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Transposição do rio São Francisco e a introdução de espécies exóticas

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Pesquisadores da UEPB em parceria com a UFRN e a UFPB relataram o primeiro registro de uma espécie exótica de peixe  (Moenkhausia costae) no açude Poções, bacia do rio Paraíba do Norte, em Monteiro, Paraíba.

transposição do rio São Francisco

Portanto, neste artigo, vamos entender tudo sobre esta pesquisa e sua importância. Bora conferir?

Primeiramente, que peixe é este? Como ele foi introduzida neste açude?

O peixe Moenkhausia costae é uma espécie de piaba (popularmente conhecida como tetra fortuna) que ocorre naturalmente em alguns rios do Nordeste, mas não ocorria no rio Paraíba do Norte, antes da transposição do rio São Francisco.

transposição do rio São Francisco

Moenkhausia costae (Steindachner 1907).

A pesquisa relata que o açude Poções foi o primeiro desta bacia a receber águas da transposição do rio, em março de 2017.

Por isso, os pesquisadores acreditam que esta espécie tenha sido introduzida através dos canais da transposição, quando foi identificada pela primeira vez.

Mas ei, explica o que é a transposição do rio São Francisco!

O projeto de transposição do rio São Francisco é conduzido pelo Governo Federal e envolve uma construção de mais de 700 km de canais de concreto ao longo do território de quatro Estados do Nordeste brasileiro (Pernambuco, Paraíba, Ceará e Rio Grande do Norte).

Esta construção iniciou em 2007 e, por atrasos, têm o término previsto para 2022.

Projetos como esse é bastante comum ao redor do mundo, sendo utilizado para garantir o abastecimento de regiões secas, principalmente, devido à alta demanda por água doce.

Contudo, essas construções representam, também, uma ameaça à biodiversidade aquática das regiões ao provocarem um desequilíbrio na fauna nativa com a introdução de espécies exóticas (novas no local).

E, pelo jeito, a transposição do São Francisco não foi diferente mesmo prevendo diversas barreiras que em tese impediriam a passagem de peixes pelos canais.

Agora, conta o que é uma espécie exótica?

É uma espécie que foi deslocada de sua localidade original e colocada em um lugar onde ela não existia, geralmente pela ação humana, de forma intencional ou não. Para mais informações sobre espécies exóticas acesse o artigo “Peixes exóticos e a disputa desigual com peixes nativos”.

E como os pesquisadores chegaram a conclusão que essa piaba é uma espécie exótica na bacia do rio Paraíba do Norte?

transposição do rio São Francisco

O açude Poções é monitorado há muitos anos pela equipe do Laboratório de Ecologia Aquática da UEPB.

Então para chegar aos resultados da pesquisa, os pesquisadores compararam a composição e a frequência relativa de espécies de peixes do açude usando dados coletados antes e após a transposição do rio São Francisco.

Em 2018, foram registrados 5 exemplares de Moenkhausia costae pela primeira vez no açude Poções, mais de 1 ano depois que este açude tinha recebido águas do São Francisco.

Já na amostragem de janeiro de 2020, foram registrados 36 exemplares de Moenkhausia costae, sendo ela a terceira mais abundante.

Esta última coleta levou os pesquisadores a inferir que a espécie está se proliferando no açude e pode provocar um grande desequilíbrio no ecossistema da região.

transposição do rio São Francisco

Mas como uma piaba pode prejudicar outros peixes do açude?

A introdução de espécies exóticas é considerada uma das maiores causas de perda de biodiversidade nativa em todo planeta, levando muitas espécies à extinção.

As espécies exóticas competem por alimentação e outros recursos com as outras piabas nativas; podem se alimentar de ovos de várias espécies (inclusive das maiores); podem trazer doenças do seu local de origem para o novo ambiente, causando assim um desequilíbrio ambiental.

Conclusão

A pesquisa destaca que, apesar da importância da transposição de rios para garantir o abastecimento de regiões secas, estes empreendimentos podem representar uma ameaça à biodiversidade.

Portanto, esta análise pode servir como um alerta para futuros projetos de transposição para que situações como essa não ocorram com frequência.

A pesquisa foi publicada na edição de maio de 2021 da revista “Biota Neotropica” e foi usada como base para a escrita desse artigo.

transposição do rio São Francisco


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Ivanilson Santos
Engenheiro de Pesca pela UFRPE, atualmente, é mestrando pelo Programa de Pós-graduação em Aquicultura da UFSC, onde é integrante no Laboratório de Camarões Marinhos/UFSC. Atuando em temas relacionados principalmente ao cultivo e nutrição de camarões marinhos, com ênfase em sistema de bioflocos e aditivos alimentares (bioativos) em dietas para camarões. Cristão, pernambucano, ama violão e xadrez e busca fazer a diferença no mundo, não apenas no âmbito pessoal e profissional, mas também semear conhecimento em prol da ciência, da sociedade e da conservação do meio ambiente. Instagram: @ivanilsonsnts

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