Inventor com mais de 70 patentes e 30 milhões de views em palestras mostra como engenheiros estão resolvendo os maiores problemas da humanidade — de energia nuclear underground a navios autônomos
Houston, Texas — Cobertura exclusiva do Blog da Engenharia, direto do 3DEXPERIENCE World 2026
O keynote speaker do 3DEXPERIENCE World 2026 não decepcionou. Pablos Holman — inventor com mais de 70 patentes, um dos hackers mais renomados do mundo e palestrante com mais de 30 milhões de visualizações — subiu ao palco em Houston para mostrar que os engenheiros são os verdadeiros arquitetos do futuro da humanidade.
Holman, que já trabalhou com Jeff Bezos na Blue Origin, colaborou com Nathan Myhrvold e Bill Gates, e hoje lidera a DeepFuture — fundo de investimento em startups de deep tech — trouxe uma mensagem clara: “Temos o toolkit mais avançado de todos os tempos. Se não conseguirmos construir um futuro incrível com isso, não temos desculpa.”
“Precisamos multiplicar por 10 a produção global de energia”
Holman começou com um dado que chamou a atenção de todos os engenheiros presentes: a maioria das pessoas no planeta vive com a energia equivalente a uma torradeira ligada 24 horas por dia.
“Se você olhar ao redor do mundo, a maioria das pessoas recebe tanta energia quanto uma torradeira”, explicou. “Se você quer saber por que é incrível ser americano, é por isso — nós gastamos demais nosso orçamento de energia. Europeus ficam na faixa de cinco ou seis torradeiras. Para ter essas médias, 3 bilhões de pessoas vivem com menos de uma torradeira. Isso não é um padrão de vida que você acharia aceitável para você, sua família ou qualquer pessoa que você se importa.”
A solução? Engenharia em escala massiva.
“Precisamos fazer mais energia. Precisamos multiplicar por 10 a produção global de energia, sem nem contar a IA”, afirmou. “E eu sei que isso parece loucura, mas adivinhem? Já fizemos isso antes. No último século, multiplicamos por 10 a produção global de energia. Fizemos da forma difícil — cavando carvão e queimando. Agora precisamos encontrar um jeito melhor.”
Energia solar espacial: 8 vezes mais eficiente
Uma das soluções apresentadas por Holman envolve engenharia espacial avançada.
“Se você pegar o mesmo painel solar e lançá-lo no espaço, ele vai captar 8 vezes mais energia”, explicou. “Parece que é noite no espaço porque temos um ângulo ruim, mas na verdade é meio-dia no espaço o tempo todo. Você pode transmitir essa energia para a Terra usando ondas de rádio.”
O que tornava isso inviável era o custo de lançamento. “No ônibus espacial, custaria $40.000 para colocar seu iPad no espaço. Agora, graças à SpaceX, esse custo caiu para cerca de $1.500. A meta deles para o Starship é $10.”
“Nesta década, vai ficar mais barato guardar seu equipamento esportivo no espaço do que na sua garagem”, brincou Holman, arrancando risos da plateia de engenheiros.
Reatores nucleares em buracos de 1 milha de profundidade
Um dos projetos mais impressionantes apresentados por Holman envolve uma nova abordagem para energia nuclear — desenvolvida por engenheiros que repensaram completamente o design de reatores.
“Encontrei uma equipe que inventou um novo design de reator nuclear. Cabe em um bueiro. Eles o enterram a uma milha de profundidade em um furo. É inquestionavelmente seguro — está enterrado sob 10 bilhões de toneladas de rocha. Está a uma milha do quintal de qualquer pessoa. Nada pode dar errado. E mesmo se algo acontecesse, não haveria radioatividade na superfície.”
O mais impressionante: “O Departamento de Energia dos Estados Unidos está pressionando para que tenham os primeiros reatores no solo em julho. Temos uma lista de espera de 844 reatores. Vamos construir uma gigafábrica e começar a produzir gigawatts.”
Holman também revelou que existe um estoque de 700.000 toneladas métricas de urânio depletado — resíduo de reatores e bombas nucleares — que contém energia suficiente para alimentar o planeta inteiro por cerca de 1.000 anos.
“Nem precisamos minerar urânio. Isso é o que é possível”, afirmou.

IA como ferramenta de engenharia: “Não é chat, são modelos do mundo”
Holman fez questão de redefinir como engenheiros devem pensar sobre inteligência artificial.
“Vocês viram exemplos esta manhã — aquele modelo surrogate, análise surrogate. Caramba, nunca vi isso antes. Ideia genial. Incrível”, disse, referindo-se à demonstração do companheiro virtual Leo.
Mas sua definição de IA foi além: “Para que serve a IA? Para criar modelos computacionais do mundo, do nosso mundo, de nós, das coisas com que nos importamos. E então ela pode mostrar: esses são seus futuros possíveis. Escolha um. Esse é nosso trabalho. Cabe a nós escolher qual desses futuros parece melhor, qual queremos perseguir, qual queremos construir. É assim que se pensa com IA, não conversando.”
Da epidemiologia à engenharia: 3 ordens de magnitude em 3 anos
Holman apresentou um caso concreto de como modelos computacionais salvam vidas — através de engenharia de sistemas.
“Começamos a trabalhar em modelos computacionais, o que hoje chamaríamos de IA, para epidemiologia. Queríamos descobrir como erradicar doenças como tuberculose ou malária que matam milhões por ano, principalmente crianças que nunca tiveram uma chance.”
O resultado foi impressionante: “No primeiro surto de Ebola, 12.000 vidas foram perdidas. No segundo surto de Ebola, apenas alguns anos depois, apenas 12 vidas foram perdidas. Três ordens de magnitude em três anos. Isso é o que teria sido possível com a COVID. Não estávamos tentando.”
Engenharia resolvendo os problemas mais difíceis
Holman apresentou uma série de projetos de engenharia que estão transformando indústrias inteiras:
Reciclagem de ouro de eletrônicos: “Encontrei uma equipe que descobriu como reciclar os $20 bilhões de ouro — provavelmente $30 bilhões agora — que colocamos em eletrônicos todo ano. Eles conseguem separar o metal das placas de circuito.”
Concreto que dura para sempre: “O Panteão está de pé em Roma há 2.000 anos. É feito de concreto não armado, em uma zona sísmica. Não sabíamos como eles fizeram isso. Encontrei um cara no MIT que descobriu. Agora sabemos fazer cimento que dura virtualmente para sempre. Usa menos material. Menos aço. E 20% menos CO2.”
Reciclagem de plástico com enzimas: “Encontrei uma equipe que, usando IA, conseguiu projetar enzimas que quebram todos os diferentes tipos de plástico em monômeros, que podemos usar para fazer plástico novo. Não precisamos mais usar gás para fazer plástico. Temos lixo suficiente para reciclar pelo resto de nossas vidas.”
Navios autônomos à vela: “Vamos fazer navios que navegam sozinhos. Você cola um Tesla na frente de um navio cargueiro. É mais fácil que carros autônomos porque, tipo, um pedestre documentado na história. A vela funciona há séculos. Por que estaríamos queimando óleo bunker para trazer brinquedos de Happy Meal da China para Los Angeles? Esses navios não têm tripulação, combustível nem emissões.”
Poluição em lucro: “Encontrei uma equipe que descobriu que o escapamento saindo de uma chaminé é na verdade um monte de gases valiosos misturados — hidrogênio, oxigênio, nitrogênio, CO2. Se eles congelarem criogenicamente o gás, todos esses gases congelam em temperaturas diferentes, e eles podem separá-los, colocar em caminhões e vender. É literalmente o negócio mais ‘poluição-para-lucro’ que existe.”
“Vocês são os que vão construir o futuro”
Holman encerrou com uma mensagem direta aos engenheiros presentes:
“Quando você projeta um jato hipersônico, um foguete ou um Tesla, você projeta em software. Testa em software. Bate em software. Faz isso milhares e milhares de vezes até saber qual é o melhor design, e então constrói um. A NASA teve que explodir muitos foguetes para chegar ao espaço. A SpaceX explode um foguete de vez em quando, principalmente por diversão. Porque fazem em software.”
“Vocês todos vão voltar e construir o futuro. Somos nós. São as pessoas nesta sala. Vocês são os que entendem como usar essas ferramentas para construir. Temos muito a construir.”
Sua conclusão foi um chamado à ação: “Acho que começamos com o pé errado com a primeira rodada de IA nos últimos anos. Estamos nos assustando com histórias malucas. Estamos usando IA para as coisas mais idiotas que conseguimos pensar. Agora é hora de corrigir o curso. Agora estamos construindo IAs para ciência. Agora estamos construindo IAs para engenharia. Temos o toolkit mais avançado de todos os tempos. Se não conseguirmos descobrir como construir um futuro incrível com isso, não temos absolutamente nenhuma desculpa.”
📍 O Blog da Engenharia realiza a cobertura exclusiva do 3DEXPERIENCE World pelo 9º ano consecutivo, com equipe presente em Houston, Texas.
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