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Perícia aponta falhas na construção de laje que matou criança em Porto Alegre

Laje que desabou e matou uma criança no RS estava em desacordo com boas práticas de engenharia, conclui perícia

O desabamento de uma laje no bairro Bom Jesus, em Porto Alegre, ocorrido em janeiro de 2026, gerou uma profunda comoção social e levantou importantes questionamentos sobre a aplicação das boas práticas em Engenharia Civil no Brasil. A tragédia vitimou uma criança de 7 anos e deixou duas outras feridas, evidenciando não apenas falhas técnicas na construção, mas também a necessidade de rígidos controles e fiscalização das estruturas habitacionais. A perícia realizada pelo Instituto-Geral de Perícias do Rio Grande do Sul (IGP) revelou condições que comprometeram gravemente a integridade da estrutura, demonstrando desvios significativos em relação à normatização padrão da engenharia civil contemporânea.

  • Perícia aponta falhas na construção da laje, incluindo exposição e corrosão das armaduras de aço;
  • Piscina de 2.500 litros instalada sobre a laje foi um fator de sobrecarga;
  • Falhas estruturais detectadas envolveram infiltração e redução das seções das armaduras;
  • Tragédia social com uma vítima fatal e duas crianças feridas, já recebendo alta hospitalar;
  • Investigações destacam o uso de materiais inadequados e ausência de um projeto adequadamente executado.

Contexto Técnico e Normativo

A perícia do Instituto-Geral de Perícias confirmou que a laje encontrava-se em desacordo com as práticas recomendadas pela engenharia civil, sobretudo no que tange à proteção das armaduras metálicas, que estavam expostas à ação do tempo e, consequentemente, à corrosão acelerada. A infiltração de água comprometeu ainda mais a resistência estrutural, provocando redução da seção das armaduras de aço. Embora o laudo não tenha mencionado explicitamente a NBR 6118, norma brasileira para projeto e execução de estruturas de concreto armado, é evidente que seus princípios básicos não foram observados, como a adequada impermeabilização e o controle rigoroso da qualidade dos materiais utilizados. A instalação da piscina, realizada apenas uma semana antes do incidente, acrescentou uma carga pontual significativa à laje, agravando a situação já fragilizada pela má execução.

Dados Técnicos e Impactos do Desabamento

A piscina que colaborou para o colapso da laje armazenava aproximadamente 2.500 litros de água, o que gerou uma sobrecarga considerável para uma estrutura possivelmente não dimensionada para tal finalidade. O desabamento ocorreu em 6 de janeiro de 2026, resultando na morte de Valentina Scalon, de apenas sete anos, além de ferimentos em outras duas crianças que tiveram alta médica após atendimento. O impacto social desse evento é profundo, provocando trauma familiar e despertando receios no bairro Bom Jesus e na comunidade mais ampla de Porto Alegre. Do ponto de vista econômico, a investigação está próxima do encerramento, e apesar da gravidade, não houve indiciamentos até o momento, o que gera debate no setor sobre a responsabilização técnica e jurídica em casos de falha estrutural.

Principais falhas detectadas

  1. Exposição das armaduras de aço às intempéries, acelerando a corrosão;
  2. Infiltração de água no concreto da laje;
  3. Redução da seção efetiva das armaduras devido à corrosão;
  4. Ausência de projeto ou execução conforme normas técnicas;
  5. Uso de materiais de qualidade inferior ou incompatíveis com as demandas estruturais.

Análise Comparativa Internacional e Tendências do Mercado

Quando comparado a outros países com forte tradição em engenharia civil, como Alemanha e Japão, o Brasil ainda apresenta desafios estruturais significativos na observância e fiscalização das normativas técnicas e boas práticas de construção. Em mercados mais rigorosos, a corrosão de armaduras e a infiltração são minimizadas por meio de materiais com aditivos especiais e processos de cura do concreto eficientes, além da aplicação obrigatória de inspeções peródicas. No cenário nacional, há uma crescente preocupação com o uso de materiais mais baratos e a falta de profissionais técnicos qualificados para acompanhar obras e projetos, o que se alia a um déficit regulatório para garantir a segurança das edificações, conforme destacado por sindicatos como o Senge-RS.

Impactos Sociais, Econômicos e Ambientais

O episódio transcende questões técnicas e desperta uma reflexão urgente sobre o impacto social da negligência em engenharia estrutural. A morte de Valentina e os ferimentos das outras crianças refletem diretamente na traumatização das famílias e da comunidade local, que agora enfrentam o desafio de lidar com a insegurança ao redor das edificações. Economicamente, a ausência de indiciamentos e a proximidade do encerramento do inquérito revelam lacunas no sistema de responsabilização, alimentando debates sobre como garantir maior rigor em projetos e fiscalizações futuras. Ambientalmente, a exposição das armaduras ao tempo provoca a aceleração da corrosão, o que além de fragilizar as estruturas, pode gerar necessidade de readequações constantes, ampliando o impacto ambiental da construção civil.

Recomendações e Perspectivas Futuras

Especialistas do setor reforçam a necessidade da aplicação rigorosa de normas técnicas, como a NBR 6118, visando garantir a durabilidade e segurança das estruturas. Reforço na fiscalização e maior capacitação dos profissionais de engenharia se mostram essenciais para evitar tragédias como essa. Recomenda-se também a adoção de tecnologias avançadas, tais como sensores de monitoramento estrutural em tempo real, já utilizadas em países referência no tema, para detectar e alertar sobre falhas precocemente. A responsabilização técnica deve ser clara, promovendo accountability que incentive melhores práticas e o uso consciente de materiais certificados.

“A segurança em edificações não deve ser comprometida pelo uso inadequado de materiais ou pela ausência de normas técnicas robustas e fiscalizadas.” – Engenheiro civil, Senge-RS

Perguntas Frequentes

Quais foram as principais causas do desabamento da laje em Porto Alegre?

A perícia concluiu que as falhas envolviam a exposição das armaduras de aço à corrosão, infiltração de água no concreto e redução da seção das armaduras, além da instalação recente e inadequada de uma piscina de 2.500 litros que gerou uma sobrecarga excessiva para a laje.

A laje estava dimensionada conforme as normas brasileiras de engenharia civil?

A perícia indicou que a laje estava em desacordo com as boas práticas de engenharia, sugerindo que não houve observância adequada da NBR 6118 ou outras normas técnicas essenciais para concreto armado, o que resultou na fragilização da estrutura.

Quais são as recomendações para evitar acidentes similares?

Recomenda-se o cumprimento rigoroso das normas técnicas, fiscalização contínua das obras, capacitação dos engenheiros, uso de materiais certificados, além da implantação de sistemas inteligentes de monitoramento estrutural e maior consciência quanto à carga suportada pelas estruturas.

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Fonte original: G1 RS – 13 de fevereiro de 2026

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