Bioconstrução é ambientalmente correta, socialmente justa e economicamente viável! Os três pilares para uma construção SUSTENTÁVEL

Sustentabilidade e construção civil

Há cerca de 200 mil anos atrás, o Homo Sapiens começou a civilização no planeta Terra, desde então, para sobreviver, o homem primitivo já construía suas próprias moradias dentro de cavernas.  

Mas afinal, o que eu quero dizer com tudo isso? Pensa comigo! A construção civil existe desde quando o homem habita na Terra, e com o passar dos milênios, as técnicas foram se desenvolvendo cada vez mais.  

Então, se você quiser conhecer um pouco mais sobre bioconstrução, uma das técnicas construtivas desenvolvidas a algumas centenas de anos atrás, continue acompanhando esse artigo! 

Permacultura “Cultura Permanente” 

De acordo com o IPOEMA, Permacultura é um sistema de planejamento de moradias sustentáveis, que utiliza práticas agrícolas e sociais. Ou seja, o projeto desses ambientes é criado para simular ou utilizar diretamente as características observadas em ecossistemas naturais.  

Além de tudo, Permacultura, é uma forma de pensar e conceber princípios ecológicos que podem ser usados para projetar, criar, gerir e melhorar todos os esforços realizados por indivíduos, famílias e comunidades no sentido de um futuro sustentável.  

Ser sustentável

Contudo, ela não apenas envolve design sustentável, inclui também engenharia ecológica, arquitetura bioclimática, gerenciamento de recursos hídricos e sistema de habitat e agricultura regenerativos modelados a partir da natureza. 

Bioconstrução como elemento da Permacultura 

Bioconstrução é uma técnica construtiva, que utiliza materiais de baixo impacto ambiental, dessa forma, é possível criar ambientes confortáveis, oferecendo um estilo de vida sustentável e econômico aos moradores, com sistemas alternativos de tratamento de resíduos, consumo de água e energia.  

Dessa forma, tem como objetivo, a utilização de materiais do local, como a terra, por exemplo, diminuindo custos para a construção de habitações, assim, ajudando a população de baixa renda e ainda mais ao meio ambiente. 

Portanto, sempre são utilizados materiais, que não agridam nem modifiquem o ecossistema onde está sendo implantada a construção. 

Assim, a bioconstrução, é uma forma de arquitetura social, pois a união da comunidade para a construção de projetos sustentáveis, é uma das principais características, além de agregar conhecimento e integração entre as pessoas. 

Técnicas de Bioconstrução 

Pau a pique ou casa de taipa 

Essa técnica é muito presente no Norte e no Nordeste do Brasil, onde usa-se terra argilosa com pelo menos 40% de argila, não deve chegar ao ponto de lama.  

Bioconstrução pau a pique

Em seguida, é colocado manualmente em um estrado vertical, ou um gradeado previamente armados na linha das paredes. Esses, são feitos com cipós grossos, galhos ou varas que são encontrados no entorno da obra.  

Fonte: Casa Abril

Cob 

Aplica-se terra com 40 a 50% de argila na sua composição, acima disso, é necessário acrescentar areia.  

Bioconstrução

Em suma, é uma massa feita a partir da mistura de terra com palha seca. Ao ser aplicada, caracteriza-se como uma massa de modelar, direto sobre o chão seguindo a linha das paredes, sem o agregado de pau a pique ou qualquer escora. 

Depois de seca, a estrutura vira um monolito muito resistente. 

Bioconstrução Cob

Adobe 

São os tijolos feito de terra, técnica tradicional da região centro oeste e sudeste do Brasil. Para a produção dos tijolos, usa-se a mesma terra do pau a pique.  

Tijolos Adobe bioconstrução

Tijolos Adobe – Fonte: Cerbras

A massa é colocada em formas padrão, e fica secando por cerca de 15 dias. Posteriormente, na hora do assentamento, normalmente se utiliza a mesma massa que foram produzidos os tijolos. 

Superadobe 

Pode ser usado qualquer tipo de terra disponível no terreno, desde que possuam um pouco de argila ou silte.  

Logo depois, a massa é umedecida ao ponto de “farofa”, colocada dentro de sacos de rafia, que vão sendo alinhados formando as paredes. Essa técnica é conhecida como terra ensacada. 

Bioconstrução Superadobe

Em síntese, ela possui altíssima capacidade estrutural, podendo ser usada como parede autoportante, ou seja, receber outras cargas diretamente nela.

Hiperadobe 

Essa, é uma variação da técnica anterior, porém, utiliza-se um saco vazado feito com o mesmo material da tela de sombrite 

A vantagem aqui, é obter a espessura menor da parede, economizando material e facilitando na hora de executar o reboco. 

Taipa de Pilão 

Consiste em construir as paredes, usando formas feitas de tábuas, madeirites ou chapas metálicas, são igualmente dispostas paralelamente entre si e presas nos pilares.  

Execução das formas – Fonte: Anais Guéguem

Posteriormente, essa forma é preenchida com a massa de terra pura, ou misturada com palha seca, e depois é compactada com um pilão manual até virar um monolito.  

Compactação da massa – Fonte: Anais Guéguem

Após o preenchimento completo da fiada, a forma é movida para cima e o processo se repete. 

Tijolo de solo-cimento 

A técnica basicamente é uma mistura de 10 partes de terra para uma parte de cimento. Um operador com uma máquina semi manual movimenta uma alavanca, que propicia a compactação da massa na forma de tijolos.  

Prensa manual para fabricação de tijolos solo cimento

Depois que os tijolos são fabricados, eles ficam secando por sete dias, e o resultado final é semelhante ao tijolo maciço. 

E quais são as vantagens da bioconstrução? 

São várias as vantagens de construir utilizando essas técnicas, como por exemplo: 

  • Redução de geração de resíduos, do consumo energético e dos riscos de incêndio;
  • Troca de conhecimentos na comunidade; 
  • Preservação do meio ambiente; 
  • Baixo custo de construção. 

Na natureza nada se crianada se perdetudo se transforma!

Bioconstrução

Acima de tudo, a água da chuva, da pia, do chuveiro ou das cisternas serve para regar as plantas. 

Além disso, nos sanitários secos, por exemplo, as fezes viram adubo, que podem alimentar uma horta e gerar alimento para os moradores.  

Banheiro seco bioconstrução sustentabilidade

Banheiro seco – Fonte: Archidaily

Também existe o gerenciamento do conforto térmico, de acordo com cada região, e a construção dos telhados para suportar as chuvas. 

A princípio, construção civil, é uma das atividades que mais utiliza recursos naturais e energia, além da produção de lixo, que na maioria das vezes não tem o destino correto. 

Enfim, técnicas como a bioconstrução, que parece muito primitiva aos olhos de quem vive em um século onde a tecnologia domina. 

Assim, não se percebe que esse tipo de atitude, é muito mais evoluída quando se pensa em SER SUSTENTÁVEL.  

 

Pamela Thaís Licheski
Sou Engenheira Civil, catarinense com 23 anos. Atualmente atuo na área de saneamento na região do Mato Grosso, com atividades de combate a perdas, supervisão operacional e georreferêciamento. Além disso, possuo vasta experiência na área de projetos e posso dizer que tenho muita história da faculdade para contar. Li recentemente em um livro, que não precisamos ter sucesso para sermos felizes, mas precisamos ser felizes para ter sucesso. Acredito que é a felicidade que impulsiona o sucesso. Então que sejamos felizes no que escolhemos fazer no mundo! Instagram: @pamelathaiss_

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2 Comments

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    1. Thank you so much!

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