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Tilapicultura: O setor que está dominando o mundo!

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Você já ouviu falar em aquicultura? Provavelmente já! Mas e a tilapicultura? Certamente não, no entanto, tenho certeza que já viu e consumiu. Ficou curioso agora? Então, vem comigo para conhecer melhor e saber as perceptivas da tilapicultura para o mercado.

Fonte: Freepik.

Mas afinal, o que é tilapicultura?

A aquicultura se divide em algumas modalidades de cultivo de organismos aquáticos, dentre elas a piscicultura é a mais difundida. A piscicultura, é a técnica que estuda cultivo e reprodução de peixes, e uma das espécies que mais se destaca no mercado mundial é a tilápia (em especial a tilápia-do-nilo ou Oreochromis niloticus), que origina o termo tilapicultura.

Tilapicultura


Expansão mundial

A tilápia é uma espécie oriunda da África e está presente em todos os continentes. Ela foi uma das primeiras espécies de peixes que o homem reproduziu em cativeiro. Existem dados de que a China já cultivava há vários séculos antes, e de que o Egito já cultivava a tilápia há 4.000 anos antes.

Ao longo dos anos, a tilápia foi sendo introduzida no ocidente e fazendo-se uma considerável fonte de proteína alimentar. Somente no século XX o Brasil começou a produzir tilápia, apenas nos anos 90 iniciou a busca por mais estudos. Assim, veio o melhoramento genético e desenvolvimento de técnicas de manejo e de cultivo.

Segundo a FAO (2020), a tilápia-do-nilo é terceira espécie mais cultivada no mundo, apenas sendo superada pelas carpas Ctenopharyngodon idellus e Hypophthalmichthys molitrix.

E só para deixar você mais interessado… Por ser considera a comunidade de peixes que mais cresce no mercado mundial, as tilápias já ganharam o apelido de “frango aquático”.

Produção brasileira

O Brasil ocupa a posição de 4º lugar como maior produtor de tilápia do mundo com cerca de 520 mil toneladas em 2020, ficando atrás apenas da China com uma produção de 2,00 milhões de toneladas, Indonésia com 1,40 milhões de toneladas e Egito que produziu 990 mil toneladas (Anuário Peixe BR 2021).

Tilapicultura

O estado do Paraná, lidera com grande vantagem com 166.000 toneladas, em seguida o estado de São Paulo com 70.500 toneladas, em terceiro lugar Minas Gerais com 42.100 toneladas, Santa Catarina com 40.056 toneladas, e em quinto lugar o estado de Mato Grosso do Sul com 29.090 toneladas (Anuário Peixe BR 2021).

Tilapicultura

Imagem adaptada: Anuário Peixe BR 2021.

O que torna a tilapicultura atrativa?

O Brasil possui 12% de toda água doce do planeta, tornando-se viável a criação em tanques-rede, viveiros escavados ou em outros sistemas.

Para o produtor, a tilápia é uma espécie rústica, com alto índice de tolerância a variações de temperatura da água e oxigenação, resistente a manejo e doenças, tolera ser cultivada em altas densidades, possui crescimento rápido, conversão alimentar que pode ter alteração de 1,3 a 1,5 quilo de ração para quilo de peixe e apresenta uma grande capacidade reprodutiva.

Além das vantagens para o produtor, o consumidor pode desfrutar de um peixe com alta qualidade de filé e uma carne com alto valor proteico, com uma quantidade significativa de ômega-3, uma carne branca, sem odor intenso, magra, com capacidade render filés sem espinhas, e uma carne saborosa.

Por outro lado, a criação de tilápia não se baseia apenas para o consumo gastronômico, a utilização da pele de tilápia é bastante promissora. Isso porque pesquisadores brasileiros da Universidade Federal do Ceará, usam pele de tilápia para tratar queimaduras, ferida, cirurgias ginecológicas e medicina regenerativa, não se estendendo apenas para humanos, mas também para animais vítimas de queimadas.

Já a pele de tilápia tem efeito de cicatrização mais rápido e não necessita de tantas trocas, já que o colágeno interage com a ferida da queimadura facilitando o processo de cicatrização. Afirmou Marcelo Borges, professor da Faculdade de Medicina de Olinda em Pernambuco.

Desafios

Apesar do Brasil apresentar dados satisfatório para o crescimento no mercado mundial, existem gargalos que vão em contramão. Atualmente, piscicultura enfrenta dificuldade em comercialização com cenário atual com pandemia, além de dificuldade para tornar o licenciamento ambiental mais eficiente, os produtores encontram dificuldade com o custo da ração que corresponde por grande parte do custo da produção e com desenvolvimento tecnológico.

Em conclusão, esses desafios podem ser abordados como oportunidade para quem se interessa, pois o mercado da tilapicultura tem grandes perspectivas de crescimento e gera bilhões de reais através da proteína animal.

Mas e você, o que achou? Vale a pena mergulhar nesse mercado bilionário?

Mayssa Nascimento de Oliveira
Estudante de Engenharia de Aquicultura na Universidade Federal do Paraná (UFPR), onde realizou programa de voluntariado acadêmico no Laboratório de Produção e Reprodução dos peixes (LAPERP), atualmente realiza atividade de Iniciação Científica: Determinação dos coeficientes de digestibilidade aparente dos nutrientes e da energia de alimentos alternativos para macrobrachium rosenbergii. Crio conteúdo na minha rede social profissional de forma didática e acessível para todos. Adoro desafios novos e tenho como objetivo levar aquicultura para todos. Acredito que trabalho em equipe é conciliar várias formas de pensar para um só objetivo. Instagram: @estudandoaquicultura

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