Depois dos keynotes pesados de Jensen Huang, Pascal Daloz e Manish Kumar, o palco do 3DEXPERIENCE World 2026 recebeu três fundadores que estão usando SOLIDWORKS e IA para resolver problemas reais. E não foram cases corporativos genéricos. Foram histórias de robôs que pulam, mãos biônicas que sentem e máquinas de afiar patins com precisão de 0,0002 polegadas.
A moderadora abriu com uma pergunta provocativa: a IA pode substituir a criatividade humana? E ela mesma respondeu que essa é a pergunta errada. “As melhores ideias sempre vêm das pessoas. Da visão, da intuição, da emoção. A IA nos ajuda a ir mais rápido, a explorar mais. Mas vocês impulsionam a centelha.”
Westwood Robotics: O Robô Que Pula de Verdade
O primeiro a falar foi o Dr. Joel Zhao, da Westwood Robotics. A maioria da automação industrial depende de previsibilidade – o robô faz a mesma coisa, do mesmo jeito, mil vezes. A Westwood projeta para o oposto: variabilidade.
Zhao explicou que criaram um sistema operacional humanoide aumentado por IA, uma pilha modular que coordena estabilidade de corpo inteiro, navegação e interação segura. O diferencial é que a IA consegue se adaptar a um novo ambiente ou tarefa com dados mínimos, como algumas fotos ou uma breve demonstração humana.
O robô Bruce da Westwood é o primeiro humanoide do mundo que consegue pular e correr de verdade. E ele estava no estande do evento, funcionando ao vivo. A equipe usa simulação intensivamente para prever comportamento antes de cortar metal, otimização topológica para reduzir peso preservando rigidez, e testes de diferentes designs sem gastar tempo em protótipos físicos. Como Zhao explicou, cada grama importa para o desempenho do controle, uso de energia e dinâmica.
Ele projeta que em cinco anos, robôs serão companheiros de equipe padrão em produção. Humanos definem metas, lidam com julgamentos e gerenciam exceções. Os robôs cuidam dos trabalhos físicos, repetitivos e arriscados. Mais tarefas por hora, menor custo por tarefa.
PSYONIC: A Mão Biônica Que Nasceu de Uma História Real
A história do Dr. Adil Akhtar começa aos sete anos de idade, no Paquistão. Foi a primeira vez que ele conheceu alguém que faltava um membro. Ela tinha a mesma idade dele, vivendo na pobreza. Isso o inspirou a entrar nesta área.
Desde então, Adil fez bacharelado em biologia, mestrado em ciência da computação, outro mestrado em engenharia elétrica, doutorado em neurociência pela Universidade de Illinois. E largou a faculdade de medicina para construir biônicos em tempo integral. Por quê? “Era mais divertido e eu podia ter mais impacto.”
A mão biônica da PSYONIC é a mais rápida do mercado, super durável, e a primeira com feedback tátil – o usuário sente o que toca. Mais de 300 pessoas já usam como prótese, e mais de 50 empresas de robótica, incluindo NASA, Google, Amazon e Mercedes, usam a mão em seus projetos. É coberta pelo Medicare nos EUA.
Adil fez uma demonstração que impressionou. Usando um aplicativo no celular, ele controlou cada dedo individualmente em tempo real. A mão respondia instantaneamente aos comandos, com movimentos naturais e precisos. O auditório ficou em silêncio.
Para a PSYONIC, SOLIDWORKS não é apenas CAD. “É como preenchemos a lacuna entre a necessidade humana e o hardware escalável do mundo real”, explicou Adil. A mesma plataforma que usaram para iterar rápido no início permitiu passar de protótipos de laboratório para dispositivo médico regulamentado sem trocar de ferramentas.
O futuro da empresa vai além de próteses. Estão integrando as mãos diretamente ao sistema nervoso através de eletrodos implantados, em parceria com a NVIDIA. A filosofia é simples: o que constroem para humanos beneficia robôs, e o que constroem para robôs beneficia humanos.
Sparks Hockey: Precisão de Laboratório na Sua Garagem
Russell Linton transformou um problema técnico em negócio global. Afiar patins de hóquei parece simples, mas não é. Afiadores profissionais usam décadas de experiência para compensar a variabilidade no hardware. O que a Sparks fez foi projetar essa precisão diretamente no produto.
A empresa tem mais de 125 mil máquinas vendidas no mundo, realiza 10 milhões de afiações por ano, e entrega precisão de 0,0002 polegadas entre as duas arestas da lâmina.
Russell detalhou os desafios técnicos que enfrentaram. A roda de moagem, do tamanho de uma ficha de pôquer, gera tanto calor que derrete a lâmina do patins. Usaram análise térmica no SOLIDWORKS para projetar um dissipador de calor rotativo. Precisavam de pressão constante, então usaram simulação mecânica para otimizar o carro que move a roda pela lâmina. Na terceira geração do produto, usaram simulação de estresse para converter uma extrusão mais sete componentes em uma única peça fundida, sem perder integridade estrutural.
O próximo passo é usar dados da nuvem para melhorar performance atlética. O produto já envia informações de afiação para a nuvem, e a ideia é combinar isso com dados de frequência cardíaca e respiratória para ajustar a afiação ao atleta individual.
O Que Conecta Essas Três Histórias
Observando os três fundadores, um padrão fica claro. Nenhum começou com tecnologia. Começaram com um problema que valia a pena resolver, uma paixão, uma visão. Usaram simulação para iterar rápido e barato. Escalaram da ideia ao produto real com as mesmas ferramentas. E tratam IA como multiplicador, não como substituto da criatividade.
Esses três cases mostram algo que às vezes se perde nos keynotes grandiosos: engenharia resolve problemas de pessoas reais. Uma menina no Paquistão sem um membro. Um atleta que quer patinar melhor. Trabalhadores que precisam de ajuda em tarefas repetitivas.
A tecnologia é meio, não fim. E a mão biônica controlada pelo celular? Isso eu não vou esquecer tão cedo.








