Em sessão exclusiva para jornalistas, Manish Kumar explicou por que a Dassault criou três companheiros virtuais em vez de um, mostrou demonstrações que serão apresentadas amanhã e fez uma promessa: os dados dos clientes nunca serão compartilhados
Horas após a General Session de abertura do 3DEXPERIENCE World 2026, o CEO da SOLIDWORKS, Manish Kumar, reuniu um grupo seleto de jornalistas para uma sessão que ele próprio classificou como “um risco”. O motivo: antecipou demonstrações que só seriam apresentadas ao público geral no dia seguinte.
“Se não puderem publicar antes de amanhã, eu agradeceria”, pediu. O Blog da Engenharia honrou o pedido — e agora pode contar o que viu.

A metáfora do gênio: por que três IAs e não uma
A pergunta mais frequente sobre os companheiros virtuais da Dassault é: por que criar três personagens diferentes em vez de um único assistente?
Kumar usou uma analogia baseada em pesquisas sobre inteligência humana: “Se eu sou um especialista em matemática, ofereço certas capacidades. Se sou especialista em linguagem, ofereço outras. Se sou especialista em artes, como tocar piano, ofereço outras ainda. Mas a pessoa que tem experiência em matemática, linguagem E arte… essas são os gênios.”
E completou: “Gênios nunca têm uma única expertise. Gênios são pessoas com múltiplas expertises.”
A lógica por trás dos três companheiros segue esse princípio:
AURA — É livre para explorar ideias, sem restrições. Conecta conhecimento interno e externo. “Aura é muito agradável. Ela concorda com você, te apoia. Não é diretiva”, explicou Kumar.
LEO — É o construtor realista. “Leo quer confirmar que você pode construir, que você pode fabricar. Leo não vai sugerir algo abstrato”, disse. É mais diretivo: “você deve fazer isso”.
MARIE — É a cientista assertiva. “Marie vai te dizer: esta é a verdade, esta é a realidade, você tem que aceitar”, descreveu Kumar.
A combinação dos três comportamentos, segundo o CEO, permite que os usuários “utilizem o valor da IA muito mais do que se fosse apenas um único gênio sentado com você”.

As demonstrações que ninguém viu ainda
Kumar mostrou aos jornalistas uma série de capacidades que serão apresentadas no dia seguinte — e que estarão disponíveis para teste no laboratório de IA do evento.
Imagem para malha: Uma gerente de produto da SOLIDWORKS, Priyanka, queria um porta-copos personalizado para o carrinho de bebê do filho Kabir. Ela tirou uma foto do carrinho, e o sistema converteu a imagem em malha 3D, fornecendo o contexto para criar qualquer objeto naquele ambiente específico.
“Não estamos apenas pensando em desenhos ou PDF para modelo 3D. Estamos pensando: posso ir de imagem para malha, e no futuro de malha para geometria?”, explicou Kumar.
Doutor da montagem: Muitos usuários reclamam de problemas de desempenho em montagens grandes. O “Assembly Doctor” (nome provisório) analisa a montagem, identifica problemas e recomenda soluções baseadas em melhores práticas. “Suprimir fixadores em grandes montagens, usar representações simplificadas”, exemplificou.
Conversar com o modelo: É possível fazer perguntas diretamente ao modelo 3D, como se fosse uma pessoa. “Quantos componentes você tem? Qual é o peso total?” E mais: comandos como “pegue todas as peças de um determinado material e substitua por outro” são executados automaticamente, eliminando cliques repetitivos.
Teste de queda automatizado: Para dispositivos vestíveis, o teste de queda é crítico — mas complexo de configurar. Com o Leo, o usuário simplesmente diz: “Tenho este modelo, tenho um chão, quero fazer o teste de queda. Faça tudo por mim.” Sem precisar definir altura, força ou contato manualmente.
Ações de mudança por conversa: Quando um cliente solicita modificações, o processo de change action tradicionalmente exige navegar por múltiplas interfaces. Agora, é possível dizer: “Ei, chefe, você pode aprovar minha mudança?” O sistema sabe quem é o aprovador, cria a solicitação, atribui à pessoa certa e processa a aprovação — tudo via conversa.
“Seus dados nunca serão compartilhados”
Kumar dedicou tempo significativo ao tema confiança, reconhecendo que é a principal preocupação dos clientes empresariais.
“A confiança é primordial”, enfatizou. “Não podemos ter o conhecimento da Boeing indo para a Airbus. Não podemos ter isso.”
O CEO explicou como funciona o modelo de treinamento:
Lançamento inicial: Os companheiros virtuais serão treinados exclusivamente com dados proprietários da Dassault ou dados sintéticos (gerados internamente). “Temos engenheiros pagos por nós criando esses dados, ou usamos macros para produzir milhares de arquivos”, detalhou.
Treinamento específico por cliente: Quando um cliente quiser treinar o modelo com seus próprios dados, o resultado será “um modelo exclusivamente aprimorado para esse cliente”. E a promessa: “Nunca será compartilhado com mais ninguém.”
Kumar explicou a necessidade: “Se você for a qualquer cliente da SOLIDWORKS, cada um tem um conjunto de regras que segue. Essas regras, muitas vezes, nem estão escritas em lugar algum. Estão no próprio desenho, no próprio projeto. O cliente quer que o próximo projeto siga essa regra.”

De fabricante de ferramentas para fábrica de conhecimento
A frase que talvez melhor resuma a transformação que a SOLIDWORKS está buscando veio no encerramento:
“Historicamente, a SOLIDWORKS — e eu diria a Dassault Systèmes — temos sido fabricantes de ferramentas. Damos coisas aos nossos usuários para que desenhem, criem, façam. Mas nos vemos indo para o futuro como aqueles que vão criar fábricas de conhecimento e know-how.”
E explicou o que isso significa na prática: “Com essa fábrica de conhecimento, os clientes poderão conversar para produzir uma nova forma ou novo objeto sem criar todos os cliques, sem criar todos os esboços, sem criar todas as montagens, peças e desenhos.”
“Democratizar ainda mais”
Kumar fez uma comparação que deixou clara a ambição da empresa:
“Há 30 anos, a SOLIDWORKS começou com um princípio simples: queríamos levar o CAD para a área de trabalho de todo engenheiro. Mas ainda era um engenheiro. Ainda eram pessoas versadas em sua profissão.”
Agora, o objetivo é outro: “Isso vai diminuir a barreira de entrada. Vamos democratizar ainda mais.”
E usou uma analogia que todos na sala entenderam: “Hoje, qualquer pessoa nesta sala é especialista em criação de imagens. Você pode ir ao ChatGPT ou Gemini e dizer que quer esse tipo de imagem. Não precisa ser especialista em Photoshop.”
A meta, segundo Kumar: “Queremos alcançar exatamente o mesmo nível de acesso para design 3D. Em breve.”

O que esperar amanhã
Kumar confirmou que a sessão do dia seguinte, com participação da NVIDIA, trará mais detalhes sobre a infraestrutura de computação necessária e casos específicos de uso em diferentes indústrias — incluindo ciências da vida com o CEO da Biovia.
“Façam essa pergunta lá”, disse a um jornalista que questionou sobre modelos específicos por domínio. “O CEO da Biovia poderá mostrar como a formulação acontece com moléculas.”
As demonstrações mostradas na sessão estarão disponíveis para teste no laboratório de IA do 3DEXPERIENCE World.
Esta é uma cobertura exclusiva do Blog da Engenharia, que está em Houston acompanhando o 3DEXPERIENCE World 2026 pelo 9º ano consecutivo.
Acompanhe a cobertura completa em 3dxw26.blogdaengenharia.com







