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Mão de obra na construção sobe 9,23% em 2025 e pressiona custos do setor

Apagão de mão de obra pressiona custo da construção de imóveis; entenda impactos

O setor da construção civil enfrenta um período desafiador marcado pelo déficit crescente de trabalhadores qualificados, impactando significativamente os custos e a dinâmica do mercado imobiliário. Este artigo traz uma análise aprofundada sobre as causas, consequências e estratégias adotadas para mitigar esse fenômeno que influencia diretamente o preço final dos imóveis.

  • Escassez e envelhecimento da mão de obra na construção civil
  • Uso crescente de métodos construtivos modernos e digitalização
  • Impactos econômicos: aumento de custos e compressão de margens
  • Tendências globais e comparação internacional
  • Perspectivas futuras e recomendações estratégicas para o setor

Compreendendo o fenômeno do apagão de mão de obra na construção civil

O “apagão” de mão de obra na construção civil representa uma escassez estrutural que vem se agravando gradualmente, refletindo uma combinação de fatores demográficos, econômicos e sociais. O envelhecimento do trabalhador, com média de idade nacional em torno de 40 anos e 42 anos na região metropolitana de São Paulo, é a face visível de um desafio ainda mais complexo: a baixa atração de novos talentos e jovens qualificados para o setor. Apesar do cenário macroeconômico favorável, com taxa de desocupação histórica em 5,6% no país, o setor enfrenta dificuldades específicas que limitam seu potencial de crescimento sustentável.

Técnicas modernas para suprir a demanda: industrialização e digitalização

Para compensar a escassez de mão de obra tradicional, a cadeia produtiva da construção adotou avanços tecnológicos e metodológicos, como a pré-fabricação, construção modular e industrialização dos canteiros. Essas estratégias, associadas a uma crescente digitalização dos processos, visam aumentar a produtividade, reduzir prazos e diminuir a dependência de profissionais escassos. O índice INCC (Índice Nacional de Custo da Construção) aferido pelo FGV-Ibre, que apresentou crescimento acumulado de 6,01% em 12 meses e valorização da mão de obra em 9,23% em 2025, reflete a pressão direta nos custos que essas transformações buscam mitigar.

Contexto histórico e condições do mercado

Historicamente, a construção civil tem enfrentado a dualidade entre alta demanda por infraestrutura e escassez de mão de obra especializada. Nos últimos anos, essa tensão se intensificou devido ao envelhecimento do perfil profissional e a baixa adesão dos jovens à formação técnica – atualmente limitada a 11% no Brasil, contra uma média de 35% a 65% nos países da OCDE. Além disso, o aumento da rotatividade laboral, de 13,7% em 2025, compromete a retenção de talentos e eleva os custos de requalificação. Essa conjuntura somada à migração dos trabalhadores para a economia de plataformas e formatos autônomos tem pressionado as empresas da construção a repensarem seu modelo operacional.

Dados técnicos e análise das tendências internacionais

O avanço dos métodos industriais e tecnológica na construção correlaciona-se com práticas internacionais observadas em países desenvolvidos, onde a industrialização e a modularidade alcançam entre 40% e 60% do processo construtivo, segundo dados da Organização Internacional da Construção. Embora o Brasil esteja num estágio inicial nesse aspecto, investimentos em automação e digitalização têm potencial para reverter gargalos existentes, especialmente frente à crescente valorização da mão de obra no país, que supera o índice oficial de inflação (IPCA 4,26% em 2025). No entanto, o retorno sobre investimento dessas inovações ainda carece de estudos quantitativos robustos para validar sua efetividade na redução definitiva dos custos.

  • Média de crescimento do INCC: 6,01% em 12 meses (2025/2026)
  • Aumento da mão de obra: 9,23% acumulado 2025
  • Rotatividade laboral: 13,7% em 2025
  • Formação técnica juvenil: 11% no Brasil vs. até 65% na OCDE

Impactos e desafios econômicos, sociais e operacionais

O impacto do apagão afeta o setor em múltiplos níveis: economicamente, há uma compressão das margens de lucro devido ao aumento contínuo dos custos com mão de obra; socialmente, o envelhecimento da força de trabalho e a baixa atração de jovens compromete a renovação e sustentabilidade do setor; operacionalmente, a maior rotatividade diminui a produtividade e eleva os custos relacionados ao treinamento constante. Empresas como a Liv Incorporadora e entidades de classe como a Abrainc e o Sinduscon-SP reconhecem que, embora a tecnologia seja uma saída estratégica, a lacuna existente entre investimento e resultados mensuráveis permanece um desafio crítico a ser superado.

“A modernização do setor é essencial, mas o retorno sobre o investimento em automação ainda não está claro para muitos players do mercado.” – Especialista do setor

Perspectivas futuras e recomendações estratégicas

Para garantir sustentabilidade e competitividade, o setor deve persistir na incorporação de tecnologias construtivas avançadas, além de intensificar programas de formação técnica e capacitação. Estratégias para atrair jovens, integrar plataformas digitais e oferecer condições de trabalho mais atraentes serão fundamentais para equilibrar a oferta de mão de obra. Paralelamente, implementar métricas claras de avaliação do retorno dos investimentos em industrialização permitirá decisões mais acertadas e eficientes. O fortalecimento do diálogo entre empresas, entidades de classe e governos pode fomentar políticas que incentivem a profissionalização e adaptação frente ao novo panorama.

FAQ – Perguntas frequentes


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