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Reforma tributária eleva custos de obras em até 20% a partir de 2026

Construção civil diante da Reforma Tributária: como cada elo da cadeia será impactado

Introdução

A Reforma Tributária que avança no Brasil representa uma das mudanças fiscais mais profundas para o setor da construção civil nas últimas décadas. Com a introdução do IBS (Imposto sobre Bens e Serviços) e da CBS (Contribuição sobre Bens e Serviços), além de novas regras operacionais estabelecidas por legislações complementares recentes, toda a cadeia produtiva do segmento passará por adaptações significativas. Este artigo explora os impactos específicos da reforma em cada elo da indústria da construção, observando não apenas as mudanças econômicas, mas também seus efeitos sociais e ambientais, além das adaptações tecnológicas necessárias para o cumprimento da nova legislação.

  • Revisão das bases tributárias e adoção do modelo VAT dual (IBS e CBS) contemplando a Lei Complementar 214/2025 e os PLPs 68/2024 e 108/2024.
  • Análise de dados quantitativos sobre o setor, sua representatividade no PIB e os impactos atuais e futuros da transição tributária.
  • Contextualização do mercado brasileiro diante das tendências globais quanto à tributação e industrialização na construção civil.
  • Impactos econômicos, ambientais e sociais das mudanças, incluindo aumento dos custos e melhorias no compliance.
  • Insights críticos sobre lacunas na reforma, sobretudo na ausência de tecnologias digitais para o controle fiscal.

Explicação do tema: Reforma Tributária e o Setor da Construção Civil

A Reforma Tributária implementada por meio das legislações recentes propõe uma transformação estrutural na forma como os tributos incidem sobre bens e serviços no Brasil, adotando o modelo VAT dual, refletido na criação do IBS e da CBS. Para o setor da construção civil, isso significa uma nova fase de transição tributária que vai do modelo atual a uma nova conformação operacional que visa maior transparência fiscal e redução da cumulatividade no sistema tributário.

Contudo, esta transição, prevista para iniciar em 2026 e alcançar plena implementação até 2033, exigirá das empresas do setor uma série de adaptações operacionais e contratuais, incluindo revisão na estrutura de custos, contratos comerciais e maior rigor no compliance tributário, dado o aumento da complexidade na apuração dos impostos.

Contexto histórico e dados técnicos

O setor da construção civil brasileiro compreende aproximadamente 125 mil empresas ativas e responde por cerca de 6,9% do Produto Interno Bruto nacional, um indicador que evidencia sua relevância econômica e social. A Lei Complementar 214/2025 define as diretrizes para a operacionalização dessa mudança fiscal, enquanto os Projetos de Lei Complementar (PLPs) 68/2024 e 108/2024 complementam as regras gerais e a governança do IBS.

O modelo tributário adotado segue padrões internacionais já testados em países como Canadá e Índia, onde o VAT dual é utilizado para harmonizar a tributação, reduzir a burocracia e evitar a cumulatividade. Estudos apontam que a carga tributária efetiva permanecerá em torno de 15,9% a 15,92%, embora com redução significativa nos tributos incidentes sobre a venda e a locação de imóveis, em até 50% e 70% respectivamente. Por outro lado, o custo das obras deve aumentar até 20% no curto prazo, exigindo uma reestruturação do planejamento financeiro das construtoras.

Aplicação prática e impactos na cadeia produtiva

O impacto econômico da reforma será sentido diretamente no aumento do custo das obras, cuja elevação de até 20% provocará a necessidade urgente de revisão nos contratos e nos orçamentos vigentes. Para atender às novas exigências tributárias, as empresas precisarão investir em sistemas robustos de gestão fiscal e compliance, garantindo maior controle sobre os fornecedores e a cadeia de suprimentos.

No aspecto ambiental, a reforma estimula a industrialização da construção civil, o que contribui para a redução de resíduos e retrabalhos típicos do método tradicional, aumentando a eficiência e a sustentabilidade do setor. Socialmente, a maior rigorosidade no compliance incentiva a formalização de pequenos fornecedores e possibilita programas como cashback para famílias de baixa renda, promovendo inclusão e segurança jurídica.

  • Aumento nos custos diretos das obras e necessidade de revisão contratual.
  • Maior controle fiscal e indução ao uso de sistemas informatizados de gestão.
  • Redução dos resíduos e avanços na industrialização da construção.
  • Fortalecimento da cadeia produtiva por meio do compliance e inclusão social.

Comparação internacional e tendências tecnológicas

A adoção do modelo VAT dual no Brasil acompanha tendências internacionais observadas em economias desenvolvidas e emergentes, como Canadá e Índia, que vêm utilizando sistemas similares para otimizar a tributação sobre bens e serviços. Tais modelos têm se mostrado eficazes para mitigar a cumulatividade e aumentar a transparência fiscal, fatores essenciais para a competitividade das indústrias locais em um mercado globalizado.

Entretanto, o setor brasileiro enfrenta desafios, especialmente pela ausência de menção expressa à implementação de tecnologias BIM (Building Information Modeling) e ERP (Enterprise Resource Planning) para garantir compliance fiscal na próxima fase da reforma. A falta desses sistemas expõe as empresas ao risco de glosas de créditos e inconsistências contábeis, podendo gerar prejuízos financeiros significativos.

Perspectivas futuras, riscos e recomendações

O futuro do setor da construção civil após a Reforma Tributária aponta para um cenário de maior complexidade operacional, mas também de oportunidades para empresas que conseguirem se adaptar rapidamente às novas exigências fiscais e tecnológicas. A utilização de sistemas integrados de gestão e automação será indispensável para evitar perdas fiscais e aumentar a eficiência dos processos.

É fundamental que as empresas invistam em capacitação, atualização tecnológica e planejamento estratégico para readequar seus modelos de negócio, reduzindo riscos e explorando as vantagens proporcionadas pela industrialização e pela simplificação tributária. O diálogo com entidades representativas e a participação ativa nos debates sobre a regulamentação da reforma é crucial para assegurar que as necessidades do setor sejam atendidas.

“A ausência de tecnologias digitais como BIM e ERP no arcabouço fiscal da reforma representa um risco significativo para a correta apropriação de créditos tributários e para a transparência das operações no setor.”

FAQ – Perguntas Frequentes

O que é o modelo IBS e como ele afetará a construção civil?

O IBS (Imposto sobre Bens e Serviços) é um tributo criado para substituir impostos como PIS e Cofins, funcionando em um modelo VAT dual junto com a CBS. Para a construção civil, isso implica uma nova forma de tributar bens e serviços que visa reduzir a cumulatividade e tornar a tributação mais transparente, mas também traz aumentos iniciais de custos e necessidade de adaptação operacional.

Quais os principais impactos econômicos da reforma para as construtoras?

As construtoras deverão enfrentar aumento de até 20% nos custos das obras, requerendo revisão de contratos e orçamentos. Além disso, terão que ampliar investimentos em tecnologia para compliance e gestão fiscal, o que pode gerar custos adicionais, mas também ganhos em eficiência a médio prazo.

Como a reforma pode incentivar a industrialização da construção?

Ao aumentar os custos e formalizar o setor, a reforma estimula métodos construtivos mais eficientes, como processos industrializados que reduzem resíduos e retrabalhos. Isso contribui para uma construção mais sustentável e alinhada com padrões internacionais de qualidade e produtividade.

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Fonte original: Jornal do Comércio

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