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Mamonas Assassinas: as causas do acidente

Recentemente, o trágico acidente que vitimou os integrantes e funcionários da banda de rock cômico Mamonas Assassinas, completou 25 anos. O desastre aconteceu na noite do dia 2 de março de 1996, durante o procedimento de pouso no aeroporto de Guarulhos, quando a aeronave se chocou contra a Serra da Cantareira.

Os Mamonas Assassinas

Algo que poucas pessoas sabem, o nome anterior da banda era Utopia, que foi formada a partir de uma ideia do baterista Sérgio Reoli e seu irmão, Samuel Reoli junto com o guitarrista Bento Hinoto. Contudo, ao juntar à banda outros dois integrantes – Dinho e Júlio Rasec – decidiram mudar o perfil do conjunto, em 1994, criando os Mamonas Assassinas.

foto.
Mamonas Assassinas.

No mesmo ano de criação, a banda ascendeu a um sucesso estrondoso. Com menos de dois anos de carreira e apenas um disco lançado, o grupo registrou a marca de cerca de 3 milhões de cópias vendidas, algo que até então não tinha sido alcançado no Brasil, recebendo disco de diamante triplo pelo feito.

Os Mamonas Assassinas emplacaram sucessos como Pelados em Santos, Robocop Gay, Sabão Crá-Crá e Vira-Vira, chegando a fazer 30 shows em um único mês. Só não se apresentaram em três estados: Acre, Roraima e Tocantins.

A princípio, cobravam um cachê de 8 mil reais por show, valor este que chegou a 100 mil reais, desbancando todas as bandas no cenário brasileiro. O faturamento atingiu a casa dos 275 milhões de reais. A EMI, gravadora a qual a banda fazia parte, lucrou por volta de 80 milhões de reais.

O acidente

Tudo estava indo de vento em popa para os Mamonas até o dia 2 de março de 1996.

Para entendermos melhor, vamos voltar para o dia 29 de fevereiro de 1996. A aeronave com prefixo PT-LSD foi alugada pelo grupo neste dia por questões de logística de show, afinal, eles estavam em Caxias do Sul, precisavam chegar em Piracicaba no primeiro dia de março e, posteriormente, no dia 2, em Brasília.

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PT-LSD.

O piloto Jorge Martins e seu copiloto Alberto Takeda estavam responsáveis pelo comando da aeronave. Essa tripulação levou os passageiros de Caxias do Sul para Piracicaba no dia 1 e, no dia 2, de Piracicaba para Guarulhos, de Guarulhos para Brasília e retornando de Brasília para Guarulhos.

Logo após o show em Brasília, a aeronave decolou e manteve o nível de voo de 41 mil pés sem apresentar problemas. Durante o pouso, o controle de São Paulo passou a vetorar a aeronave até o marcador externo do procedimento Charlie 2 da pista 09R. O marcador externo tem como função “balizar” o avião em direção à pista.

carta de aproximação
Carta do procedimento Charlie 2.

Como vemos na carta, em caso de arremetida, a aeronave precisa subir para 6 mil pés e fazer uma curva a direita.

Ao chegar na aproximação final, o piloto comunicou a torre que arremeteria devido a não conseguir estabilizar a aeronave. Porém, por causa de uma série de falhas na comunicação com o controle, foi feita uma curva a esquerda para o setor norte, contrário à instrução da torre, que solicitou entrada no setor sul.

A mistura de informações imprecisas e fadiga por parte da tripulação fez com que a aeronave se chocasse contra a Serra da Cantareira a uma velocidade de 350 km/h, as 23h16 do dia 2 de março de 1996, matando todos a bordo.

Causas

Sucessivos erros ocorreram durante a vetoração no pouso. Velocidade acima da permitida, altitude elevada, flaps e trem de pouso recolhidos. Essas falhas fizeram com que a aeronave chegasse desestabilizada no marcador externo, que fica a aproximadamente 7 quilômetros da cabeceira da pista.

Depois da arremetida, o comandante informou à torre que estava operando em condições visuais, ou seja, chamou para si a responsabilidade de se manter afastado do solo e de outros aviões que poderiam estar ao seu redor. A alta velocidade durante esse procedimento, fez com que o raio de giração da curva ficasse maior do que o esperado, indo em direção a Serra da Cantareira.

raio
Raio de curva. Fonte: Aviões e Música com Lito Souza.

Outra questão primordial para explicar as causas do acidente com os Mamonas foi a fadiga dos pilotos. O voo para Piracicaba ocorreu às 7h10 da manhã. Para que isso ocorresse, a tripulação teria que estar acordada por volta das 5h.

A saída para Brasília seria às 15h, mas devido a atrasos, ocorreu somente as 16h41. A decolagem de Brasília para Guarulhos ocorreu às 22h. Se fôssemos contar as horas trabalhadas, estaríamos falando em algo em torno de 18 horas, onde as normas da época permitiam, no máximo, 11 horas de jornada.

Apesar de terem sido voos com menos de duas horas de duração, os pilotos aguardavam, entre um voo e outro, nas instalações do aeroporto, ou seja, horas de trabalho contadas e sem descanso adequado.

Além disso, a inexperiência também teve grande contribuição. O copiloto tinha apenas 170 horas de voo naquele modelo de aeronave, sendo que o mínimo necessário de 500 horas.

Coincidência

Conforme uma reportagem exibida no Jornal Nacional, no mesmo dia do acidente, o tecladista Júlio Rasec, comentou com seu cabelereiro:

Não sei, essa noite eu sonhei com um negócio… Assim, parecia que o avião caía. Não sei. Não sei o que quer dizer isso…

Júlio, também não sabemos o que isso quis dizer. Seja coincidência ou não, o fato é que os Mamonas Assassinas deixaram saudades!

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