração das proporções dos materiais pode causar uma anomalia. um traço extremamente rico, ou seja, com excesso de finos, que são os aglomerantes, principalmente o cimento, podem causar as chamadas macrofissuras.

Revestimento
Macrofissuras em revestimento argamassado.

As macrofissuras ocorrem devido ao alto calor de retração do revestimento. O chamado processo de endurecimento da argamassa, nada mais é do que o período em que ocorrem as reações químicas entre seus componentes. Essas reações são exotérmicas, ou seja, durante sua ocorrência há liberação de calor para o meio externo. Com o calor da reação, a argamassa fica aquecida e assim sofre uma expansão. Ao término da reação, o revestimento se resfria e consequentemente se retrai. Quando esse processo não é bem controlado, ou quando não são tomados os devidos cuidados com a cura, como sua hidratação, a retração causa as macrofissuras.

Por outro lado, argamassas chamadas de pobres, com falta de cimento, também não desempenham bem o seu papel. Os agregados são componentes inertes que necessitam de um material ativo, o aglomerante, para que fiquem ligados. Conforme a composição, forma-se a pasta utilizando apenas o aglomerante e água e a argamassa, adicionando-se à mistura da pasta o agregado miúdo. Mas se a pasta não tiver a composição correta, não vai haver a ligação necessária e a argamassa apresentará um aspecto pulverulento, desprendendo-se com facilidade.

Um único vilão?

Mas o cimento não é o único vilão do revestimento argamassado. A areia, agregado miúdo, também pode causar bastante estrago! Na verdade são as impurezas da areia as principais responsáveis pela maioria das anomalias. Uma delas são as concreções ferruginosas. Apesar do nome difícil, nada mais são que presença de material ferroso na areia.

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Anomalia em revestimento argamassado consequente da presença de concreções ferruginosas na areia

Quando presentes no revestimento, esse material, ao entrar em contato com a umidade do ar, inicia o processo de corrosão, o qual gera produtos, chamados de ferrugem, causando uma vesícula, ou bolha, no revestimento. Com o aumento desta bolha, o revestimento acaba se rompendo, surgindo uma cor castanho-avermelhada no seu interior. Outras impurezas presentes na areia também podem causar anomalias, são o caso dos aglomerados argilosos, pirita, mica e matéria orgânica.

Mas não só os materiais são importantes!

Mão de obra qualificada é fator imprescindível para uma boa execução. O executor deve ter habilidade de compreender o projeto e aplicar todas as recomendações na execução. Investir na qualificação da mão de obra pode resultar em grande economia, evitando retrabalhos, desperdícios de materiais e a insatisfação do usuário final; tal qualificação está diretamente ligada com a imagem da empresa executora.

É sempre muito importante que haja um engenheiro de obra com a responsabilidade exclusivamente técnica, garantindo a fiel interpretação e execução do projeto. Além da integração do setor de compras com o setor técnico também ser essencial para que sejam adquiridos os materiais adequados, de acordo com os projetos e com qualidade atestada. Com estes e outros cuidados é possível evitar que a patologia em revestimentos ocorra!

Cristiana Furlan
Cristiana Furlan Caporrino é Engenheira Civil pelo Instituto Mauá de Tecnologia, Mestre em Engenharia de Estruturas pela Universidade de São Paulo (USP) e atualmente doutoranda na mesma área e instituição. Sócia-diretora da Furlan Engenharia e Arquitetura, empresa especializada em projetos e obras. Professora de pós-graduação no Instituto Mauá de Tecnologia, nas disciplinas Gerência de Projetos de Engenharia e Logística de Canteiros de Obras, e, na Fundação Armando Álvares Penteado (FAAP), das disciplinas de graduação Concreto Armado II, Concreto Protendido e Alvenaria Estrutural e da disciplina de pós-graduação Patologias em Alvenarias e Revestimentos Argamassados. Na pós-graduação da Funorte, ministra as disciplinas Estruturas Metálicas I e II e Análise de Estruturas de Concreto por meio de Software. Autora do Livro Patologia em Alvenarias, 2ª Edição, Editora Oficina de Textos. Administra um blog acadêmico no qual divulga novas tecnologias, além de discutir temas teóricos de várias áreas da engenharia. É perita judicial, ministra palestras e cursos e possui vasta experiência em projetos estruturais, tendo participado de projetos de barragens, indústrias, refinarias de petróleo, hospitais e empreendimentos corporativos, além de projetos em mineração, aviação civil, comércio e infraestrutura.

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