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O engenheiro de alto nível

Ano passado, durante um seminário na universidade, um professor nos apresentou o que ele considerava ser um engenheiro de alto nível. Achei interessante a definição dele, de modo que decidi compartilhá-la, com alguns itens meus em acréscimo.

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Um engenheiro de alto nível é o produto do esforço de um estudante de engenharia que tem interesse tanto em pesquisa quanto em mercado de trabalho. Nesse sentido, é alguém com uma sede imensa de conhecimento, aliada à busca pelas melhores oportunidades. Para alguém assim, não há falta de emprego.

Costuma-se visualizar as opções de carreira do seguinte modo: ou o cidadão se forma e já vai para o mercado de trabalho, prestando concurso para uma multinacional, por exemplo, para então construir uma carreira na empresa, ou opta por estudar mais e mais e seguir carreira acadêmica. Pesquisas já haviam mostrado que quem sai da graduação diretamente para o  mercado de trabalho tem mais empregabilidade nas indústrias, por uma questão de estilo profissional.

Entretanto, com a crescente concorrência dos processos seletivos juntamente com a associação cada vez mais frequente de competitividade com inovação, as empresas têm preferido engenheiros cada vez mais bem formados, com formação ampla e noção vasta de vários campos. Nos EUA é comum as empresas contratarem pesquisadores para trabalhar com R&D (Research and Development – Pesquisa e Desenvolvimento) e esse cenário tem sido cada vez mais uma tendência mundialmente, fomentando cada vez mais a qualidade dos produtos e o apreço às marcas, e, é claro, valorizando as melhores mentes por trás dos grandes projetos de engenharia.

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Um engenheiro de alto nível começa a ser formado nos primeiros anos da graduação (ou mesmo antes). É alguém que tem o perfil de engenheiro, mas procura se aprofundar nas áreas que mais lhe interessa. Não raro, podemos ver esse estudante de engenharia discutindo economia, política, filosofia, física quântica ou neurociência, porque é alguém que está em sintonia com as principais inovações nas ciências em geral. Procura aprender novas línguas, ou a tocar um novo instrumento musical. É uma pessoa que entra em qualquer círculo de conversação, dada a sua versatilidade (e a capacidade de trabalhar em rede – o que os administradores chamam de networking). É alguém sobre quem não podemos ter certeza de que obterá o sucesso naquilo que deseja, mas ao menos podemos dizer, com todas as letras, que tem comprometimento para tal.

É esse perfil de engenheiro que, atualmente, fatura centenas de milhares de dólares por ano em cargos de chefia estratégica nos Estados Unidos. É esse tipo de engenheiro que encabeça as mais produtivas linhas de produção mundo afora. E é esse tipo de engenheiro que as universidades brasileiras precisam se preocupar em formar, tendo em vista as nossas já iminentes necessidades energéticas, agroambientais, tecnológicas, socioeconômicas, etc.

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Desejo veementemente àqueles estudantes de engenharia que, ao terem lido esse texto, sentiram uma pontada de esperança nascer no peito, que busquem se tornar engenheiros de alto nível, para assim, serem autores de grandes mudanças e novos paradigmas para a engenharia.

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