Esquece aquela ideia de que AI vai substituir engenheiros.
O que Jensen Huang apresentou hoje no 3DEXPERIENCE World 2026 é o oposto: cada engenheiro vai ter um time inteiro de AIs trabalhando junto. Não uma. Várias.
E isso muda completamente a forma como pensamos sobre produtividade e criatividade na engenharia.
O Conceito de Companheiros Virtuais
Jensen foi enfático:
“A maioria das pessoas pensa que o número de designers vai diminuir no futuro, e o número de ferramentas que você usa vai ser menor. É exatamente o contrário.”
A visão dele é clara:
- Cada designer terá um time de companheiros
- Você treina esses companheiros com diferentes habilidades
- Eles se coordenam entre si e com você
- Todos usam as ferramentas (SOLIDWORKS, CATIA, etc.)
Resultado: O número de “usuários” das ferramentas vai explodir – de biológicos para biológicos + AI.
Como Vai Funcionar na Prática
Jensen pintou um cenário que vale guardar:
“Você está trabalhando com seus companheiros e, sabe, é hora de um coquetel. São 4h30 da tarde em algum lugar. Você desliga e deixa seu time explorando diferentes áreas.”
Imagina isso:
- Você define os parâmetros: “Quero explorar isso, quero otimizar por aquelas métricas”
- Você vai embora: Reunião, happy hour, jantar com a família
- O time trabalha: Explorando possibilidades, gerando alternativas
- Você volta: Com 3, 5, 10 opções de design prontas pra avaliar
E aí você entra, ajusta especificamente o que precisa, porque tem a estrutura que queria.
AI no Loop vs. Humano no Loop
Jensen fez uma distinção importante:
“Quando as pessoas pensam em AI, elas pensam em humanos no loop. Isso é importante. Mas lembre-se, você também tem seu companheiro.”
A diferença:
| Humano no Loop | AI no Loop |
|---|---|
| Você supervisiona a AI | AI trabalha junto com você |
| Você valida outputs | AI lembra suas preferências |
| Você decide | AI codifica suas habilidades |
| Processo linear | Processo paralelo |
O companheiro virtual não é uma ferramenta que você usa. É um colaborador que aprende como você trabalha.
Seu Companheiro Conhece Você
Esse ponto é crucial e tem implicações sérias:
“Esse AI vai lembrar como você gostaria de fazer as coisas, suas preferências. Vai codificar suas habilidades, seus hábitos, a experiência que você tem.”
Jensen usou seu próprio inbox como exemplo:
“Se você olhar meu inbox, em muitas formas ele capturou 33 anos da minha sabedoria, da minha experiência. Não está disponível para todos. Captura uma grande parte da minha sensibilidade.”
Seu companheiro virtual vai fazer o mesmo com seu trabalho de engenharia. Vai aprender:
- Como você nomeia arquivos
- Que tipo de solução você prefere
- Seus atalhos e macetes
- Suas restrições não-documentadas
- Seu “gosto” em design
Privacidade e Propriedade Intelectual
Pascal Daloz levantou a questão que todo mundo pensou:
“Como protegemos o conhecimento de todos os milhões de pessoas usando nosso software?”
A resposta de Jensen foi direta:
“Esse companheiro fica com você. Não vai estar na cloud pública. Porque ele captura sua experiência.”
Isso é fundamental. Seu companheiro virtual não é um ChatGPT genérico que qualquer um acessa. É seu, treinado com sua experiência, protegendo sua propriedade intelectual.
De Informação Estruturada para Desestruturada (e Vice-Versa)
Uma das capacidades mais revolucionárias apresentadas:
“A AI permite ir de informação estruturada para desestruturada e vice-versa.”
Na prática:
- Você tira uma foto de um rascunho no guardanapo
- AI converte para modelo 3D paramétrico
- Você ajusta o que precisa
- AI gera variações baseadas nos seus critérios
Ou o contrário:
- Você tem um modelo 3D complexo
- AI gera documentação técnica
- AI cria apresentação para cliente
- AI produz manual de montagem
A barreira entre “ideia na cabeça” e “projeto no sistema” praticamente desaparece.
O Exemplo do 2D para 3D
Na demonstração ao vivo, mostraram exatamente isso:
“Em alguns segundos, começamos com um desenho 2D. Produzimos automaticamente o modelo 3D. É um modelo paramétrico completo, pronto para simulação.”
Isso não é reconhecimento de imagem básico. É entendimento do que o desenho representa e conversão para estrutura de dados editável.
O Impacto no Mercado de Trabalho
Aqui entra a pergunta que não quer calar: isso vai tirar empregos?
A visão apresentada é diferente. Jensen argumenta que:
- Mais projetos serão viáveis – Coisas que não cabiam no orçamento de horas agora cabem
- Mais iterações serão possíveis – Você explora mais alternativas
- Mais complexidade será gerenciável – Projetos maiores com mesma equipe
- Mais criatividade será liberada – Menos tempo em tarefas repetitivas
O engenheiro não some. Ele vira gerente de um time de AIs.
O Que Você Precisa Aprender
Se essa visão se concretizar (e tudo indica que vai), algumas habilidades se tornam críticas:
Habilidades técnicas:
- Entender como treinar e ajustar AIs
- Saber definir critérios e restrições claramente
- Validar outputs de AI com olho crítico
- Integrar múltiplas ferramentas de AI
Habilidades de gestão:
- Delegar para AIs efetivamente
- Coordenar trabalho paralelo
- Priorizar o que você faz vs. o que a AI faz
- Revisar e iterar rapidamente
Habilidades humanas:
- Criatividade (a AI otimiza, você cria)
- Julgamento (a AI sugere, você decide)
- Comunicação (explicar para clientes, stakeholders)
- Visão sistêmica (entender o todo, não só as partes)
Quando Isso Chega?
Não é ficção científica. Partes disso já existem:
- GitHub Copilot já é um “companheiro” para programadores
- AURA (anunciado ontem) é o companheiro para SOLIDWORKS
- Ferramentas de design generativo já exploram alternativas automaticamente
O que foi apresentado hoje é a integração de tudo isso em um ecossistema coeso, com proteção de IP e aprendizado contínuo.
Expectativa realista:
- 2026-2027: Primeiras implementações em empresas pioneiras
- 2028-2029: Adoção em massa nas grandes empresas
- 2030+: Padrão de mercado
Minha Análise
Confesso que esse foi o conceito que mais me impactou no keynote.
Não porque é tecnicamente impressionante (é). Mas porque muda a natureza do trabalho de engenharia.
Por décadas, ser bom engenheiro significava dominar ferramentas complexas e executar tarefas técnicas com precisão. No futuro que Jensen e Pascal descreveram, ser bom engenheiro significa orquestrar um time de AIs que dominam as ferramentas e executam as tarefas.
Seu valor não está mais na execução. Está na direção.
E isso, pra quem souber se adaptar, é uma oportunidade gigante.
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