From space to the seabed, critical infrastructure is becoming more vulnerable, experts warn: ‘People don’t realize how dependent we are’
Introdução
Em um mundo cada vez mais interconectado, a infraestrutura crítica que sustenta desde redes espaciais até sistemas subaquáticos enfrenta vulnerabilidades crescentes e complexas. Especialistas alertam para uma dependência sistêmica pouco percebida pela sociedade, destacando a necessidade urgente de fortalecer a segurança operacional (OT) e das tecnologias conectadas à internet das coisas (IoT). Esta análise aprofunda os riscos emergentes, legislações, desafios do mercado e impactos sociais e econômicos, explorando um cenário que transcende fronteiras e demanda respostas globais coordenadas.
- NIS 2 e os sete requisitos para segurança OT/IoT vigentes a partir de outubro de 2024.
- Contexto técnico: Threat Hunting, Zero Trust e análises de risco CIS como pilares para proteção.
- Dados sobre lacunas em inventários, investimentos e atualizações de segurança nas organizações.
- Impactos econômicos, ambientais e sociais decorrentes de ataques à infraestrutura crítica.
- Desafios do envelhecimento dos ativos e crescimento dos ataques, intensificados pela inteligência artificial generativa.
Entendendo a vulnerabilidade da infraestrutura crítica
A infraestrutura crítica abrange um vasto espectro de sistemas essenciais, incluindo redes elétricas, portos, comunicações por satélite e a infraestrutura submersa do fundo do mar. Estes ativos, muitos já com três ou até cinco décadas de uso, encontram-se expostos a riscos diversos que vão desde ataques cibernéticos sofisticados até ameaças climáticas extremas. A crescente digitalização e dependência de tecnologias interligadas ampliam o leque de exposição a falhas, o que, aliado à baixa visibilidade e falta de inventário completo dos ativos OT/IoT, dificulta a implementação de defesas eficazes e adequadas.
Contexto histórico e regulamentação
O avanço regulatório emerge como resposta imprescindível frente a este cenário crítico. A União Europeia, por exemplo, introduziu a diretiva NIS 2, que entrará em vigor em outubro de 2024, estabelecendo sete requisitos rigorosos de segurança para OT e IoT. Esta legislação marca uma tentativa clara de harmonizar práticas de cibersegurança que, até então, variavam muito em qualidade e abrangência. Entretanto, o sucesso da NIS 2 depende não apenas da criação de regras, mas da capacidade das organizações em identificar e monitorar seus ativos de forma efetiva, um desafio ainda distante para 81% das instituições, segundo relatórios recentes.
Análise técnica e dados relevantes
Para mitigar riscos crescentes, estratégias como Threat Hunting, Zero Trust e segurança em camadas na OT são apontadas como essenciais para uma defesa robusta. Ainda assim, dados do Global Risks Report 2026 indicam que interrupções em infraestrutura crítica mantêm posição alta (23ª em 10 anos, 22ª em 2 anos) entre ameaças globais mais relevantes. Em termos técnicos, metade das organizações atualizam regularmente as análises de risco segundo o Center for Internet Security (CIS), enquanto 15% sequer fazem estas avaliações. A ausência de programas de inventário, em 81% dos casos, reforça a dificuldade operacional para proteção eficaz dos ativos. Paralelamente, 96% dos líderes empresariais reconhecem a necessidade de investimentos em cibersegurança OT, mas 70% enfrentam desafios significativos na implementação destes planos, evidenciando a complexidade técnica e organizacional envolvida.
Principais práticas recomendadas
- Implementação de análise contínua de vulnerabilidades e caça ativa a ameaças (Threat Hunting).
- Adotar estratégias Zero Trust para segmentação e controle rigoroso de acesso em ambientes OT.
- Manutenção e atualização periódica de inventários completos de ativos OT e IoT com alto grau de visibilidade.
Mercado e tendências globais
Empresas como Nozomi Networks, ESET e Zurich Seguros lideram iniciativas e discussões sobre cibersegurança para infraestrutura crítica, sinalizando uma preocupação crescente no setor privado. A inteligênica artificial generativa, embora traga avanços positivos, é também uma ferramenta para ataques sofisticados que ameaçam sistemas operacionais antigos, particularmente com a fadiga tecnológica de equipamentos que operam entre 30 a 50 anos. Na comparação internacional, mercados como os EUA e países da União Europeia vêm ampliando seus investimentos e criando frameworks robustos para garantir resiliência, mas a discrepância entre regiões ainda pode ser sentida, especialmente em países com limitações técnicas e financeiras para acompanhar esse ritmo.
Impactos socioeconômicos e ambientais
Além dos óbvios riscos econômicos, que envolvem interrupção em cadeias produtivas e perdas financeiras monumentais por ataques em setores como energia e portos, o impacto social é profundo. A falta de percepção da dependência de sistemas críticos expõe populações inteiras a falhas, principalmente em regiões de conflito ou vulneráveis. Em paralelo, as ameaças climáticas extremas elevam o patamar de urgência para proteção dessas infraestruturas, pois desastres ambientais podem causar colapsos em cascata de serviços essenciais, trazendo consequências globais de ordem geopolítica e financeira. Desta forma, proteger essas estruturas é, na verdade, garantir a estabilidade socioeconômica e a segurança global.
Perspectivas futuras e desafios
O futuro da infraestrutura crítica caminha para uma integração ainda mais profunda entre o físico e o digital, ressaltando a importância de maior visibilidade, técnicas avançadas de segurança e colaboração internacional. A adoção de frameworks como NIS 2, aliada a tecnologias emergentes de inteligência artificial para detecção proativa e resposta rápida, pode definir um novo paradigma na proteção destes sistemas. Contudo, o envelhecimento dos ativos e as barreiras para implementação efetiva permanecem como obstáculos significativos, demandando esforços conjuntos entre governo, setor privado e organizações internacionais para mitigar riscos crescentes.
Recomendações práticas
Especialistas recomendam que as organizações invistam prioritariamente em inventários robustos e visibilidade contínua dos seus ativos OT/IoT, visto que o desconhecimento desta base é a principal lacuna para proteção eficiente, mesmo com normativas rigorosas em vigor. Além disso, a capacitação das equipes em técnicas de Threat Hunting e a aplicação de princípios Zero Trust devem se tornar padrão para barrar ataques complexos. O envolvimento do conselho e líderes estratégicos é essencial para garantir investimentos adequados e uma cultura de segurança transversal na instituição.
“Sem visibilidade total dos ativos críticos, nenhum protocolo de segurança conseguirá mitigar as ameaças contemporâneas que se aproveitam das brechas invisíveis” – Analista Sênior de Segurança OT.
FAQ – Perguntas Frequentes
O que é a diretiva NIS 2 e qual seu impacto nas organizações?
A NIS 2 é uma legislação da União Europeia que estabelece requisitos mínimos para segurança de redes e sistemas de informação, com foco em infraestruturas críticas, incluindo OT e IoT. A diretiva visa elevar o padrão de proteção, exigindo que as organizações adotem práticas mais rigorosas de gestão de risco e segurança, promovendo resiliência contra ciberataques e falhas operacionais.
Quais os principais desafios para implementação de segurança em OT?
Os desafios incluem a idade avançada dos ativos, baixa visibilidade das infraestruturas, resistência organizacional a mudanças, falta de profissionais capacitados e a complexidade técnica de integrar soluções de segurança modernas sem comprometer a operação contínua e segura dos sistemas.
Como a inteligência artificial influencia a segurança da infraestrutura crítica?
A inteligência artificial, especialmente a generativa, tem o potencial duplo de aprimorar a defesa com detecção preditiva e resposta automática, porém também pode ser utilizada por atacantes para criar ameaças mais sofisticadas, dificultando a sua identificação e neutralização.
Comparação internacional e benchmark
Nos Estados Unidos, órgãos como o CISA estabelecem frameworks avançados de cibersegurança para infraestrutura crítica, com forte investimento em tecnologias de IA para monitoramento em tempo real e resposta imediata a incidentes. A União Europeia, por meio da NIS 2, também consolida um padrão rígido, mas com desafios semelhantes enfrentados em países emergentes, onde a infraestrutura envelhecida e a limitação de recursos dificultam a replicação dessas práticas, reforçando a necessidade de cooperação internacional para elevar o nível global de proteção.
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