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Siderúrgicas continuarão usando madeira de desmatamento por mais quatro anos

Indústria nacional do aço se comprometeu em eliminar, ao longo dos próximos quatro anos, o consumo de carvão vegetal de origem ilegal.
O carvão é um dos principais insumos da fabricação do aço.
Pelo Protocolo de Sustentabilidade, assinado ontem em Brasília, a partir de 2016, todo carvão vegetal necessário às siderúrgicas terá que ser proveniente de florestas plantadas pela própria indústria siderúrgica.
E, quando houver necessidade de complementação do insumo, os empresários vão exigir documentos oficiais que comprovem a origem legal do carvão comprado de terceiros.

Fora das estatísticas:
Com essas medidas, a indústria espera contornar impactos da atividade que é associada, historicamente, a práticas de desmatamento, trabalho em condições degradantes e poluição.
“Do que produzimos hoje, 80% é a partir de carvão vegetal proveniente de florestas próprias plantadas, 10% de florestas plantadas de terceiros e 10% de resíduos [de madeireiras]. Agora, estamos buscando autossuficiência das nossas florestas. Isso é sinal de que estamos resolvendo parte importante da cadeia”, explicou André Gerdau Johannpeter, presidente do Conselho Diretor do Instituto Aço Brasil.
Ferro-gusa:
Para a ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira, o governo ainda terá que enfrentar outra parte da cadeia: a indústria de ferro-gusa, que prioriza as exportações e é suspeita de ter metade da produção sustentada pelo carvão de origem ilegal.
O ferro-gusa é a liga de minério de ferro e carvão (carbono) que serve de base para a produção do aço.
“Aqui [na assinatura do protocolo], a indústria [do aço] garantiu que vai produzir 100% do carvão vegetal, quer independência das guseiras [indústria de ferro-gusa]. Mas, agora, temos que avançar no segmento das guseiras e estamos chamando esses empresários, mas será mais difícil esse diálogo”, avaliou a ministra.
O Brasil é o maior produtor de ferro-gusa do mundo, um produto de baixíssimo valor agregado – o maior ganho vem a jusante, quando o ferro-gusa entra na fabricação de aços especiais e ligas metálicas.
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