ColunistasCuriosidadesDestaque + PopularesEngenhariaEngenharia ElétricaEngenharia Naval

Soldagem a arco submerso, a soldagem que não é embaixo d’água

0

Na indústria naval, o processo responsável pela união das chapas de aço de uma embarcação, é a soldagem. O calor responsável pela fusão do material de base pode ser proveniente de diferentes formas, e uma delas, é o arco elétrico. A soldagem a arco elétrico consiste na abertura de um curto circuito oriundo do contato do arame/eletrodo com a peça base.

Já o processo de soldagem a arco submerso, recebe este nome devido o arco elétrico se encontrar submerso em uma camada física de proteção denominada “fluxo”, por este motivo não vemos a luminosidade característica da solda e podemos ver o processo a olho nu.

Este fluxo é responsável pela proteção do arco elétrico e da poça de fusão das impurezas atmosféricas, além de conferir ao cordão de solda propriedades de acordo com sua composição.

soldagem

Devido ao alto aporte térmico gerado, este processo é capaz de realizar a união de chapas metálicas de até 300 mm de espessura. Em função da necessidade de alimentação contínua do fluxo no processo, assim como do arame eletrodo, este processo requer mecanização, não podendo ser realizado manualmente.

Mas afinal, existe soldagem embaixo d’água?

Sim! E este processo é chamado de soldagem subaquática. Atualmente há duas formas de realizar a soldagem subaquática, a solda seca e a molhada.

Na primeira modalidade, uma câmera hiperbárica é instalada envolvendo o ponto onde há a necessidade de reparo, retirando toda a água do local. Desta forma, possibilita que o soldador realize o trabalho em ambiente seco como demonstra a figura abaixo. Comumente utilizado para reparo de tubulações oceânicas, onde o é possível envolver a peça com a câmera.

soldagem

Este processo possibilita que o ambiente de soldagem seja controlado, mas ainda sim, exige preparação do profissional para atuar na pressão local da câmera. A preparação para operar em ambientes submarinos, pode levar até 28 dias em uma câmera de alta pressão para que o corpo se habitue com o ambiente de trabalho subaquático.

Já a solda molhada, ocorre literalmente em contato com a água. Este tipo de soldagem é um dos trabalhos mais perigosos do mundo e ocorre quando o reparo é emergencial ou onde a câmera hiperbárica não pode ser utilizada.

Neste caso, a própria água atua como condutora de eletricidade entre o eletrodo e a peça à ser soldada.

soldagem

Este tipo de soldagem exige muito dos soldadores, pois além do ambiente não ser favorável devido à grande exposição, há pouca visibilidade do local a ser soldado em razão da grande evolução de gases provenientes da soldagem.

Ainda que a soldagem, de forma geral, tenha atingido altos níveis de evolução tecnológica, a soldagem subaquática dependerá de soldadores subaquáticos até que seja possível desenvolver em robôs soldadores que tenham a destreza do trabalho humano para realizar estes trabalhos.

 

 

Letícia Martins Bodanese
Engenheira Naval pela Universidade Federal de Santa Catarina, onde durante a graduação desenvolveu pesquisas na área da soldagem e participou por 3 anos na equipe Hydra Nautidesign, competindo no Desafio Universitário Internacional de Nautidesign (DUNA). Atualmente trabalha no departamento de planejamento da thyssenkrupp Estaleiro Brasil Sul e é pós-graduanda no curso de Engenharia de Estruturas pela Universidade Unyleya. Catarinense, apaixonada pela área naval, Letícia acredita que com dedicação e persistência tudo pode ser aprendido e alcançado.

    Dicas para gerenciar processos e otimizar o seu dia a dia no escritório

    Previous article

    Sistema Kanban para redução de custos

    Next article

    You may also like

    Comments

    Leave a reply

    O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

    More in Colunistas